Ásia/Oceania

Aaron Mooy se aposenta aos 32 anos, como um símbolo recente do futebol da Austrália

Numa temporada em que fez boa Copa do Mundo e ganhou títulos com o Celtic, Aaron Mooy decidiu encerrar sua trajetória no futebol

Aaron Mooy se firmou como uma das principais figuras da seleção da Austrália nos últimos anos. O meio-campista não atingiu o status de outras estrelas dos Socceroos da geração anterior, mas construiu uma história relevante no futebol. O volante fez seu nome principalmente na Premier League, ao liderar o Huddersfield Town de volta à primeira divisão e também ao passar pelo Brighton. Já pela seleção, Mooy disputou duas Copas do Mundo como protagonista de sua equipe. Na última temporada, além do bom papel no Mundial do Catar, o volante compôs o elenco do Celtic e teve sua importância na conquista do Campeonato Escocês. Até por isso, surpreende o anúncio de sua aposentadoria aos 32 anos. O volante não especificou os motivos de sua decisão.

“Tive a sorte de realizar meu sonho de jogar pela Austrália. Quando criança, começando no futebol, você assiste à seleção na televisão e se imagina lá um dia – ter vivido isso é algo pelo qual sou muito grato. Tive a honra de jogar ao lado de alguns dos melhores futebolistas que a Austrália já produziu, criando amizades para toda a vida ao longo do caminho. Queria agradecer aos meus companheiros, treinadores e funcionários dos bastidores por todo o apoio e orientação durante minha passagem pelos Socceroos. A camaradagem entre o elenco é algo que nunca me esquecerei”, declarou Mooy.

“Esta foi uma decisão extremamente difícil de tomar, mas eu sinto que é o momento certo para que a próxima geração ganhe a oportunidade de experimentar o futebol internacional. Como grupo, fomos capazes de estabelecer um novo sarrafo para os Socceroos pela campanha no Catar e eu acredito que temos talentos surgindo para se desenvolver quando o trabalho começar para 2026”, complementou o meio-campista.

O Celtic ainda esperava contar com Aaron Mooy, mas respeitou a decisão do meio-campista. Novo treinador dos alviverdes, Brendan Rodgers elogiou o australiano publicamente e desejou sorte na sequência de sua caminhada. O meio-campista tinha sido trazido aos Bhoys por Ange Postecoglu, que também o treinou na seleção da Austrália. Apesar da conquista da Tríplice Coroa na Escócia, o volante encerrou a temporada com uma lesão no joelho. Já sua última partida pela seleção foi a eliminação na Copa do Mundo, contra a Argentina.

Destaque da A-League, trocou de times no Grupo City

Nascido em Sydney, Aaron Mooy se mudou à Europa na adolescência para tentar sua carreira como futebolista profissional. O meio-campista passou pelas categorias de base do Bolton Wanderers e ganhou as primeiras chances no St. Mirren, pelo Campeonato Escocês. Foram duas temporadas com os alvinegros, enquanto despontava pela seleção sub-20 da Austrália. A carreira de Mooy, de qualquer maneira, deslanchou após sua volta ao Campeonato Australiano. O meio-campista defendeu o Western Sydney Wanderers por duas temporadas e duas vezes alcançou a decisão da A-League, derrotado em ambas. Sua estreia na seleção principal da Austrália aconteceu no período, em dezembro de 2012.

Mooy ainda não participou da Copa do Mundo de 2014. Neste momento, o volante havia acabado de se transferir ao Melbourne City e consolidou seu nome entre os principais jogadores da A-League. O meio-campista vivia grande fase e era considerado o principal talento em atividade no país. Ainda não disputou a Copa da Ásia de 2015, mas virou nome certo nas convocações de Ange Postecoglu depois disso. A prova máxima de seu reconhecimento veio em 2016, quando assinou com o Manchester City, também proprietário do Melbourne City. O meio-campista nunca atuou pelos mancunianos, mas abriu portas na Inglaterra.

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Herói do Huddersfield na volta à primeira divisão

O auge da carreira de Aaron Mooy aconteceu no Huddersfield Town. O meio-campista se juntou aos Terriers em 2016/17, de início por empréstimo. Foi um dos protagonistas na conquista do acesso à Premier League, encerrando um hiato do clube de 45 anos longe da primeira divisão nacional. Não à toa, o Huddersfield pagou €9,1 milhões para tirá-lo em definitivo do Manchester City. Mooy se estabeleceu como um dos destaques do time nas duas temporadas consecutivas na elite, mas sem evitar o rebaixamento. Esse auge da forma transbordaria também para a seleção da Austrália. Mooy chegou à Copa de 2018 como um dos melhores da equipe e teve boas atuações no torneio. Apesar disso, os Socceroos caíram logo na fase de grupos.

Lesionado, Aaron Mooy não disputou a Copa da Ásia de 2019. E o rebaixamento do Huddersfield em 2018/19 levou o meio-campista a mudar de ares. Levado por empréstimo pelo Brighton em 2019/20, o australiano se firmou como titular absoluto na faixa central das Gaivotas e motivou o clube a pagar €3,3 milhões em sua compra. Todavia, a passagem de Mooy pelo sul da Inglaterra durou apenas uma temporada. O Shanghai Port ofereceu €4,5 milhões pelo volante, que se transferiu ao Campeonato Chinês em 2020. Permaneceu por lá durante duas temporadas, sem grande destaque.

A volta de Aaron Mooy à Europa aconteceu na última temporada. Sem contrato, o meio-campista assinou com o Celtic de graça. O reencontro com Ange Postecoglu auxiliava e o jogador australiano deu sua contribuição às conquistas dos alviverdes. Foram 42 partidas pelo clube, com sete gols e 11 assistências. Não foi titular absoluto, mas reexibiu um bom nível e teve a oportunidade inédita de disputar a Champions League. Graças a isso, chegou bem para a Copa do Mundo de 2022. Mooy esteve presente em todos os minutos da Austrália no Mundial do Catar e deu solidez à cabeça de área. Foi um dos esteios na surpreendente campanha dos Socceroos, comandados por Graham Arnold. Os australianos superaram Dinamarca e Tunísia na fase de grupos, enquanto caíram com honras nas oitavas de final contra a futura campeã Argentina.

Mooy deixa um legado respeitável ao futebol da Austrália

Os números de Aaron Mooy pela seleção da Austrália não são muito dilatados. O meio-campista disputou 57 partidas pelos Socceroos, com sete gols. No entanto, a importância que teve em duas Copas do Mundo aumenta sua visibilidade. Não chega ao status de Tim Cahill, Mark Viduka, Mark Schwarzer, Harry Kewell e outras lendas dos Socceroos nos Mundiais anteriores. Em compensação, o volante se estabeleceu como um dos principais herdeiros da geração mais famosa dos Socceroos. E honrou esse legado, sobretudo pela maneira como o time se superou na Copa do Mundo de 2022.

Mesmo no exterior, Mooy deixa sua marca. Também não chegou à importância de outros jogadores australianos na Premier League. Mesmo assim, escreveu a história de um clube tradicional como o Huddersfield Town. Também será um personagem querido e vencedor na Escócia, mesmo que a estadia no Celtic não tenha durado mais do que uma temporada. Aos 32 anos, Mooy poderia adicionar mais alguns feitos à sua trajetória – especialmente com a Copa da Ásia pela frente dentro de alguns meses. Contudo, pelo que fez até aqui, será lembrado por muito tempo por seus compatriotas apaixonados por futebol.

(Icon Sport)
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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