Ásia/Oceania

A zebra que vem de Amman

Em um balanço das duas primeiras rodadas das eliminatórias asiáticas, é impossível não destacar a campanha da seleção da Jordânia. Com um modesto 92º lugar na última edição do ranking da Fifa, o time não só lidera o grupo A da competição com 6 pontos, como dá um importante passo na luta pela classificação para a fase final das eliminatórias.

Na sexta-feira, jogando em Arbil, no Iraque, a seleção da Jordânia venceu os donos da casa por 2 a 0. Nesta terça-feira, em Amman, diante de 19 mil entusiasmados torcedores, o time comandado pelo iraquiano Adnan Hamad venceu a China por 2 a 1.

Os resultados são importantes não só por se tratarem de confrontos diretos contra as duas principais forças da chave. Contando as 20 seleções que disputam esta fase das eliminatórias, somente a Austrália, no grupo D, conseguiu igualmente dois triunfos nos dois primeiros jogos. Nem mesmo Japão, atual campeão continental; e Coreia do Sul, que teve a melhor campanha na última Copa, conseguiram 6 pontos neste início de caminhada.

A Jordânia não tem muita tradição no futebol asiático. Esta é apenas a sétima vez que o país disputa as eliminatórias para a Copa do Mundo – a primeira delas foi para o Mundial do México em 1986. O país participou apenas de duas edições da Copa da Ásia, em 2004 e em 2011. Da atual seleção, somente cinco jogadores atuam fora do país: dois na Arábia Saudita, dois no Kuwait e um no Iraque. Enfim, está longe de ser um país de primeira grandeza no continente. Mesmo assim, com dois resultados expressivos – sendo um deles, fora de casa – os jordanianos podem sonhar em, pelo menos, participar da próxima fase das eliminatórias, o que por si só, já seria um grande feito.

No grupo A, China e Iraque estão com 3 pontos e saldo zerado. A China marcou um gol a mais e está na segunda posição. Os dois confrontos entre os dois países, nas próximas rodadas (dia 11 de outubro, na China; e 11 de novembro, no Iraque) praticamente definem o classificado para a próxima fase, uma vez que, pela lógica, a Jordânia deva vencer Cingapura tanto em Amman quanto em Cingapura.

Nos outros grupos, alguns tropeços dos favoritos, mas nenhuma surpresa. No grupo B, Coreia do Sul e Kuwait empataram na terça-feira (1 a 1) e somam 4 pontos. O Líbano vem logo em seguida com 3 pontos e os Emirados Árabes estão na lanterna, sem ponto ganho. Por causa da goleada sobre o Líbano (6 a 0), os sul-coreanos lideram o grupo. Park Chu-Young, recém-contratado pelo Arsenal, marcou quatro dos sete gols da Coreia do Sul nos dois jogos e já é o artilheiro das eliminatórias.

No grupo C, Japão e Uzbequistão empataram em 1 a 1 em Tashkent, na terça-feira, e estão rigorosamente empatados na liderança, com 4 pontos, 2 gols marcados e 1 sofrido. Os japoneses sofreram para vencer a Coreia do Norte na estreia, em Saitama, com 62 mil torcedores empurrando o time. Maya Yoshida fez o gol da vitória por 1 a 0 aos 49 minutos do segundo tempo. Pelo mesmo placar, o Uzbequistão venceu o Tadjiquistão fora de casa. A Coreia do Norte também venceu por 1 a 0 o Tadjiquistão e está com 3 pontos ganhos.

Quem também surpreendeu neste início de eliminatórias foi a Tailândia. O time fez 1 a 0 diante da Austrália em Brisbane com 15 minutos de jogo, levou o gol do empate no segundo tempo e só cedeu a virada em uma falha bizarra da zaga, que deixou Alex Brosque livre para fazer 2 a 1 para os Socceroos aos 41 minutos do segundo tempo. Na segunda rodada, em casa, os tailandeses venceram Omã por 3 a 0 e ocupam o segundo lugar do grupo, com 3 pontos.

A Arábia Saudita, que em tese, seria a segunda força, só tem um ponto. Empatou em 0 a 0 com Omã fora de casa e perdeu em casa para os australianos por 3 a 1. Os dois próximos jogos dos sauditas são contra os tailandeses (o primeiro em Bangkoc e o segundo em Damman) e somente duas vitórias convincentes podem evitar o fiasco de uma eliminação saudita antes da fase final das eliminatórias.

