Ásia/Oceania

Conca x Molina: final da LC da Ásia não será tão estranha assim

A final da Liga dos Campeões da Ásia tem várias razões para atrair os olhares do público brasileiro. Não apenas por definir um dos possíveis adversários do Atlético Mineiro no Mundial de Clubes. Guangzhou Evergrande e Seoul, definidos como finalistas nesta quarta-feira, possuem vários personagens que eram comuns no Campeonato Brasileiro há alguns anos.

São três jogadores nascidos por aqui alinhados para a decisão. Estrela do Evergrande, Muriqui é o artilheiro isolado da competição continental, com 13 gols em 11 partidas, e foi elogiado pelo técnico Marcello Lippi como “o melhor jogador em atividade na Ásia atualmente”. Da mesma forma, Elkeson tem marcado um caminhão de gols pelo clube chinês – foram 26 em 30 jogos desde que chegou. E o lateral Adilson, desconhecido no Brasil, é um dos atletas mais tarimbados do Seoul, há mais de oito anos na equipe sul-coreana.

Porém, o duelo que mais chama atenção não envolve brasileiros. Darío Conca e Mauricio Molina tiveram passagens pelo futebol nacional e agora se cruzam como cérebros dos finalistas da LC Asiática. O argentino sempre será lembrado pelo título brasileiro de 2010, saindo do Fluminense para se tornar o terceiro jogador mais bem pago do mundo. Já o colombiano, apesar da fama de jogador habilidoso, ficou marcado pela acomodação que encurtou sua passagem pelo Santos. Ainda assim, a vantagem nos confrontos diretos é de Molina: em três jogos contra o Flu de Conca, foram duas vitórias e um empate, incluindo goleada por 4 a 1 em 2009.

E também dá para dizer que o histórico de Molina na Ásia é favorável quando comparado ao de seu concorrente. O camisa 11 já conquistou a Liga dos Campeões em 2010, quando atuava pelo Seongnam Ilhwa Chunma, além de ter conduzido o Seoul ao título da K-League 2012. Há três anos no clube da capital, o colombiano apresenta números marcantes, com 41 gols e 44 assistências em 118 partidas.

Enquanto isso, o sucesso de Conca se limita à China – por enquanto, ao que parece. Bicampeão nacional, o armador é o vice-artilheiro da Liga dos Campeões da Ásia e forte concorrente ao prêmio de melhor jogador. Somente no jogo de ida das semifinais, contra o Kashiwa Reysol, o argentino deu três assistências e marcou um gol na vitória por 4 a 0 sobre os japoneses. O desempenho do Evergrande nos mata-matas, aliás, tem sido irretocável: seis vitórias em seis jogos, com 19 gols marcados e apenas três sofridos.

Pelo desempenho arrasador até aqui e pelo investimento pesado que tem feito, o Guangzhou Evergrande pinta como favorito para conquistar seu primeiro título asiático e o segundo chinês, que não vem desde 1990. O Seoul, porém, conta com mais rodagem no torneio para tentar impedir o feito e só sofreu uma derrota em toda a campanha. Ainda assim, Molina precisará mostrar os motivos que o fizeram ídolo na Coreia do Sul se quiser barrar o esquadrão – para os padrões asiáticos – comandado por Marcello Lippi.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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