Austrália acredita em sua qualidade e o futuro é animador
Passaram-se oito anos da mudança da Austrália do futebol da Oceania para o da Ásia, em 2007. Com quase uma década numa categoria bem superior, os australianos alcançaram o topo do continente. Não só em nível de seleções, como no que tange aos clubes. A igualdade de 2 a 2 diante da Alemanha, nesta semana, depois de virar o jogo em dez minutos e sofrer o empate apenas aos 36 do segundo tempo, é apenas um detalhe.
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O embate contra os alemães foi um amistoso, é verdade, mas o adversário tinha em campo o time quase todo titular, com o importante desfalque do goleiro Manuel Neuer. Mas nunca é fácil virar uma partida depois de findar o primeiro tempo perdendo de 1 a 0 para a atual campeã do mundo, nos domínios do adversário e com 47 mil torcedores contra.
O meia Mile Jedinak, capitão da Austrália e jogador do Crystal Palace, foi taxativo: “Acreditamos naquilo que estamos tentando fazer e isso acontece há um ano e meio [não mera coincidência, foi justamente aí que o técnico australiano Ange Postecoglou assumiu a seleção, em outubro de 2013]. Levou um pouco de tempo para assimilarmos, mas todos estão indo na direção certa”, encerrou o atleta de 30 anos e 57 convocações.
Detalhe que a Austrália ainda não teve em campo o atacante Tim Cahill, 35 anos, jogador mais importante do país, o também avançado Robbie Kruse, do Bayer Leverkusen, além do meia Tom Rogic (Celtic), todos lesionados. O meia Mark Bresciano, 35, se aposentou da seleção após a Copa da Ásia 2015.
A média de idade do elenco convocado para os amistosos diante de Alemanha e Macedônia (o jogo será em 30 de março) é de 25,3 anos, num processo de renovação bem feito por Ange Postecoglou, que ainda consegue aproveitar os mais veteranos e mesclar com a juventude. Para se ter uma ideia, novos atletas vêm sendo chamados depois da Copa do Mundo 2014:
Luke de Vere. O zagueiro de 25 anos do Brisbane Roar (Austrália) fez sua estreia na seleção principal no amistoso contra a Alemanha, sendo titular. Ele já jogou nas equipes de base e tem passagem de três anos no futebol sul-coreano.
Tarek Elrich. O zagueiro de 28 anos pertence ao Adelaide United (Ausrália) e ainda não estreou na seleção principal, embora tenha quase 20 partidas pelas equipes de base. Ele só defendeu times australianos, incluindo o Western Sydney.
Chris Ikonomidis. Mais jovem do elenco atual, com 19 anos, o atacante nascido em Sydney chamou a atenção da Atalanta num torneio de base em Manchester, que reúne times do mundo todo. A Lazio o contratou 18 meses depois, fechando vínculo de três anos. O atleta já ficou no banco em três jogos da equipe principal, mas ainda não estreou. Claro, Chris Ikonomidis tem partidas pelas seleções de base da Austrália, mas também não debutou no time principal.
Momento mágico
Mesmo com poucas opções de jogadores se comparado às grandes seleções, Ange Postecoglou vem conseguindo manter o rejuvenescimento do elenco australiano, o que também é possível em razão da qualidade dos times locais e do ganho de experiência internacional dos atletas. Com títulos importantes, o futebol australiano vem crescendo ao longo desses oito anos de mudança para a Ásia.
Copa do Mundo. Antes de 2006, a Austrália só havia jogado o Mundial 1974. A partir do Mundial 2006, os australianos participaram de todas as edições, indo às oitavas de final apenas na segunda vez, em 2006, na eliminação conturbada diante da Itália. Três edições seguidas de Copa do Mundo é algo a ser comemorado na Austrália.
Copa da Ásia. Depois de sucumbir nas quartas de final no torneio continental de 2007, sua estreia, a Austrália foi vice-campeã na Copa da Ásia 2011 e acabou ficando com o título na edição 2015. Atuando em casa, os australianos mostraram força no continente e alcançaram o topo, comprovando que mereciam ganhar.
Liga dos Campeões da Ásia. O Western Sydney se tornou o primeiro time da Austrália e levantar o torneio de clubes mais importante do continente. A campanha foi muito boa, com eliminações de campeão (Guangzhou Evergrande) e vice (FC Seoul) da temporada anterior nas quartas de final e semifinal, respectivamente, além do triunfo sobre o poderoso Al Hilal.
As campanhas acima não são nenhuma coincidência e o empate da Alemanha só aconteceu porque os jogadores da seleção australiana acreditaram que era possível alcançá-lo. Realmente o futebol da Austrália vive sua fase mais esplendorosa. Sabe-se lá o que mais os Socceroos poderão fazer no futuro.



