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Depois de demitir e readmitir Skocic, o Irã demite o técnico de novo e anuncia Carlos Queiroz para a Copa

Carlos Queiroz deixou o Egito em abril e motivou a decisão dos dirigentes iranianos às vésperas da Copa do Mundo

A desorganização impera na seleção do Irã às vésperas da Copa do Mundo. Uma dança das cadeiras envolveu o comando técnico dos persas, e com dois concorrentes dando voltas ao redor do posto único de treinador para o Mundial. Os dirigentes chegaram a demitir o técnico Dragan Skocic em julho e desistiram da decisão seis dias depois, diante da rejeição pública. Pois a cartolagem voltou atrás e resolveu mandar o croata para a rua em definitivo. Com isso, confirmou o retorno de Carlos Queiroz, comandante dos iranianos nas Copas de 2014 e 2018, que reassume o cargo pouco mais de três anos após sua saída.

A demissão de Skocic não possui muitos critérios técnicos. O croata assumiu a equipe nacional em fevereiro de 2020, após a curta passagem de Marc Wilmots pelo Irã. Soma 15 vitórias em 18 partidas à frente dos persas, com 83,3% de aproveitamento. Conseguiu uma ótima campanha na fase decisiva das Eliminatórias, que estabeleceu o novo recorde de pontos da competição. As únicas derrotas aconteceram apenas mais recentemente, contra Coreia do Sul e Argélia. Todavia, o comandante não parecia ter a melhor relação interna na federação.

Em julho, a demissão de Skocic foi decidida numa reunião da federação. Os cartolas questionavam os tropeços recentes e a falta de bagagem do treinador, contratado por seu trabalho em clubes do Irã. A decisão, porém, gerou muito ruído no país e a opinião pública pressionou os dirigentes, com manifestações de jornalistas e torcedores. Uma semana depois, em nova reunião, o Irã voltou atrás e readmitiu Skocic. O porta-voz da federação pedia “união pelo objetivo em comum de elevar o nome do Irã”. Tudo não passava de uma ilusão.

A federação iraniana preferiu engatilhar a contratação de um novo técnico antes de demitir realmente Skocic. Nomes como Ali Daei e Javad Nekounam, antigos ídolos da seleção, eram mencionados. Entretanto, a escolha óbvia era por Carlos Queiroz. O português tinha uma história de oito anos à frente dos persas e havia ficado sem emprego recentemente, após sua saída do Egito. Assim, um mês e meio depois de toda a bagunça, o Irã mandou Skocic para a rua e confirmou a volta de Queiroz.

O aproveitamento de Carlos Queiroz à frente do Irã também é muito bom, com 70% dos pontos. Levou a equipe a duas Copas do Mundo e teve boas exibições em ambas as competições, por mais que os persas não tenham passado da fase de grupos. Também disputou a Copa da Ásia por duas vezes. Esse foi o ponto de interrupção de seu trabalho em 2019, com a eliminação para o Japão na semifinal continental, quando o Team Melli indicava forças para lutar pelo título. Depois de 97 partidas, o veterano deixava o cargo.

Os três últimos anos, porém, foram agridoces para Carlos Queiroz. O treinador fez um trabalho bem fraco na seleção da Colômbia, sem se casar com o estilo de jogo. Foram 18 partidas, com uma campanha até as quartas de final da Copa América de 2019 e um péssimo início nas Eliminatórias. Saiu depois dos 6 a 1 sofridos contra o Equador. Depois passaria pelo Egito e montou um time mais equilibrado, apesar das reclamações sobre o defensivismo e as escolhas nas convocações. Não cumpriu os objetivos, com as derrotas para Senegal na final da Copa Africana de Nações e na fase decisiva das Eliminatórias.

Carlos Queiroz tem uma boa relação nos bastidores da seleção iraniana e treinou a maioria absoluta dos jogadores à disposição. A geração tão forte dos persas foi preparada pelo português. Resta saber como será o estilo de jogo da equipe, que conseguiu estabelecer um poder ofensivo maior nos últimos meses. Queiroz é conhecido por desenvolver defesas e esse foi seu ponto forte na primeira passagem. É ver como será a preparação em cima da hora para o Mundial, num momento em que os persas já deviam ter superado o passado. Pior para Skocic, que merecia a oportunidade depois de alavancar os resultados nos últimos dois anos. O Irã está no Grupo B da Copa, ao lado de Inglaterra, Estados Unidos e Gales.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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