ÁSIA/OCEANIA: O outro lado da Copa

Quando se pensa em Copa do Mundo, imediatamente a associação feita é com o glamour da fase final. Jogos com estádios quase sempre cheios, as principais seleções do planeta e, eventualmente, uma ou outra zebra tentando incomodar os favoritos. Para a Fifa, no entanto, a competição começa com a bola rolando nas eliminatórias, que começam normalmente três anos antes.
Nesse momento, já há mais de 50 seleções que estão eliminadas do torneio, e 2011 ainda nem terminou. Esta semana, foi dado o pontapé inicial para a fase classificatória do zonal que é sempre o “patinho feio” da competição: a Oceania. A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) tem entre seus onze filiados um punhado de países-arquipélagos, com pouca ou nenhuma tradição no futebol. Seu representante mais ilustre, a Austrália, trocou de confederação em 2006 para poder desenvolver melhor seu futebol de seleções e agora disputa – como favorito – uma vaga entre os asiáticos.
A primeira fase das eliminatórias da Oceania está sendo disputada em Apia, capital da Samoa, em um complexo construído com o dinheiro da Fifa e que leva o nome do presidente da entidade, Joseph Blatter. Nesta etapa, as quatro piores seleções no ranking da Fifa em julho deste ano disputam um quadrangular em turno único. O campeão segue na disputa no ano que vem, na segunda fase.
Pelo ranking de julho, Samoa (26 pontos, 189º lugar), Tonga (15, 192ª posição), Ilhas Cook (10, 195º posto) e Samoa Americana (nenhum ponto, 203ª colocação) foram os indicados para o quadrangular, cuja primeira rodada aconteceu na madrugada de terça para quarta-feira. E já no primeiro jogo, um resultado histórico. Samoa Americana, que nunca havia vencido um jogo oficial de competição na história, passou pela seleção de Tonga.
Para se ter ideia da fragilidade da seleção de Samoa Americana, a seleção havia feito cinco partidas em 2011. Perdeu todas, com a inacreditável marca de nenhum gol marcado e 26 sofridos. As derrotas aconteceram em Noumea, na Nova Caledônia, pelos Jogos do Pacífico. Em um grupo de seis seleções, foram derrotas para Tuvalu (4 a 0), Ilhas Salomão (4 a 0), Guam (2 a 0), Nova Caledônia (8 a 0) e Vanuatu (8 a 0).
Nas duas últimas participações em Eliminatórias, Samoa Americana terminou sua campanha com quatro derrotas: 34 gols sofridos em 2006 e 38, em 2010. Antes disso, há pouco mais de dez anos, Samoa Americana já havia entrado na história do futebol internacional por uma goleada histórica.
Em 11 de abril de 2001, a seleção do país enfrentou a Austrália, em partida válida pelas eliminatórias para a Copa de 2002. O jogo foi em Coffs Harbour, na Austrália, e terminou com o inacreditável placar de 31 a 0 em favor dos donos da casa – a maior diferença de gols já registrada em um jogo oficial de competição da Fifa. O atacante Archie Thompson marcou 13 dos 31 gols, e tanto a sua marca quanto a dos Aussies entrou para o Guiness Book, o livro dos recordes.
Por isso, a primeira vitória de Samoa Americana – um arquipélago de apenas 199 km² e pouco mais de 55 mil habitantes, sob controle dos Estados Unidos, nos mesmos moldes de Porto Rico, por exemplo – foi tão celebrada. Imagine o trabalho que deve dar para montar uma seleção de futebol onde o esporte praticamente inexiste (futebol americano, rúgbi e artes marciais como luta-livre e sumô são bem mais populares) e, mesmo com todo o apoio da Fifa, não há praticantes em número suficiente para a realização de um campeonato regular?
Ramin Ott, aos 44 minutos do primeiro tempo; e Shalon Luani, aos 29 do segundo, fizeram 2 a 0 para Samoa Americana. Unaloto Ki Atenoa Feao descontou para Tonga aos 42 minutos da segunda etapa no jogo histórico para o futebol da Oceania.
O documentário “Next Goal Wins” está sendo feito para acompanhar a saga da seleção de Samoa Americana nestas eliminatórias, desde a preparação em Pago Pago, até o torneio em si. A seleção de Samoa Americana, que é dirigida pelo holandês Thomas Rongen, joga nesta quinta à noite contra as Ilhas Cook (que perderam para Samoa na primeira rodada, 3 a 2); e contra Samoa na noite de sábado. Apenas o campeão do quadrangular segue na disputa.
O making off do “Next Goal Wins” pode ser acompanhado por uma fanpage no Facebook ou pelo blog de fotos no Tumblr.
J-League: Kashiwa Reysol perto do título
No fim de semana pode ser definido o campeonato japonês. Com três pontos de vantagem em relação ao Nagoya Grampus, vice-líder, o Kashiwa Reysol, dos brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues pode se sagrar campeão da J-League com uma rodada de antecedência. Para isto, o Reysol, que tem 68 pontos, precisa vencer o Cerezo Osaka no sábado de madrugada, em casa; e torcer por um improvável tropeço do Grampus frente ao já rebaixado Montedio Yamagata.
O Kashiwa Reysol pode chegar a um feito que aqui no Brasil parece improvável – ser campeão da segunda divisão em uma temporada e, no ano seguinte, conquistar o título da primeira divisão. A equipe vem em uma sequência de sete vitórias consecutivas (cinco pela liga e duas na Copa do Imperador) e tem o ataque em grande fase. Leandro Domingues tem 14 gols na temporada, quatro a menos que o australiano Josh Kennedy, do Nagoya Grampus, artilheiro do campeonato. Além dele, Junya Tanaka tem 13 gols e Jorge Wagner, 10. Os três, somados, fizeram mais da metade dos 61 gols do time no campeonato.
