Ásia/Oceania

Buraco sem fundo

A notícia caiu como uma bomba no início do mês: investigações feitas pela K-League, a liga profissional da Coreia do Sul, e por promotores do país começaram a desvendar o maior esquema de manipulação de resultados desde a criação de uma liga profissional no país, em 1983.

Os indícios de que alguma coisa havia de errado começaram no início de maio, quando o goleiro Yoon Ki-Won, que atuava pelo Incheon United, foi encontrado morto em seu próprio carro. A polícia sul-coreana atestou a causa mortis como suicídio, mas não revelou os possíveis motivos do acidente.

Em 30 de maio, mais um jogador se suicidou: Jeong Jong-Gwan, que atuou pelo Jeonbuk Hyundai Motors até 2009. Dentre os pertences de Jeong, um bilhete deixava claro que ele estava envolvido em um esquema de apostas ilegais para arranjar resultados em jogos da K-League.

A investigação foi só ampliando. No mês passado, nada menos que dez jogadores foram banidos para sempre do futebol pela KFA, a federação sul-coreana. Oito deles eram contratados do Daejeon Citizen. Além disso, os banidos podem pegar até sete anos de cadeia. Outro jogador foi suspenso por cinco temporadas.

Na semana passada, Choi Sung-Kuk, jogador do Suwon Samsung Bluewings, também confessou estar envolvido no esquema. Choi, de 28 anos, defende a seleção nacional desde as categorias de base, tendo participado das Olimpíadas de 2004, em Atenas; e da Copa da Ásia em 2007. Ele tem 28 jogos pela seleção principal da Coreia do Sul.

Segundo o assessor de imprensa do Suwon Samsung Bluewings, Choi Sung-Kuk revelou às autoridades que, no ano passado, recebeu uma proposta de apostadores para tentar arrumar resultados de duas partidas da K-League, mas que não teria garantido sua participação no esquema.

À época, Choi defendia o Sangju Sangmu Phoenix, time ligado ao exército sul-coreano, e nas duas partidas supostamente arranjadas, ele ficou no banco em um jogo e no outro, entrou no decorrer do jogo. Três militares que fazem parte do alto-comando da equipe também estão sendo investigados.

A confissão de Choi veio dias depois do goleiro Yeom Dong-Gyun confessar sua participação no esquema. Yeom, de 28 anos, tinha assinado um contrato de três anos com o Jeonbuk Hyundai Motors em janeiro, mas há duas semanas, confessou que aceitou suborno para facilitar a derrota do Chunnam Dragons em um jogo da K-League no ano passado. Com passagem pela seleção olímpica e convocado para a seleção principal em 2008, Yeom Dong-Gyun foi dispensado pelo Jeonbuk e suspenso pela K-League depois da admissão de culpa.

Com o prazo dado pela K-League e pela KFA de até o fim deste mês para que mais jogadores envolvidos com a máfia de manipulação de resultados se manifestem e confessem suas participações, o buraco parece não ter fundo. Nesta terça-feira, o zagueiro Hong Jeong-Ho, de 21 anos, também foi acusado pelos procuradores de participar do esquema.

Hong defende o Jeju United e é, simplesmente, o capitão da seleção sul-coreana que tenta uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem. Segundo um dirigente da K-League, o jogador afirmou que não tem nenhum envolvimento com a máfia de apostas. De qualquer forma, a liga “recomendou” ao clube que mantenha o jogador no banco de reservas ou fora da equipe.

Os procuradores acreditam que Hong Jeong-Ho teve participação na goleada sofrida pelo Jeju United diante do FC Seul, na última temporada, por 5 a 1.

Para tentar evitar que o problema se amplie, o governo sul-coreano entrou no circuito e ameaça com severas punições dirigentes e jogadores das ligas esportivas do país que estiverem envolvidos com corrupção. Já os sites de apostas do país retiraram todos os jogos da K-League por prazo indeterminado.

Enquanto o escândalo toma conta da imprensa sul-coreana, a bola continua a rolar pela K-League, apesar de toda a desconfiança dos torcedores – e sob o olhar atento dos procuradores locais. A competição já está no returno e o Jeonbuk Hyundai Motors lidera, com 35 pontos em 16 jogos. O Pohang Steelers é o segundo colocado, com 30 pontos. No olho do furacão, o Daejeon Citizen é o antepenúltimo colocado, com apenas 15 pontos. Kim Jung-Woo, do Sangju Sangmu Phoenix, é o artilheiro, com 11 gols marcados.

Eliminatórias da Copa: muitos gols na definição da primeira fase

Como eu disse na semana passada, começou a disputa que trará quatro ou cinco seleções da AFC para o Mundial no Brasil. No final de semana, oito confrontos definiram a primeira fase. Nos jogos de ida, seis dos oito mandantes venceram. Destes, quatro conseguiram manter a vantagem e se classificaram.

Em Lahore, no Paquistão, empate sem gols entre o time da casa e Bangladesh, que segue na disputa, já que venceu o primeiro confronto por 3 a 0. O Vietnã aplicou nova goleada em Macau: depois do 6 a 0 na ida, 7 a 1 na volta. Mesmo caso do Nepal, 5 a 0 sobre o Timor Leste, depois de 2 a 1 no primeiro jogo. A Malásia passou para a próxima fase pelo critério do saldo qualificado. Venceu o primeiro jogo sobre Taiwan por 2 a 1, mas perdeu o jogo da volta por 3 a 2.

