Ásia/Oceania

Despedida esperada

Na véspera do jogo, o técnico Christopher Milicich já dava sinais do que iria acontecer contra o Sepahan. Ele admitiu que a defesa seria o ponto-forte do time, por onde o Waitakere poderia surpreender. E foi justamente o contrário. Hay, Perry e Pearce formaram o trio defensivo e foram responsáveis diretos pela derrota. O primeiro gol saiu num rebote de lateral. O segundo, uma lambança de Perry. Ele chegou a “dominar” a bola na mão antes do atacante iraniano Ridha botar pra dentro. Isso, em apenas quatro minutos. Já dava pra ver a fraqueza do Waitakere.

O único que levava perigo ao Sepahan era o ágil, mas inocente, Totori, atacante das Ilhas Salomão. Não foi o suficiente. As bolas alçadas na área também levavam algum perigo, principalmente com o capitão Danny Hay. O golpe de misericórdia aconteceu logo no segundo minuto do segundo tempo. Num chute de longe, Abolheil contou com a senhora ajuda do goleiro Eaddy. Um frango histórico e o Sepahan sacramentava o jogo.

A partir dos 30 minutos, o Waitakere passou a ter uma única jogada: as famosas bolas áreas, fruto do jogo britânico. E numa dessas, na falta cobrada por Bazeley, zagueiro e goleiro do time iraniano vacilaram e o Waitakere marcou o primeiro gol neozelandês na história dos Mundiais, já que no ano passado o Auckland, em dois jogos, não marcou nenhum.

Com o gol, o Waitakere pressionou. Totori continuou a azucrinar a zaga adversária, e o segundo gol quase saiu em duas oportunidades: uma com Perry e outra com o grandalhão Emblen. O tempo passou e o Sepahan suportou a pressão. O Waitakere se despediu do Mundial dignamente. Não se entregou, lutou até o final, mas as falhas no primeiro tempo foram cruciais. Mais uma participação de um time kiwi, mais uma eliminação. E assim o futebol da Oceania vai vivendo e aprendendo.

O efeito Beckham

Todos que acompanham esportes devem saber que o mais praticado na Oceania é o rúgbi – a melhor seleção, ou a mais conhecida, é a da Nova Zelândia, os All Blacks. Mas nos últimos dias nunca se falou tanto de futebol por lá, principalmente na Austrália e na própria Nova Zelândia. O motivo? “Apenas” um: David Beckham.

Geralmente, jornais e websites dão mais destaque ao rúgbi, críquete e futebol inglês, a Premier League. É difícil encontrar um grande jornal que dê espaço ao “soccer”. Em alguns casos, como o New Zealand Herald, o maior do país, o futebol da vizinha Austrália é mais comentado, devido somente à presença do Wellington Phoenix, time da capital kiwi, na A-League, a liga australiana. A liga neozelandesa? É raramente lembrada. Exceção feita ao Waitakere, que participou recentemente do Mundial de Clubes da Fifa.

Porém, tudo isso mudou para as duas nações no último dia 27 de novembro, dia da chegada do “embaixador” do futebol nos dois países. Pode ser um pouco de exagero afirmar que a ida de Beckham à Oceania teve o mesmo impacto de quando foi apresentado como novo reforço do Los Angeles Galaxy, afinal, a mídia americana, com uma pequena ajuda de Hollywood, não tem igual no mundo, mas pode-se afirmar que esforço não faltou.

Dylan Cleaver, colunista do NZ Herald, diz que nem o maior ídolo atual do futebol neozelandês, Ryan Nelsen, hoje no Blackburn Rovers, conseguiu atingir, nos últimos cinco anos, o que David Beckham conseguiu em apenas uma noite, no amistoso contra o Wellington Phoenix. Mas comecemos pela Austrália.

No dia 27, o Sydney FC, de Juninho Paulista, recebeu o LA Galaxy num amistoso que teve um público de 80.295 pessoas. Elas viram o time da casa vencer Beckham e seus coadjuvantes, até mesmo Landon Donovan, por 5 a 3 – o astro inglês deixou sua marca. O resultado não importou, já que todos queriam ver Beckham. Um público como esse só se vê quando a Austrália joga pelas Eliminatórias da Copa.

Já na Nova Zelândia, Beckham causou mais frisson. O amistoso contra o Wellington Phoenix, no último dia 2 desse mês, teve, simplesmente, o maior público da história do país: exatos 31.853 torcedores estiveram presentes para ver o Galaxy vencer os anfitriões por 4 a 1. E isso foi pouco.