Como na J-League o primeiro critério de desempate é o saldo de gols, o Kashiwa Reysol não pode bobear, já que hoje, seu saldo é inferior ao do Nagoya Grampus (21 a 27). Com chances remotas de título, o Gamba Osaka, terceiro colocado com 64 pontos, precisa vencer o Vegalta Sendai e torcer por uma derrota do Reysol para chegar à última rodada ainda sonhando com a conquista.
Na parte de baixo da tabela, o Urawa Red Diamonds garante sua permanência na primeira divisão, rebaixando o Ventforet Kofu, se vencer o Avispa Fukuoka fora de casa. Os Diamonds têm 33 pontos contra 30 do rival, e uma vantagem no saldo de gols praticamente impossível de ser tirada em duas rodadas (16 gols).
K-League: Pohang e Ulsan disputam uma vaga na final
Pohang Steelers e Ulsan Hyundai jogam, na madrugada deste sábado, pelo direito de decidir em dois jogos contra o Jeonbuk Hyundai Motors, o título da K-League, o campeonato sul-coreano. O Ulsan foi o vencedor do playoff envolvendo os quatro clubes entre o terceiro e o sexto colocado da fase regular, enquanto o Pohang, segundo colocado, entrou direto nas semifinais.
Na primeira rodada do playoff, no sábado, o Ulsan Hyundai, sexto colocado na primeira fase, bateu o Seoul FC, terceiro, por 3 a 1, jogando na capital. No domingo, o Suwon Samsung Bluewings (quarto) venceu o Busan I’Park (quinto) por 1 a 0. Na decisão da vaga para a semifinal, na quarta-feira, Suwon e Ulsan empataram em 1 a 1. Nos pênaltis, o Ulsan venceu por 3 a 1.
As finais da liga sul-coreana acontecem nos dias 30 de novembro e 4 de dezembro. Como se qualificou para a semifinal, o Ulsan Hyundai preencheu a última vaga disponível para a Liga dos Campeões da Ásia do ano que vem, representando a Coreia do Sul ao lado do Jeonbuk e do Pohang (dois primeiros colocados na fase regular) e do Seongnam Ilhwa Chunma (campeão da Copa da Coreia do Sul).
Olímpíadas: equilíbrio em busca das vagas
Neste final de semana, acaba o primeiro turno da fase final do torneio que aponta três vagas diretas para os Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem.
No grupo A, a liderança é da Coreia do Sul, com 4 pontos. O time empatou com o Catar, fora de casa, em 1 a 1, na quarta-feira, e joga domingo em casa contra a Arábia Saudita (1 ponto). Omã (3 pontos) x Catar (2 pontos) jogam em Seeb.
Pelo grupo B, três dos quatro jogos realizados terminaram em 0 a 0. Único a vencer (2 a 0 sobre o Iraque na primeira rodada), o Uzbequistão lidera com 4 pontos. No domingo jogam Austrália (2 pontos) x Uzbequistão e Emirados Árabes (2 pontos) x Iraque (1 ponto).
Japão e Síria dividem a liderança do grupo C com 6 pontos e o mesmo saldo de gols. Com um gol marcado a mais, a Síria está à frente. As duas seleções se enfrentam em Tóquio no domingo. Sem ponto ganho, Malásia e Bahrein jogam em Kuala Lumpur. Quem perder está praticamente eliminado.
Além da classificação do campeão de cada um dos grupos, os três segundos colocados ainda têm o direito de disputar em um triangular, em março. O vencedor do triangular vai para a repescagem intercontinental contra um representante africano.
CURTAS
– Demorou, mas Diego Maradona já começou a aprontar nos Emirados Árabes. Depois de mais uma derrota do Al Wasl, clube dirigido por ele, na Copa dos Emirados (1 a 0 para o Al Ain, no sábado), El Pibe reclamou da falta de apoio dos torcedores ao clube.
– Na liga, o Al Wasl é o terceiro colocado, com 7 pontos em quatro rodadas. Na Copa dos Emirados, com seis das dez rodadas da primeira fase já disputadas, o Al Wasl caiu para a quarta colocação no seu grupo, com 9 pontos. Apenas os dois primeiros de cada grupo passam às semifinais.
– Server Djeparov, meia do Al-Shabab, da Arábia Saudita, foi escolhido como Jogador do Ano no continente. O anúncio aconteceu em solenidade em Kuala Lumpur, na Malásia, nesta quarta-feira. É a segunda vez que o jogador uzbeque conquista a honraria – a primeira foi em 2008.
– Na mesma solenidade, o Japão, campeão continental no início do ano, foi apontado como melhor seleção da Ásia em 2011. O clube do ano foi o Al Sadd, do Catar, vencedor da Liga dos Campeões da Ásia.
– Dois jovens talentos chineses foram recrutados pelo Liverpool para suas categorias de base. Long Cheng, de 16 anos, vai para a equipe sub-18 dos Reds. Chen Xiaomao, de 14, vai integrar a equipe sub-15. A informação foi confirmada por Frank McParland, coordenador da Academia de Jovens Talentos do clube inglês.
– McParland destacou o potencial de crescimento dos jogadores, que foram observados por olheiros do Liverpool em um torneio nacional entre cidades, realizado na China no mês passado. Cheng e Xiaomao são os dois primeiros jogadores chineses a integrarem times de base de um clube da Premier League inglesa.



