Ásia/Oceania

Bye bye, Auckland City!

Demorou, mas acabou. Depois de três temporadas consecutivas levantando o título do New Zealand Football Championship, o Auckland City ficou de fora da final da atual temporada, a ser realizada, em jogo único, no próximo domingo. Waitakere United e Team Wellington, este último pela primeira vez na Grand Final, duelam numa final inédita pelo título neozelandês.

Na Preliminary Final – jogo entre o segundo e terceiro colocados da temporada regular, que definiu o adversário do Waitakere na decisão –, emoção não faltou. Auckland (2º) e Wellington (3º) protagonizaram um dos maiores jogos da história da liga. Por ter feito melhor campanha, o Auckland jogava em casa. Mas nada que o beneficiasse, já que o público era fraco para uma partida importante: apenas 984 pessoas compareceram ao Kiwitea Street.

O artilheiro da temporada agora com 14 gols, Graham Little, irmão de Bryan, do Auckland – relembre na coluna do dia 9/11/2007 –, abriu os trabalhos para os adversários, aos 20 minutos da primeira etapa. Teoricamente mais forte, o Auckland virou com Jeff Campbell e Chan-Goo Yoon só na metade da segunda etapa. Mas o melhor ainda estava por vir.

Relembrando Oliver Bierhoff na final da Eurocopa’96, Peter Halstead saiu do banco para fazer história. Primeiro, aos 41 minutos do segundo tempo, o atacante empatou e levou o jogo para a prorrogação. Os 15 primeiros minutos se reservaram ao segundo tempo da prorrogação, já que o empate sem gols persistiu. E logo aos 4 minutos da segunda metade, o Auckland viu o seu reinado cair.

Traído pela agilidade do costarriquenho Luis Corrales, Tamati Williams derrubou o jogador latino na área. Little converteu o pênalti e “desvirou” o marcador. Quando o jogo parecia estar definido, Peter Halstead apareceu novamente. E mais uma vez restando quatro minutos para o apito final, o “Bierhoff neozelandês” balançou as redes do ex-imbatível Auckland para dar números quase finais à partida. No final, o tricampeão chegou a descontar, mas nada que mudasse a história. Final: Auckland 3 x 4 Wellington.

Depois de 13 partidas sem vitória sobre o City, o Wellington venceu heroicamente e, pela primeira vez em sua história, vai disputar a Grand Final. Caso vença, além do título o time da capital garante a segunda vaga do país na próxima O-League, já que terminou em 3º na temporada regular, atrás do Auckland, sendo obrigado a vencer para passar o rival em pontos.

A partida também marcou a despedida do zagueiro Ben Sigmund do Auckland. Ele dá um passo importante na carreira ao assinar com o Wellington Phoenix, time neozelandês que disputa a A-League, a liga australiana (saiba mais em “Curtas”, ao lado).

Ilhas Salomão dominam O-League

No sábado, dia 26, o Kossa FC, das Ilhas Salomão, vai receber o atual campeão da O-League e finalista da liga neozelandesa, Waitakere United, pela partida de ida da final da maior competição interclubes do continente. Zebra do confronto, o Kossa traz algumas peculiaridades. A começar pela estrutura do país.

Ilhas Salomão é uma nação do Pacífico composta por mais de mil ilhas. A precariedade lá é tanta que é praticamente impossível estabelecer uma conexão telefônica – depois de cinco tentativas, todas frustradas, acabei desistindo. Segundo a Assessoria de Comunicação da Oceania Football Confederation, o país vive na pobreza, apesar da beleza das ilhas da região.

O maior destaque do time é Reginald Davani (ex-Auckland City), atacante da seleção de Papua-Nova Guiné. Mesmo assim, Davani é um dos poucos jogadores do time que recebem salário: cerca de R$ 50. Ele também ganhou celular, carro e casa do clube. É mais ou menos isso a situação do Kossa, que por incrível que pareça, pode disputar o Mundial de Clubes da Fifa no final do ano, assim como fez o próprio Waitakere, ano passado.

Se no lado salomônico o amadorismo é inegável, o Waitakere também não deixa de ser um tanto quanto amador. O clube se considera semi-profissional, assim como todos os outros times que disputam a liga neozelandesa. Mas, dentro de campo, alguns jogadores mostram bom futebol.

Tirando Danny Hay, ex-jogador do Leeds United na época de ouro do time, que ainda contava com Harry Kewell, Rio Ferdinand e outros, Neil Emblen, que também atuou na Premier League, são dois atacantes nascidos nas Ilhas Salomão e que ainda defendem a seleção nacional do país, que chamam atenção.

São eles Commins Menapi e Benjamin Totori – esse último ficou conhecido do público brasileiro por ser o único jogador do Waitakere no Mundial de Clubes de 2007 que fazia algo de produtivo no time, lembrando um pouco o estilo do nigeriano Oba Oba Martins, rápido e (um pouco) habilidoso. Menapi é até hoje o maior artilheiro da história das Ilhas Salomão. Juntos, os dois salomônicos podem ser a arma do time neozelandês para espantar a zebra chamada Kossa, e garantir novamente o título da O-League e a vaga no Mundial para a “alegria” da Fifa.

A entidade máxima do futebol prefere antes ver um time semi-profissional da Nova Zelândia (país desenvolvido) do que uma equipe amadora das Ilhas Salomão (país muito subdesenvolvido) no próximo Mundial de Clubes.

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Equipe Trivela

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