Para ter idéia do que foi a passagem do jogador pelo país, acompanhe algumas manchetes dos jornais neozelandeses: “Beckham faz a sua mágica em Wellington”, “Furacão Beckham bom para o jogo”, “Becks joga com costela quebrada” e, pasmem, “Saliva e espiga de milho de Beckham à leilão”. Isso mesmo, objetos pessoais que o jogador usou, ou comeu, estão indo a leilão na Nova Zelândia. Uma batata frita, por exemplo, vale 1 dólar neozelandês. A espiga de milho está em $NZ 80 (R$ 186) e uma latinha de Coca-Cola tomada absurdos $NZ 5000 (aproximadamente R$ 11.700).

Até a morte de uma pessoa foi ligada ao astro na manchete que dizia “Homem morre na noite de Beckham”. O jogador também teve direito a um “lance a lance”, com todas as jogadas feitas durante o jogo, minuto a minuto. Para os mais fanáticos por futebol e críticos de “estrelismos”, como a atual carreira de Beckham, essas histórias não têm importância, mas para Austrália e Nova Zelândia significaram muito. Em pouco mais de três anos, as ligas profissionais dos dois países cresceram consideravelmente, e o “Tour Beckahm” vai ajudar, e muito, no desenvolvimento do continente no esporte que não é o mais popular por lá.

CURTAS

AUSTRÁLIA
– O holandês Pim Verbeek foi anunciado nesta quinta-feira como novo técnico da Austrália. Ele foi assistente de Guus Hiddink na campanha da Coréia do Sul no histórico quarto lugar na Copa do Mundo de 2002 e assumiu o cargo depois da Copa de 2006 – acabou demitido após a eliminação na Copa da Ásia de 2007. Além disso, também comandou Feyenoord e PSV.

– Falando em negociações, o atacante Dwight Yorke, ex-Manchester United, pode voltar ao país. Ele, que já defendeu o Sydney FC, está negociando a sua ida para o Central Coast Mariners, atual líder da A-League.

– Uma nova lesão pode fazer o Sydney não renovar o contrato de Juninho Paulista. Uma canela com hematomas é o drama da vez, resultado de uma entrada dura no amistoso com o LA Galaxy. Juninho deve voltar só depois do Natal, quando a temporada regular estará quase no final. A diretoria do clube ainda espera contar com ele numa possível ida aos playoffs. Caso não se classifique, Juninho pode estar se despedindo da Austrália.

– No terceiro e último duelo entre Juninho Paulista e Jardel deu vitória do Sydney, time do primeiro. Corica marcou o único gol do jogo aos 47 minutos do segundo tempo. Com a vitória, o Sydney foi a 21 pontos e está a um do próprio Newcastle Jets, quarto colocado, o último que passa à próxima fase. Jardel entrou aos 38 minutos do segundo tempo e na única chance que teve foi pego em impedimento. Juninho, lesionado, não jogou. Nos três duelos entre os times dos brasileiros, o Sydney venceu todos.

– Como Alexandre Zanotta (responsável pela coluna dos Estados Unidos) antecipou, um novo torneio internacional foi criado: o Campeonato Pan-Pacífico, que será disputado no Havaí, em fevereiro. O torneio vai contar com a participação de um representante da A-League e mais uma vez os australianos irão enfrentar Beckham e o LA Galaxy. A tabela está pronta: dia 20, o Gamba Osaka (JAP) encara o LA Galaxy (EUA) numa semifinal e o Houston Dynamo (EUA) joga contra o representante da A-League na outra. A disputa pelo 3º lugar e a final serão no dia 23.

NOVA ZELÂNDIA
– Impossível nas cinco primeiras rodadas, o meia escocês do Auckland City, Bryan Little, foi escolhido o melhor jogador do mês do New Zealand Football Championship. Ele lidera a artilharia com seis gols. O técnico do mês foi Stu Jacobs, do líder Team Wellington.

VANUATU
– A federação local tem novo presidente: é Lambert Maltock. Ele substitui Jacques Tronquet, que não contestou as eleições.

– O campeonato da Associação de Futebol de Port Vila, capital do país, pode ser definido neste sábado, dia 8, na penúltima rodada. O líder Tupuji Imere, com 31 pontos, enfrenta o vice-líder Tafea, que tem 30. Caso vença, o Tupuji vai a 34 pontos e não pode mais ser alcançado, já que restará apenas mais uma rodada. Em caso de vitória do Tafea ou empate fica tudo pra última rodada.

FIJI
– O Ba FC faturou a Inter District Cup. Os gigantes do futebol fijiiano bateram o Nadi por 2 a 1. A conquista impressionou o principal patrocinador do time, a gigante inglesa de telefonia móvel Vodafone.

NOVA CALEDÔNIA
– O encontro dos dois primeiros colocados da Super League acabou empatado. Pela 7ª rodada, Magenta, líder com 26 pontos, e Baco, vice com 24, ficaram no 2 a 2. Com o resultado, nem o Magenta se distanciou, nem o Baco conseguiu assumir a liderança.

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Equipe Trivela

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