Ásia/Oceania

Conca escreveu história no Guangzhou e foi conquistado

Darío Conca foi para o Guangzhou Evergrande em julho de 2011 por dinheiro. Não adianta argumentar. Não foi pela tradição do futebol chinês, muito menos pelo projeto do clube. Mas isso não é uma condenação. A grana oferecida era muito alta, e seria tolo recusar a oferta. Pouco mais de dois anos depois, o argentino deverá voltar para o Fluminense, mas a história que escreveu na China transcendeu os cifrões de seu salário, e o meia pode retornar ao Brasil com a sensação de dever cumprido.

Neste domingo, assim como nos últimos dois anos, Conca foi um dos destaques do Guangzhou Evergrande. A equipe venceu o Wuhan Zall por 5 a 0, com dois gols do argentino, pela última rodada do Campeonato Chinês, já vencido pelo Guangzhou de forma antecipada há quase um mês. Foi a terceira conquista consecutiva do título nacional para Conca. Antes de sua chegada, o time não havia vencido nenhuma vez.

Esta última campanha teve contribuição enorme de Conca. Dos 78 gols marcados pelo Evergrande na competição, o argentino participou diretamente de 23, com 14 marcados e nove assistências feitas em 26 jogos disputados. Além dele, Elkeson, ex-Botafogo, também brilhou, liderando a artilharia com 24 gols e dando 11 assistências.

No âmbito continental, Conca se aproxima de um feito ainda mais histórico que o tricampeonato nacional. O jogador está a um jogo de levar o Guangzhou Evergrande ao seu primeiro título de Liga dos Campeões da Ásia em toda a história. O argentino já marcou oito gols e deu quatro assistências em apenas 13 partidas disputadas na competição. A final do torneio é disputada em dois jogos, e o clube chinês empatou em 2 a 2 com o Seoul no jogo de ida. A grande decisão acontece no próximo sábado e, em caso de vitória chinesa, Conca pode estender sua estada até a disputa do Mundial de Clubes, no mês que vem.

No último jogo deste Campeonato Chinês, no entanto, o argentino já começou suas despedidas. O meia celebrou o título com uma camiseta grafada com a seguinte frase: “Em qualquer lugar que eu esteja, vocês todos estarão em meu coração. Obrigado”. O jogador foi adorado enquanto esteve no Evergrande, e, se antes a mudança para a China era apenas uma questão financeira, certamente sua passagem pelo país lhe rendeu um novo sentimento. O Guangzhou, de forma resignada, dá o beijo de despedida, enquanto o Fluminense, esperançoso, o aguarda com um abraço de boas-vindas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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