Ásia/Oceania

Altitude x Atitude

O título acima retratou bem o que foi o jogo entre Austrália e China, pelas Eliminatórias Asiáticas para 2010, no último dia 26, em Kunming, China. Os donos da casa decidiram levar o jogo para aquela cidade visando cansar os australianos. Motivo: a altitude de 1.900 metros. Esse era apenas um dos tantos problemas que os Socceroos enfrentaram na semana que antecedeu o confronto, válido pela 2ª rodada do Grupo 1.

Devido às lesões, o técnico Pim Verbeek não pôde contar com os experientes Brett Emerton, Mile Sterjovski e Tim Cahill, e com os artilheiros Josh Kennedy e Scott McDonald. O holandês teve que se virar com o restante do grupo, com oito jogadores da A-League. No entanto, a bruxa continuou à solta meia hora antes do apito inicial. A notícia era que a estrela da seleção Harry Kewell também estava fora. Simplesmente isso.

O jeito foi entrar em campo no famoso “na base da raça”. No começo, a “tática” deu certo. Tanto que numa dividida, logo aos nove minutos de jogo, fez com que Archie Thompson, adivinha, também se lesionasse. Se com ele em campo o ataque tinha apenas um homem, o próprio Thompson, a entrada de Brett Holman congestionou o meio-campo verde e ouro. Com isso, Mark Bresciano avançou e fez o papel de único atacante. Ou tentou.

Os Socceroos conseguiram levar o bem o jogo. Inclusive tiveram a melhor chance, quando Bresciano, sozinho, chutou em cima do arqueiro chinês. “O empate é bom para nós”, diziam os aussies antes do jogo. Só esqueceram de avisar a China e o árbitro Mohamed Al Saeedi. Numa disputa de bola dentro da área aos 44 minutos do segundo tempo, entre o goleiro Mark Schwarzer e o chinês Bo Qu, o árabe viu pênalti. O 0 x 0 corria risco.

Depois de tudo que tinham passado, antes e durante o confronto, os australianos não acreditavam que o pênalti – inexistente – havia sido marcado. De novo, o “na base da raça” entrou em campo e Schwarzer, de vilão, por ter cometido a penalidade, virou herói ao defender a cobrança com os pés.

Se na chegada de Verbeek os australianos estavam desconfiados, agora são os adversários que devem temê-lo. A Austrália está na liderança do Grupo 1, e em junho tem os quatro jogos restantes da primeira fase. Na China, a atitude levou a melhor sobre a altitude. E se esse espírito continuar, a Austrália dificilmente ficará de fora de sua segunda Copa do Mundo seguida.

Na O-League, o tabu continua…

Se na liga neozelandesa o Waitakere é freguês do Auckland, na principal competição interclubes da Oceania não se pode dizer o mesmo. Na O-League passada, Waitakere e Auckland, no mesmo grupo, a exemplo do que acontece na atual, empataram por 2 a 2 nos dois jogos. Melhor para o Waitakere, que teve o melhor saldo de gols, passou à final e chegou ao Mundial de Clubes, como o próprio Auckland, em 2006.

Nessa temporada, Waitakere e Auckland voltaram a se encontrar, e o empate saiu de cena na primeira partida. Em Auckland, o Waitakere fez 1 a 0 e levou para casa a vantagem do empate na última rodada contra o rival. Mas daí o empate voltou. Voltou para classificar o Waitakere à sua segunda final consecutiva e também manter o tabu.
 

O adversário na final é o Kossa FC, das Ilhas Salomão. A primeira partida será em 26 de abril, e a decisão dia 3 ou 4 de maio. Favorito disparado, o Waitakere pode, e deve, chegar ao Mundial de Clubes da Fifa novamente, pelo segundo ano seguido. Caso contrário, você já imaginou um time das Ilhas Salomão – nada contra – disputando o Mundial? Nem eu.

… e no NZFC, o tabu pode cair

Depois de liderar a liga por praticamente toda a temporada, o tricampeão Auckland City chega à última rodada como terceiro colocado. Menos mal que as três vagas para as finais já estão definidas há algum tempo – Waitakere, Team Wellington e Auckland agora só definem as posições.

E, para apimentar ainda mais o NZ Football Championship, Wellington e Auckland, segundo e terceiro colocados com 47 pontos, se enfrentam na rodada derradeira, em Auckland. Quem respira aliviado é o Waitakere. Com 50 pontos, o time só perde a liderança, e a vaga direta na final, se Wellington ou Auckland vencerem por goleada, e se ele mesmo bobear e perder também com larga diferença de gols para o Otago, penúltimo com 12 pontos. Difícil.
 

Nos dois confrontos anteriores, o Auckland levou a melhor sobre o Wellington: 1 a 1 fora de casa e 2 a 0, em Auckland. Empate ou vitória magra faz com que os dois voltem a se encontrar na Preliminary Final, para definir o adversário do Waitakere na decisão. O segundo colocado da temporada regular – hoje, o Wellington – tem o mando de campo a seu favor. Com o Auckland em má fase, não seria surpresa uma final inédita entre Waitakere e Wellington na Grand Final da liga neozelandesa.
 

Caso o Auckland chegue à decisão, será a quarta vez consecutiva que o time da cidade mais conhecida da Nova Zelândia disputa o título – é o atual tricampeão, em três temporadas disputadas. E o Waitakere pode ter a oportunidade de vingar as derrotas nas finais das temporadas 2004/05 e 2006/07. O tabu continua no país?

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Equipe Trivela

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