Ásia/Oceania

Caminho livre para os grandes

As eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2014 tiveram, no sábado, o sorteio de sua terceira fase – a primeira de grupos, onde as 15 vencedoras dos confrontos da última semana se juntaram a Japão, Austrália, Coreia do Sul, Coreia do Norte e Bahrein, cinco primeiros colocados do ranking da AFC para Copas do Mundo.

A fórmula do sorteio, considerando o ranking de julho da Fifa, dividiu as 20 seleções em quatro potes de cinco, de acordo com o ranqueamento. Ao contrário do que aconteceu nas eliminatórias europeias e africanas, não há nenhum “grupo da morte”, e com a diferença de nível técnico entre as seleções classificadas – já citadas anteriormente por mim em outros textos sobre o cenário de seleções do continente – é pouco provável que haja surpresas dentre os 10 classificados para a fase final das eliminatórias.

O grupo A tem a China como cabeça de chave, Jordânia, Iraque e Cingapura. Os chineses são os favoritos a ficar com a primeira vaga, e eu acredito na classificação da seleção do Iraque, mesmo a Jordânia estando no pote 2, e em tese, ser a segunda força do grupo.

O grupo B é, pra mim, o mais equilibrado dos cinco, com Coreia do Sul aparecendo com amplo favoritismo para o primeiro lugar; Kuwait, Emirados Árabes e Líbano brigam pela segunda vaga. Se conseguir a inscrição da “legião estrangeira” que está se naturalizando para disputar as eliminatórias, os Emirados Árabes ganham muita força. Caso contrário, a vaga fica indefinida, com os confrontos diretos resolvendo a questão.

No grupo C está, talvez, o maior “prejudicado” pela formação dos potes. Apesar de ter participado do último Mundial, a seleção da Coreia do Norte é 16a colocada no ranking da FIFA entre os 20 participantes desta fase das eliminatórias. Por isso, ficou no pote 4, o das seleções teoricamente mais fracas. Para piorar, os norte-coreanos terão que medir forças com o Japão e o Uzbequistão, favoritos às duas vagas; e com a Síria. Pelo visto, não veremos o choro do atacante Jong Tae-Se no Brasil…

Austrália e Arábia Saudita devem ficar com as duas vagas no grupo D sem muito esforço, diante das limitadas seleções de Omã e Tailândia. Mesmo com a transição proposta pelo técnico Holger Osieck, a Austrália é a minha favorita para o primeiro lugar.

No grupo E, o Irã é favorito ao primeiro lugar, com Catar e Bahrein fazendo um duelo interessante pela segunda vaga. A Indonésia completa o grupo, com toda a pinta de que será o saco de pancadas. O Bahrein, que esteve perto de chegar ao Mundial nas duas últimas edições, é a minha aposta para preencher a segunda vaga.

Os cinco grupos têm as seis rodadas marcadas para os dias 2 e 6 de setembro; 11 de outubro; 11 e 15 de novembro; e 29 de fevereiro de 2012. Os dois melhores de cada grupo passam para a fase final das eliminatórias. A primeira rodada prevê os seguintes jogos:

Grupo A
China x Cingapura
Iraque x Jordânia

Grupo B
Coreia do Sul x Líbano
Emirados Árabes x Kuwait

Grupo C
Japão x Coreia do Norte
Síria x Uzbequistão

Grupo D
Austrália x Tailândia
Omã x Arábia Saudita

Grupo E
Irã x Indonésia
Bahrein x Catar

Oceania também tem definição das eliminatórias

A Fifa divulgou, também no sábado, como vão funcionar as eliminatórias da Oceania. Confederação continental com o menor número de participações na história dos Mundiais, a OFC tem a Nova Zelândia como principal força desde que a Austrália se juntou à AFC, em 2005.

Para tentar voltar ao Mundial depois da surpreendente campanha na África do Sul, a seleção neozelandesa ainda vai esperar até junho do ano que vem, quando, entre os dias 1º e 12, acontece a Copa das Nações, nas Ilhas Fiji.

A Copa das Nações aponta o campeão continental, que vai representar a OFC na Copa das Confederações, também no Brasil, em 2013. Porém, ao contrário do que foi anunciado anteriormente, ela não define a seleção que vai disputar, contra o quarto colocado da Concacaf, uma das vagas na repescagem intercontinental.

Para tentar explicar, vamos ao início: a primeira fase das eliminatórias será disputada entre 21 e 26 de novembro, em Noumea, na Nova Caledônia. O torneio reúne quatro seleções não ranqueadas pela Fifa: Samoa Americana, Ilhas Cook, Samoa e Tonga. Um quadrangular simples classifica o vencedor para a Copa das Nações.

Na Copa das Nações – segunda fase das eliminatórias – oito seleções estão divididas em dois grupos de quatro (Vanuatu, Nova Caledônia, Taiti e o vencedor da primeira fase no grupo A; Ilhas Fiji, Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Papua Nova Guiné, no grupo B). O torneio acontece com as equipes jogando entre si em turno único. Os dois melhores de cada grupo garantem vaga na semifinal da Copa das Nações. Para definir os finalistas, cruzamento olímpico, e o vencedor virá ao Brasil em 2013.

Para a fase final das eliminatórias, entre 7 de setembro de 2012 e 26 de março de 2013, estarão qualificados os semifinalistas da Copa das Nações, que se enfrentam em turno e returno. O vencedor deste quadrangular é o representante da OFC na repescagem intercontinental. Isto significa dizer que poderemos ter um representante da Oceania na Copa das Confederações e outro na repescagem da Copa do Mundo.

Morte de Matsuda choca o futebol japonês

A prematura morte do zagueiro Naoki Matsuda chocou o mundo esportivo japonês. Aos 34 anos, depois de uma vitoriosa carreira construída no país, Matsuda estava atuando pelo modesto Matsumoto Yamaga, que disputa a Japan Football League (JFL), equivalente à terceira divisão do país.

Matsuda sofreu um ataque cardíaco na terça-feira, depois de apenas 15 minutos de aquecimento com seus companheiros. O jogador não recobrou a consciência desde que foi levado para o hospital, vindo a falecer na madrugada de quinta-feira (no horário local).

Naoki Matsuda defendeu apenas um clube em 15 anos de carreira na J-League: o Yokohama Marinos, onde estreou na temporada de 1995. O jogador se destacou e no ano seguinte, fez parte da seleção japonesa que disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta. Pelo clube (que virou F-Marinos em xx), o zagueiro fez mais de 500 partidas, sendo 385 somente pela J-League, marcando 17 gols e sendo campeão japonês em 95, 2003 e 2004.

A partir de 2000, Matsuda passou a ser figura constante na seleção japonesa principal, tendo disputado, com destaque, a Copa das Confederações, em 2001; e a Copa do Mundo, em 2002. Até 2005, foram 40 jogos, um gol, marcado justamente em sua última partida pelos Samurais Azuis, contra o Cazaquistão, e participação no bicampeonato asiático em 2000 e 2004.

Phillipe Troussier, técnico da seleção japonesa na Copa de 2002, resumiu o sentimento de consternação geral pela morte do zagueiro. “Naoki foi uma grande pessoa, dedicado, forte, muito importante pra nós em 2002. É terrível e trágico ver alguém partir assim tão jovem”.

Naoki Matsuda fez, nesta temporada, 15 partidas pelo Matsumoto Yamaga, marcando um gol. O time está na nona colocação na tabela da JFL, com 24 pontos, distante dois pontos da zona de promoção para a J-League 2 (sobem os quatro primeiros colocados).

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Equipe Trivela

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