Ásia/Oceania

Catar quer sediar Copa do Mundo

Com 28 anos de independência recém-completados no último dia 3 de setembro, o Catar quer ocupar um cenário de destaque no futebol mundial. Os planos dos dirigentes do país são ambiciosos: depois de conseguir ser a sede da fase final da Copa Asiática de Nações, daqui a dois anos, a Federação do Catar quer que o país hospede a Copa do Mundo de 2022.

Os investimentos para isso passam também pela ampliação da liga nacional – a Qatari Stars League – que começa neste final de semana. Para esta temporada, o campeonato terá 12 equipes, duas a mais que nos anos anteriores. A fórmula de disputa também mudou: até a última temporada, as 10 equipes jogavam em três turnos, num total de 27 rodadas. A partir de agora, os jogos são em turno e returno, com 22 rodadas apenas. A exemplo da maioria das ligas nacionais na Ásia, há uma espécie de reserva de mercado: cada time pode ter quatro estrangeiros no elenco, sendo um deles, obrigatoriamente, de um país filiado à Confederação Asiática.

Também como mudança de direcionamento da competição, os clubes da Qatari Stars League já não buscam mais trazer somente veteranos consagrados – como aconteceu entre o fim da década passada e o início desta, quando nomes como Claudio Caniggia, Marcel Desailly, Romário, Jay Jay Okocha, Fernando Hierro, os irmãos Frank e Ronald de Boer, todos já em final de carreira – atuaram por diversas equipes, fazendo do campeonato um similar do início da J-League, em meados dos anos 90.

Para a temporada que começa no sábado, os clubes se investiram para a competição – que classifica os dois primeiros colocados para a Liga dos Campeões da Ásia de 2011/12. O Al-Gharrafa, atual campeão, é dirigido por Caio Junior, que deixou o Flamengo para substituir Marcos Paquetá. Se o time perdeu o meia-atacante Fernandão, que voltou para o Goiás, o time tem em Juninho Pernambucano a principal contratação da temporada, depois de ter feito história com a camisa do Lyon. O Al-Gharrafa luta pelo tricampeonato, e conta ainda com os gols do atacante Araújo, que foi artilheiro da Liga na temporada 2007/08, com 27 gols; e terceiro colocado na artilharia na última temporada, com 20 gols.

Vice-campeão na última temporada, o Al-Sadd quer quebrar a hegemonia do Al-Gharrafa e repetir a temporada 2006-07, quando conquistou, além da liga nacional, os títulos da Copa do Emir e a Copa da Coroa. O time dirigido pelo romeno Cosmin Olaroiu, é comandado há quatro temporadas pelo meia Felipe, de 32 anos. O jogador vai para a sua quinta temporada no clube, arregimentando cada vez mais fãs com seu talento e habilidade na perna esquerda. Não são raros na internet os “fan sites” e vídeos com as jogadas criadas por Felipe nestes cinco anos no país. A idolatria é tanta que o jogador seguidamente vem recusando propostas para voltar ao futebol brasileiro, onde defendeu Vasco, Flamengo, Fluminense, Atlético Mineiro e Palmeiras.

Para auxiliar Felipe – e o Al-Sadd – nesta temporada, a equipe contratou dois atacantes brasileiros: Afonso Alves, que deixou o futebol inglês depois de uma fraca passagem pelo Middlesbrough; e Leandro, que estava no Gamba Osaka. Leandro deixou o clube japonês como artilheiro da J-League e da Liga dos Campeões asiática.

Outro concorrente ao título é o Umm-Salal, terceiro colocado na temporada passada e único representante do Catar nas quartas-de-finais da Liga dos Campeões, onde enfrenta o FC Seoul, da Coreia do Sul. O time é treinado pelo francês Gerald Gili e venceu semana passada, a Copa Sheik Jassem, disputada sempre na pré-temporada. O time tem como principal jogador o atacante Magno Alves, artilheiro da liga na temporada passada, com 25 gols. Para esta temporada, foi contratado o atacante Davi, que foi um dos destaques do 1º turno da J-League, defendendo o Nagoya Grampus (onde fez 10 gols em 17 jogos, antes de se transferir para o Catar).

Além de Al-Gharrafa, Al-Sadd e Umm-Salal, os outros competidores da liga catariana são: Qatar SC (dirigido por Sebastião Lazaroni e que conta com o meia-atacante Marcinho, ex-Flamengo); Al-Rayyan (treinado por Marcos Paquetá, que tem o zagueiro Marcelo Tavares, ex-Cruzeiro); Al-Arabi (do técnico alemão Uli Stielike e do atacante brasileiro Kim, ex-Atlético Mineiro); Al-Sailiya (treinado pelo bósnio Dzemal Hadziabzic, onde jogam o meia Roger, ex-Flamengo, Fluminense e Grêmio; e o zagueiro Dennis Souza, que estava no Barnley, da Inglaterra); Al-Khor (comandado pelo francês Bertran Marchand); Al-Wakrah (dirigido pelo marroquino Mostafa Madeeh); Al-Kharitiyath (do técnico francês Bernard Simoni, que conta com o zagueiro Fábio, revelado pelo Vasco); além dos recém-promovidos Al-Shamal e Al-Ahli (treinado pelo brasileiro Heron Ferreira, onde joga o meia Wagner, que estava no Panionios, da Grécia).

Três partidas abrem a competição no sábado. O campeão Al-Gharrafa recebe o Al-Khor no Al-Gharrafa Stadium, em Doha, capital do país; O Al-Wakrah recebe o Al-Khuratiyat, enquanto no jogo mais esperado da rodada, o Umm-Salal enfrenta o Al-Sadd.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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