As Filipinas também garantiram sua vaga, 4 a 0 no Sri Lanka (1 a 1 na ida). A Palestina jogou em casa e empatou com o Afeganistão, 1 a 1, também assegurando vaga. Mianmar fez 2 a 0 na Mongólia em Rangun e reverteu a vantagem do adversário (1 a 0 Mongólia na ida).

Camboja e Laos fizeram o jogo mais emocionante da rodada. No jogo de ida, no Camboja, vitória do time da casa por 4 a 2. Em Vientiane, vitória do Laos pelo mesmo placar. Na prorrogação, Visay Phaphouvanin e Kanlaya Sysomvang fizeram os gols do Laos, classificado para a próxima fase.

A segunda fase acontece nos dias 23 e 28 deste mês, já com a participação de seleções que já participaram de Copas do Mundo, como Emirados Árabes, China, Irã, Kuwait e Arábia Saudita.

Emirados Árabes: mudanças à vista na liga local

Uma reunião no Hotel Intercontinental, em Dubai, nesta quarta-feira define mudanças significativas para a liga profissional dos Emirados Árabes Unidos. Há duas semanas, a Pro League, entidade que comandava o futebol profissional no país, foi extinta pelo governo, em uma decisão que pegou a todos os dirigentes de clubes do país de surpresa.

O comando do futebol local está nas mãos da federação do país, que criou uma comissão para, temporariamente, gerir o campeonato da temporada 2011/12. Algumas mudanças já foram definidas e anunciadas por Saeed Abdul Gaffar Hussain, presidente da comissão. A principal delas: enxugar o calendário.

A temporada 2009/10 começou em 26 de agosto do ano passado e só terminou em 5 de junho deste ano. Com três turnos e uma série de interrupções, o calendário foi alvo de uma série de críticas, a maioria delas, direcionadas pelos técnicos estrangeiros, dentre os quais, Abel Braga, campeão nacional pelo Al-Jazira e hoje no Fluminense.

O sorteio da tabela do campeonato acontece na reunião desta quarta. A proposta para aumentar de 12 para 14 clubes a competição foi recusada, mas a fórmula de disputa mudou para o tradicional campeonato em turno e returno, com pontos corridos. As 22 rodadas serão, inicialmente, disputadas entre o final de setembro e o final de maio.

Outra mudança é a adoção da regra “3+1”, utilizada em quase todos os países filiados à AFC. Esta regra consiste na participação de apenas quatro estrangeiros em jogos da Liga por clube, sendo três de qualquer nacionalidade e um de países-membros da confederação asiática. Com a mudança, o comitê reduziu o limite de inscrição de atletas por clube de 50 para 39 (35 locais e quatro estrangeiros).

O novo calendário tem dois “adversários”: um é a seleção principal, que disputa uma vaga com a Índia para a fase de grupos das eliminatórias da Copa do Mundo nos dias 23 e 28 deste mês. Favorita, a seleção dos Emirados Árabes terá, se confirmar a vaga, seis jogos entre 2 de setembro e 29 de fevereiro do ano que vem.

A seleção sub-23 já está na fase final das eliminatórias para os Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem. O sorteio dos grupos acontece nesta quinta-feira e, assim como a seleção principal, são seis jogos nesta etapa, entre 21 de setembro e 14 de março do ano que vem.

Vale lembrar que a liga dos Emirados Árabes terá como grande atração nesta temporada a presença de Diego Maradona, treinador do Al-Wasl.

J-League: rodada traz lembranças da tragédia

A rodada disputada no final de semana passado pela J-League trouxe inevitáveis lembranças do terremoto e do tsunami de março. Foram feitos os jogos marcados para a segunda rodada, que no calendário original aconteceriam em 13 e 14 de março – a tragédia que abalou o Japão aconteceu no dia 11 daquele mês.

No resultado mais expressivo da rodada, o líder Kashiwa Reysol foi atropelado pelo Cerezo Osaka: 5 a 0, gols de Inui, Rodrigo Pimpão, Martinez, Bando e Kurata. O Reysol ainda lidera, com 28 pontos, mas viu a aproximação do Yokohama F-Marinos, que venceu, de virada, o Kawasaki Frontale por 2 a 1, e chegou a 27 pontos.

Outros dois resultados merecem destaque: a vitória do lanterna Avispa Fukuoka sobre o Ventforet Kofu por 1 a 0, com gol de Yusuke Tanaka, foi a primeira em 14 jogos no campeonato. O time tem agora 4 pontos, nove abaixo do Urawa Reds, primeiro fora da zona do rebaixamento; e a vitória, também por 1 a 0, do Sanfrecce Hiroshima sobre o Omiya Ardija, a única de um visitante na rodada.

Nesta quarta-feira aconteceram dois jogos atrasados, ainda por conta do acerto da tabela, desarrumada no início do campeonato por conta das rodadas adiadas: Montedio Yamagata x Urawa Red Diamonds e Albirex Niigata x Ventforet Kofu.

No fim de semana, o líder Kashiwa Reysol enfrenta o Vegalta Sendai, terceiro colocado, com 25 pontos, e time que menos perdeu no campeonato (apenas uma derrota). Outro jogo interessante coloca frente a frente as duas únicas equipes que estão com uma série de triunfos nas últimas rodadas: Júbilo Iwata (7º lugar, 22 pontos e duas vitórias seguidas) x Yokohama F-Marinos (três vitórias seguidas).

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Equipe Trivela

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