Ásia/Oceania

Bahrein quer derrubar favoritismo saudita

Quando entrar em campo na manhã deste sábado, dia 5, no Estádio Nacional de Manama, a seleção do Bahrein pode ter a sensação de voltar em uma espécie de túnel do tempo. Pela segunda oportunidade consecutiva, o selecionado nacional tem a oportunidade de se aproximar da Copa do Mundo.

O time comandado pelo tcheco Milan Macala, porém, terá um difícil adversário na luta pela vaga na repescagem contra a Nova Zelândia. Com muito mais tradição, prestígio e status internacional, a seleção da Arábia Saudita vem para esta fase das eliminatórias tentando manter a condição de participante cativo do futebol asiático no Mundial – esteve presente em todas as Copas entre 94 e 2006.

A boa campanha nas Eliminatórias é, também, fruto da reorganização do futebol do Bahrein, cuja Federação foi fundada em 1957, mas que só se filiou à FIFA em 66. Com mais de cinco décadas promovendo campeonatos nacionais, somente a partir da temporada que começa no final deste mês é que haverá uma Liga Profissional, nos moldes das que já são realizadas nos países vizinhos – antes, o regime era semiprofissional. Do campeonato da última temporada, apenas 10 dos 19 clubes se qualificaram para a liga deste ano.

O maior campeão do futebol do país é o Al-Muharraq, da cidade de Muharraq. Base da seleção nacional, o clube tem 31 títulos nacionais e é o atual tetracampeão. O time – que contou, na última temporada, com os brasileiros Juliano de Paula e Rico – tem como ídolo principal Mohamed Salmeen, capitão da equipe e da seleção nacional, que retornou ao clube de origem em 2007, depois de quatro temporadas no Catar. Salmeen, camisa 10 da equipe, é a esperança da torcida na articulação das jogadas.

O ponto alto da campanha do Bahrein nas Eliminatórias foi a defesa. Na primeira fase, venceu a Malásia por 4 a 1. Depois, na terceira fase, classificou-se em segundo em um grupo com Japão, Omã e Tailândia, levando 5 gols em 6 partidas. Na quarta e decisiva fase, em um grupo com os favoritos Austrália e Japão, além de Catar e Uzbequistão, o time de Macala levou 8 gols em 8 partidas. Contra Japão e Austrália, resultados apertados: em Manama, derrotas por 3 a 2 para o Japão e 1 a 0 para a Austrália. Fora de casa, 1 a 0 para o Japão em Saitama e 2 a 0 diante da Austrália em Sydney.

A vaga veio nos confrontos contra Catar e Uzbequistão. Nestes quatro jogos, o time do Bahrein conseguiu 10 de 12 pontos, sempre jogando atrás e saindo nos contra-ataques. Tanto que as três vitórias foram por 1 a 0; além do empate em 1 a 1 com o Catar em Doha.

Na preparação para os desafios contra a Arábia Saudita, além de uma preparação de quase um mês pela Europa – com direito à jogo-treino contra a Inter de Milão – o Bahrein sediou, no último fim de semana, um torneio com Quênia e Irã. O time venceu a seleção africana por 2 a 1 e bateu o Irã – que ficou em 4º lugar no grupo da Arábia Saudita – por 4 a 2.

Segunda chance
Para boa parte dos torcedores – e por que não dizer, dos jogadores – da seleção do Bahrein, os confrontos contra a Arábia Saudita trazem uma segunda oportunidade de ver o país na Copa. Em 2005, o time passou pelo confronto contra o Uzbequistão no critério de gols marcados fora de casa, depois de dois empates (1-1 em Tashkent e 0-0 em Manama).

Na repescagem, que então era contra o representante da Concacaf, um empate em 1 a 1 contra Trinidad e Tobago, em Port of Spain, deu a esperança aos 35 mil torcedores que lotaram o Estádio Nacional em 16 de novembro de 2005. Um empate sem gols dava a vaga ao time da casa. Porém, um gol de Dennis Lawrence acabou com o sonho do Bahrein em jogar o Mundial, colocando os trinitinos na competição.

Nestes dois jogos contra a Arábia Saudita, os torcedores do Bahrein esperam que as lembranças sejam melhores que as das últimas eliminatórias. Como por exemplo, em 2004, quando a equipe chegou às semifinais da Copa Asiática de Nações e terminou a temporada como a seleção de maior evolução no ranking da FIFA na temporada. Por falar nisso, na última parcial do ranking, o Bahrein está exatamente uma posição abaixo da seleção saudita, que ocupa hoje o 64º lugar.

Do outro lado, a seleção da Arábia Saudita, comandada pelo português José Peseiro, também faz seus preparativos para os confrontos contra o Bahrein. Nesta terça-feira, venceu a Malásia por 2 a 1, jogando em Riyad. Nesta quarta-feira, as duas seleções voltam a se enfrentar. A nota ruim do jogo foi a lesão sofrida pelo atacante Naif Hazazi, do Al Ittihad, que teve ruptura parcial do ligamento cruzado do joelho direito. Hazazi deve ficar, pelo menos, seis meses longe dos campos.

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Equipe Trivela

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