Ásia/Oceania

Desistência anunciada

Nesta terça-feira, a federação japonesa confirmou o que já se suspeitava. Sem a garantia da liberação dos seus principais jogadores pelos clubes europeus e com as datas de julho ocupadas pela J-League por conta do remanejamento de datas – uma das inúmeras providências tomadas depois do terremoto e do tsunami do início de março – a JFA declinou do convite feito pela Conmebol para disputar a Copa América, a 45 dias do torneio.

Na verdade, quando a federação japonesa manifestou que não poderia disputar o torneio, ainda no início de abril, já parecia esta ser a decisão mais acertada. O país havia acabado de passar pela sua maior tragédia natural da história, e precisaria, sobretudo, do esforço em primeiro reconstruir o país, para só então pensar em remontar sua seleção ou algo parecido.

Dissuadida – provavelmente, por motivos comerciais – da ideia de não participar da competição sul-americana, restou à JFA outro problema: apesar de se tratar de uma competição continental oficial, o Japão participa dela como convidado. Por isso, não tem como recorrer ao critério de “datas Fifa” para obrigar que os clubes europeus liberem seus jogadores.

A federação japonesa ficou em uma sinuca de bico. Além de não ter a certeza de contar com nomes como Yuto Nagatomo, da Inter; e Shinji Kagawa, do Borussia Dortmund; não poderia desagradar as equipes que disputam a J-League, nem ao menos para montar uma seleção sub-23 com jogadores que atuam no país.

Sem saída, Junji Ogura, presidente da JFA, anunciou oficialmente em uma carta a José Luis Meiszner, presidente do comitê organizador da Copa América, que lamentava não poder participar do torneio. “Ainda que os clubes europeus tenham entendido nossa situação, infelizmente a maioria deles nos disse que não poderia liberar os jogadores para o torneio”, explicou Ogura, na nota.

Na queda de braço com os clubes europeus, que neste período estarão iniciando suas pré-temporadas, a não participação na Copa América acabou sendo a decisão mais sensata – e que deveria ter sido mantida lá atrás, em abril. Agora, a Conmebol terá que se virar para arrumar um participante para completar a relação de 12 seleções (se confirmada, a Costa Rica virá com uma seleção sub-23, como fará o México, aliás).

Confirmada a desistência da Copa América, a seleção japonesa volta a campo nos dia 1º e 7 de junho, para seus primeiros amistosos oficiais depois da tragédia de março. A Copa Kirin acontece este ano com as participações de Peru e República Tcheca.

Como forma de “pedido de desculpas”, a federação japonesa informou ainda que, de antemão, aceitou o convite da Conmebol para disputar a Copa América de 2015, que tem como sede o Brasil.

Maradona e o desafio nos Emirados

A grande notícia da semana no futebol asiático – até a confirmação da desistência prevista do Japão em participar da Copa América – foi a contratação de Diego Maradona para dirigir o Al-Wasl, dos Emirados Árabes.

Segundo Marwan Bin Bayat, vice-presidente do clube de Dubai, Maradona assume a equipe no início da próxima temporada, em setembro. Para Bin Bayat, será a chance de ter “a oitava maravilha do mundo” levando o Al-Wasl a uma condição jamais vista no esporte dos Emirados Árabes.

“A parceria mostra a visão do clube, pensando no desenvolvimento da região para estabelecer níveis de trabalho sem precedentes para o esporte da nossa região”.

O contrato entre Maradona e o Al-Wasl tem a duração de dois anos, mas os detalhes só devem ser revelados em uma grande festa com a presença do ídolo argentino em Dubai, no início de junho.

Apesar do sucesso de treinadores argentinos no futebol do Oriente Médio – dentre os quais, se destaca o nome de Gabriel Calderón, campeão saudita pelo Al-Hilal, e que já dirigiu as seleções de Omã e da Arábia Saudita – não consigo ver “El Pibe” tendo sucesso no comando do Al-Wasl.

Primeiro, por razões técnicas: o time não está entre as principais forças do país, e na atual temporada, restando quatro rodadas, ocupa apenas a quarta colocação entre 12 clubes, com 27 pontos, fora até da zona de classificação para a Liga dos Campeões do ano que vem. O clube não conquista a liga dos Emirados Árabes desde 2007.

Depois, porque o próprio trabalho de Maradona como treinador é digno de desconfiança. Será apenas a sua terceira passagem como treinador de clube (treinou o Mandiyú e o Racing, entre 94 e 95). Na seleção argentina, em dois anos de trabalho e com farto material humano em mãos, não conseguiu montar uma equipe coesa e com um mínimo de padrão tático.

A impressão que me dá é que Maradona foi contratado pelos xeiques do Al-Wasl mais para colocar o clube de Dubai na mídia – e sensibilizar veteranos em final de carreira a uma experiência no país, como já aconteceu no Catar e nos próprios Emirados – do que por suas qualidades de montador de equipes. Acho pouco provável, inclusive, que Don Diego consiga cumprir seu contrato até o final.

Al-Jazira e Sepahan confirmam títulos nacionais

Por falar no futebol dos Emirados Árabes, o Al-Jazira, dirigido por Abel Braga, confirmou o título nacional com uma goleada sobre o Al-Wasl por 4 a 0, nesta segunda-feira. Ricardo Oliveira e Juma Abdullah marcaram duas vezes cada um para o Al-Jazira, que com 46 pontos, conquistou o título com quatro rodadas de antecipação. O time abriu 12 pontos de vantagem sobre o Banni Yas e agora luta para ser campeão invicto – tem 14 vitórias e quatro empates na temporada.

Outro campeão do final de semana veio do Irã. Aliás, bicampeão: o Sepahan empatou em 0 a 0 com o Persepolis em jogo pela penúltima rodada e conquistou o ponto que faltava para ficar com o título. O time de Isfahan chegou aos 66 pontos, contra 62 do Esteghlal, restando apenas uma rodada para o final do campeonato. O meia brasileiro Januário chegou ao seu segundo título em três anos atuando na primeira divisão do futebol iraniano.

Giro pelas ligas

O Kashiwa Reysol segue na ponta da tabela na J-League. Jorge Wagner marcou mais um gol na vitória por 3 a 0 sobre o Albirex Niigata, fora de casa. O Kashiwa está com 15 pontos em seis jogos, três pontos à frente de Sanfrecce Hiroshima e Vegalta Sendai.

A goleada da rodada ficou por conta do Vissel Kobe, que fora de casa, fez 5 a 1 no Shimizu S-Pulse. Yoshito Okubo (2), Ken Tokura (2) e o brasileiro Botti fizeram os gols, com o veterano Naohiro Takahara descontando para os donos da casa.

Na Coreia do Sul, o duelo pela liderança entre Pohang Steelers e Jeonbuk Hyundai Motors foi emocionante. O jogo foi em Pohang, mas o Jeonbuk fez 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com Lee Dong-Gook e Park Won-Jae. O time da casa virou para 3 a 2 na segunda etapa (gols de Shin Hyung-Min, e dois de Adriano Chuva) e assumiu a liderança da K-League com 21 pontos em 10 jogos, contra 19 do Jeonbuk Hyundai Motors.

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Equipe Trivela

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