Ásia/Oceania

Brasil no deserto

Desde a primeira leva de técnicos do Brasil que aterrissaram no Golfo, atraídos por contratos megalomaníacos numa época onde o profissionalismo ainda estava surgindo no Oriente Médio, sempre houve brasileiros trabalhando na região. Mas agora, a quantidade é absurda.

O futebol árabe teve forte influência estilística brasileira desde os anos 70. Hoje, observa-se um jogo essencialmente pausado, de toque curto, apoiado, e temperado com dribles – alterando drasticamente a velocidade nos últimos metros do campo. A contribuição do futebol pentacampeão mundial para se chegar ao atual estágio é incontestável.

Olhando para o banco de reservas das principais equipes de ligas conceituadas no mundo árabe como do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos, impressiona a quantidade de profissionais tupiniquins.

Nos Emirados Árabes, onde o primeiro treinador brazuca foi Danilo Alves, que em 1979 chegou ao Al Shabab (não confundir com o homônimo saudita), voltou a apostar expressivamente em técnicos oriundos do nosso país. Ainda mais depois de Zé Mário (foto acima) ter levado o Al Wasl ao título nacional na temporada passada.

“Agora estão começando a investir bastante no futebol. Acredito que essa temporada será muito boa com muitos brasileiros” nos contou Zé Mário, em entrevista exclusiva a Trivela.

São 12 clubes que participam da Liga dos Emirados Árabes, a metade é treinada por brasileiros – todos com nível para trabalhar em equipes da Série A do Campeonato Brasileiro (ver quadro abaixo).

O Al Wasl, do próprio Zé Mário, é um exemplo tradicional de sucesso com treinadores do Brasil. Antes dele, os dois primeiros títulos nacionais foram conquistados por Nunes, em 1982 e 83.

Qualquer torcedor mais antigo também se lembra do fantástico Al Nasr dos anos 80, dirigido por Sebastião Lapola, e claro, da participação da seleção do país na Copa de 90, com Carlos Alberto Parreira no comando.
Não só a parte financeira, mas outros tópicos como tranqüilidade, e insatisfação com a situação do futebol brasileiro, influenciam nas escolhas.

Com a palavra, Zé Mário.

“Gosto deles (árabes) e eles de mim. Respeito e sou respeitado. Faço o que acho bom para o futebol deles e eles me são gratos. Não tenho que me relacionar com empresários ou dirigentes empresários. O futebol no Brasil está um caos. Ou você aceita a situação ou cai fora. Preferi cair fora do que me aviltar”.
Treinadores das equipes da temporada 2007/8 da Liga dos Emirados Árabes Unidos:

Al Wasl – Zé Mário (BRASIL)
Al Ain – Tite (BRASIL)
Al Nasr – Vagner Mancini (BRASIL)
Al Shabab – Toninho Cerezo (BRASIL)
Al Wahda – Ivo Wortmann (BRASIL)
Emirates Club – Pintado (BRASIL)
Al Sharjah – Gerard Van der Lem (Holanda)
Al Shaab – Zlatko Krajnicar (Croácia)
Al Jazeera – Laszlo Boloni (Romênia)
Al Ahli – Youssef Al-Zawawi (Tunísia)

* Os recém promovidos Al Dhafra e Hatta são dirigidos por tunisianos.

A milionária Qatari League: Outro reduto verde e amarelo

Saindo dos Emirados Árabes Unidos, atravessando uma parte do Golfo Pérsico em direção ao norte, entramos no Qatar, igualmente rico e próspero. Neste território de pouco mais de 11 mil quilômetros quadrados nos deparamos com mais uma gama de profissionais brasileiros na milionária Qatari League. Paulo Autuori, no Al Rayyan; Marcos Paquetá, no Al Gharafa; Adilson Luis, no Al Shamal; Zé Paulo, no Al Silyia; Zaluar, no Mesaimeer, entre outros.

Um novo eldorado para os técnicos e preparadores tupiniquins, que há duas décadas possuía uma realidade deplorável, como nos contou o técnico Zaluar na série de entrevistas “No Calor do Qatar”.

“Nas primeiras vezes que estive por aqui (anos 80) os campos eram de grama sintética e os jogadores totalmente amadores. Agora os estádios, campos de treinamento, e materiais são de primeiro mundo e a mentalidade começa a ser mudada. Ainda falta muito, mas posso te dizer que mudou ‘da água pro vinho’ sem dúvida nenhuma” disse.

São quase 60 profissionais brasileiros no país, entre jogadores e membros de comissão técnica, recorde absoluto. São vários os motivos que levaram os excêntricos ‘Sheikhs’ a investir como nunca em nossa matéria-prima. A recente conquista da Copa América (que passou ao vivo lá!), e principalmente o fato de Arábia Saudita e Iraque terem feito a final da Copa da Ásia contando com técnicos canarinhos – Hélio dos Anjos e Jorvan Vieira. Como nos explicou Rúbio Alencar, Preparador Físico do Al Shamal.

“Isto mostra que nós ainda temos muito espaço no Golfo e que devemos sempre aumentar nossos horizontes expandindo nossos conhecimentos para outros centros de futebol”.

Saudi League: Indo contra a corrente

Ao contrário das outras duas principais ligas do Oriente Médio, os sauditas apostaram forte em treinadores europeus. São 8 entre os 12 clubes participantes, novo recorde de técnicos do velho mundo na terra dos ‘filhos do deserto’.

Destaque para o holandês Foeke Booy, que assumiu o Al Nasr com a missão de quebrar o jejum de 14 anos sem o titulo nacional. O ex-treinador do Utrecht adora lapidar jovens talentos como nos revelou, em entrevista, o Preparador Físico brasileiro Alessandro Schonmaker, em outubro do ano passado.

“Foeke Booy sempre deixa claro que, quando dois atletas da mesma posição estão no mesmo nível, ele dará preferência ao mais novo, pois este tem a condição de crescer mais com uma seqüência de jogos” nos relatou naquela ocasião.

Candinho, ex-Portuguesa, era o único brasileiro, mas pediu demissão do atual campeão Al Ittihad alegando problemas familiares. As outras três equipes da Saudi Premier League são dirigidas por um argentino, um egípcio e um tunisiano.

CURTAS

– LIGA DOS CAMPEÕES DA ÁSIA.
Confira os resultados do principal torneio interclubes do continente. Jogos de ida das quartas-de-final.

Seongnam Ilhwa Chunma-COR 2×1 Al Karama-SIR

Urawa Reds Diamonds-JAP 2×1 Jeonbuk Motors-COR

Sepahan-IRA 0x0 Kawasaki Frontale-JAP

Al Wahda-EAU 0x0 Al Hilal-ARA

– AFC CUP
Reúne os clubes campeões nacionais e das copas dos países que a Confederação Asiática de futebol classifica como ‘Nações em desenvolvimento’. É o segundo torneio de clubes mais importante do continente, uma espécie de ‘Copa UEFA’ da Ásia. Tudo leva a crer que pela quarta vez consecutiva um time árabe será campeão.
Confira os resultados dos jogos de ida das quartas-de-final.

Mahindra United (Índia) 1×2 Al Nejmeh (Líbano)

Tampines Rovers (Cingapura) 1×2 Al Faisaly (Jordânia)

Sun Hei (Hong Kong) 0x1 Al Wihdat (Jordânia)

Al Shabab-Ordun (Jordânia) 5×0 Singapore Armed Forces (Cingapura)

– LIGA DOS CAMPEÕES ÁRABES
Resultados dos jogos de ida da 1ª Fase.

Moghreb Athletic Tetouan (Marrocos) 0x4 Al Wihdat (Jordânia)

Al Talaba (Iraque) 0x2 USM Alger (Argélia)

Al-Merrikh (Sudão) 2×0 Al Riffa (Bahrein)

ASC Mauritel Móbile (Mauritânia) 1×1 ES Setif (Argélia)

Al Hilal (Sudão) 3×2 Al Majd (Síria)

Sociéte Immobiliére (Djibouti) 0x8 Al Wahda (Arábia Saudita)

Kazma (Kuwait) 0x1 Wydad Casablanca (Marrocos)

Chirazienne (Ilhas Comores) 0x9 Al Najaf (Iraque)

Al Masry (Egito) 0x1 Al Taliya (Síria)

Al Ahli Sana (Iêmen) 0x0 Al Ittihad (Líbia)

Mouloudia Club d´Oran (Omã) 0x1 Al Arabi (Kuwait)

Al Ansar (Líbano) 1×1 El Jaish (Egito)

Athletic Bizertin (Tunisia) 1×2 Al Shabab (Arábia Saudita)

Al Oruba (Omã) 0x0 Monastir (Tunisia)

Al Shaab (EAU) 0x2 Al Faisaly (Jordânia)

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo