Ásia/Oceania

Depois de sete anos, Shanghai SIPG rompe a hegemonia do Evergrande e conquista o Chinesão

Quando o Guangzhou Evergrande conquistou o seu primeiro título no Campeonato Chinês, em 2011, ele antecipava movimentos. O clube recém-promovido da segunda divisão possuía um forte investimento. E, ainda que seus primeiros destaques não fossem exatamente estrelas mundiais, o elenco possuía jogadores de um nível bem acima da média dentro do cenário nacional. Assim, os Tigres do Sul da China estabeleceram sua hegemonia, mas também abriram as portas a tempos abastados no futebol chinês. Foram sete conquistas consecutivas, encabeçadas por treinadores históricos e por jogadores com mercado em centros maiores. Uma sequência que se rompeu apenas nesta quarta-feira, graças ao Shanghai SIPG. Com uma rodada de antecedência, as Águias Vermelhas se sagraram campeãs da Super League.

O momento de transição contribuiu para a queda do Guangzhou Evergrande. A temporada começou com a saída de Luiz Felipe Scolari, substituído por Fabio Cannavaro. Além disso, as mudanças no elenco também causaram o seu impacto, algo que nem mesmo o retorno de Paulinho ou a contratação de Talisca aliviaram. O sucesso do Shanghai SIPG, no entanto, não se explica apenas pelo fracasso dos principais concorrentes. As Águias Vermelhas possuem um projeto consistente ao longo das últimas temporadas. E que se recompensou com o esperado título nesta quarta, após uma campanha dominante.

O Shanghai SIPG está entre os clubes mais ricos do Campeonato Chinês, bancado desde 2013 pelo grupo que administra o porto de Xangai. Além disso, possui um bom trabalho de formação, auxiliado pelo ex-treinador Xu Genbao. E, desde a conquista do acesso em 2012, os alvirrubros investiram em jogadores renomados para galgar degraus na tabela da Super League. Hulk, Elkeson e Oscar formam a trinca de brasileiros à disposição no elenco atual. Já outra grande estrela é o artilheiro Wu Lei, de 26 anos, formado pela própria base das Águias e que se tornou o maior artilheiro da história do campeonato nacional.

Nas últimas três temporadas, o Shanghai SIPG já tinha representado uma das principais ameaças ao Evergrande. Sempre se manteve no pódio da Super League, mas sem forças para dar o salto necessário para conquistar a taça. Inclusive, uma postura recorrente da diretoria foi apostar justo em atletas que já tinham sido campeões pelo Evergrande. Em dezembro de 2017, Vítor Pereira assumiu o comando técnico, substituindo o compatriota André Villas-Boas. Conseguiu cumprir o objetivo das Águias, que desde o início da temporada se colocaram como fortes candidatas à conquista. Das 29 rodadas disputadas até o momento, os alvirrubros permaneceram na ponta em 17 delas. A exceção foi feita durante a virada dos turnos, quando o Beijing Guoan se colocou no topo, mas não teve a regularidade necessária na reta final para ambicionar o título.

Dono do segundo melhor ataque e da melhor defesa da liga, o Shanghai SIPG colocou a mão na taça durante o final de semana. A três rodadas do fim, visitou o Guangzhou Evergrande em Cantão, tentando manter a vantagem de dois pontos sobre os heptacampeões. Pois os concorrentes fizeram um jogaço. As Águias abriram o placar e estiveram em vantagem duas vezes no primeiro tempo, mas permitiram que os Tigres buscassem a virada por 3 a 2. Já na etapa complementar, Hulk comandou o ataque dos visitantes, que balançou as redes três vezes e, apesar do tento sofrido no fim, garantiu o triunfo por 5 a 4.

Com cinco pontos de vantagem, o Shanghai SIPG contou com o tropeço do Guangzhou Evergrande nesta quarta e fez sua parte, ao derrotar o Beijing Renhe por 2 a 1. O ídolo Wu Lei anotou o gol que valeu a conquista inédita aos alvirrubros. O camisa 7 também deve levar a artilharia do torneio, com 27 gols anotados nestas 29 rodadas. Enquanto isso, as Águias Vermelhas somam 68 pontos na liderança, oito a mais que os Tigres do Sul da China. Apenas cumprirão tabela na rodada final, prontas para a festa em Xangai.

O Shanghai SIPG também fez algumas boas campanhas na Liga dos Campeões da Ásia. Esteve nos mata-matas durante as últimas três edições do torneio, alcançando as semifinais em 2017. O título continental se coloca como o próximo objetivo. Entretanto, o momento é mesmo de aproveitar a taça que custou tanto a sair das mãos do Guangzhou Evergrande. O aumento da competitividade não é um bom sinal apenas às Águias Vermelhas, mas também a todo o Campeonato Chinês. Abre o cenário para outros clubes crescerem e desejarem mais além das fronteiras, como ocorreu com o próprio Evergrande.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo