Ásia/Oceania

Cativo no Mundial, Auckland mantém monotonia na Oceania

A vaga do Auckland City no Mundial de Clubes já é praticamente cativa. Pela quinta vez, a terceira consecutiva, os neozelandeses conquistaram a Liga dos Campeões e representarão a Oceania na competição da Fifa. Na decisão sem grandes novidades, os Navy Blues derrotaram o Waitakere United, que disputou o Mundial em outras duas oportunidades. Desta vez, só precisam renovar o passaporte para o Marrocos, não mais para o Japão.

O domínio do Auckland na LC é bastante compreensível. Nas quatro primeiras edições da competição, quando a Austrália ainda fazia parte da OFC, o domínio foi dos Socceroos, com quatro títulos – e duas vagas ao Mundial, a South Melbourne e Sydney FC. Desde então, outras sete vezes o torneio foi realizado e em seis terminou com comemoração neozelandesa. Sempre com Auckland ou Waitakere, donos dos últimos nove títulos nacionais. A exceção foi o Hekari United, de Papua Nova-Guiné, surpresa gigantesca em 2009/10.

Nesta temporada, a Liga dos Campeões contou com uma mudança de regulamento determinante: dois times avançaram por grupo, fazendo semifinais e final. Nas edições anteriores, apenas o líder da chave se classificava, diretamente à decisão, e os neozelandeses geralmente se matavam na primeira fase. Com a brecha, não à toa, esta foi a primeira final entre dois clubes do mesmo país – obviamente, a Nova Zelândia.

O único a ameaçar a hegemonia dos Kiwis nesta temporada foi o Dragon. O clube da Polinésia Francesa tinha todas as possibilidades de eliminar o Auckland City na fase de grupos. Mas, na penúltima rodada, cedeu o único ponto ao Mont-Dore, da Nova Caledônia. Permitiu que os Navy Blues passassem à frente na tabela e jogassem pelo empate na rodada final, quando houve o confronto direto.

Nas semifinais, Waitakere e Auckland cruzaram com os times do Grupo A e protagonizaram dois massacres: 4 a 1 e 7 a 1 no placar agregado contra Amicale (Vanuatu) e Ba (Fiji), respectivamente. Na decisão entre os rivais mais que conhecidos, melhor para o Auckland, que abriu dois gols de vantagem logo no início do jogo e segurou o triunfo por 2 a 1. Festa para Ramon Tribulietx, Manel Expósito, Adam Dickinson, Ivan Vicelich e outras figurinhas carimbadas do Mundial de Clubes, que reencontrarão com o Monterrey, outro tricampeão continental e o único com viagem já marcada para o Marrocos até o momento.

É difícil esperar pela quebra da supremacia na Nova Zelândia na Liga dos Campeões. Sem a Austrália, os Kiwis têm todas as condições favoráveis, com a melhor situação econômica e a liga mais forte – melhor dizendo, a menos amadora. Em consequência, seus dois clubes dominantes aparecem sempre nas cabeças. Algo muito parecido com o que acontece nas eliminatórias, com a seleção do país. A não ser que uma zebra estrondosa apareça, com o Hekari ou o Taiti na Copa das Nações da OFC, o natural é aturar a comemoração neozelandesa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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