No grupo E, muito equilíbrio, como se esperava. Favorita à classificação, a seleção do Irã venceu a frágil Indonésia em casa (3-0) e empatou com o Catar em Doha (1-1), liderando o grupo pelo saldo de gols. O Bahrein também tem 4 pontos, com um empate em casa contra o Catar (0-0) e apenas 2 a 0 sobre a Indonésia em Jacarta. Com dois empates, o Catar se mantém vivo na disputa e precisa aproveitar os dois confrontos contra a Indonésia para aumentar seu saldo de gols e colocar pressão no perdedor dos duelos entre Irã e Bahrein.

As eliminatórias voltam em 11 de outubro, com o encerramento do primeiro turno desta fase. Em 11 e 15 de novembro, acontecem mais duas rodadas, restando apenas a definição dos classificados para o ano que vem, em rodada marcada para a insólita data de 29 de fevereiro.

J-League: Kashiwa Reysol x Nagoya Grampus fazem confronto vital

De volta às atividades depois da parada para as datas-Fifa, a J-League tem no final de semana a sua 25ª rodada de um total de 34. E um confronto chama a atenção: no sábado pela manhã (às 7h no horário de Brasília), Kashiwa Reysol e Nagoya Grampus se enfrentam no Kashiwa Hitachi Stadium. É o jogo mais importante da rodada porque o time da casa está na quarta colocação, com 47 pontos, dois a menos que o visitante, que ocupa o segundo lugar na tabela.

No mesmo horário, o líder Gamba Osaka, que tem 50 pontos, recebe o Omiya Ardija, que com 28 pontos, é o primeiro time fora da zona de classificação, em um confronto teoricamente fácil para o Gamba Osaka, que venceu seus últimos três jogos.

Na terceira posição, também com 47 pontos, o Yokohama F-Marinos joga como visitante contra o Avispa Fukuoka, lanterna do campeonato com 12 pontos e virtualmente rebaixado para a J-League 2.
Ainda no sábado jogam Cerezo Osaka x Sanfrecce Hiroshima, Júbilo Iwata x Shimizu S-Pulse (um dos clássicos de maior rivalidade do país) e Albirex Niigata x Kashima Antlers. No domingo, três jogos fecham a rodada: Urawa Red Diamonds x Montedio Yamagata, Ventforet Kofu x Vegalta Sendai e Kawaski Frontale x Vissel Kobe.

K-League: Jeonbuk Hyundai Motors a um passo da vaga nos playoffs

Na Coreia do Sul, começa nesta sexta-feira a 24ª rodada da fase de classificação da K-League. Líder com 50 pontos, sete a mais que o Pohang Steelers, o Jeonbuk Hyundai Motors pode garantir matematicamente sua classificação para os playoffs a seis rodadas do final desta fase, se vencer o Incheon United, em casa; e no sábado, o Jeju United for derrotado pelo Ulsan.

Invicto há 13 jogos, o Jeonbuk Hyundai Motors tem como objetivo principal manter a liderança, que é sua desde a 11ª rodada, para se classificar de forma direta para a decisão do campeonato, nos dias 30 de novembro e 4 de dezembro. Para quem não sabe, dos 16 clubes que disputam a K-League, os seis mais bem classificados da primeira fase passam para os playoffs, chamados lá de K-League Championship. O primeiro colocado vai direto para a grande decisão; o segundo, espera na semifinal o vencedor de um mata-mata entre os outros quatro classificados entre o terceiro e o sexto colocado. Quem vencer a semifinal joga a decisão do título, em dois jogos, com o segundo jogo na casa do time que ficou na ponta da tabela. Mais vantajoso, impossível.

Campeão no ano passado, o FC Seoul está na terceira colocação, com 42 pontos. Suwon Samsung Bluewings, Chunnam Dragons e Busan I’Park vêm na sequência, todos com 36 pontos, fechando o G-6. Jeju United (35 pontos), Gyeongnam FC (32), Incheon United (30) e Ulsan Hyundai (29) ainda lutam pela classificação.

CURTAS

– A Federação dos Emirados Árabes perdeu a paciência com o esloveno Srecko Katanec. Depois dos problemas de relacionamento com os jogadores, as duas derrotas para Kuwait e Líbano selaram a sorte de Katanec, que foi demitido oficialmente nesta quarta-feira.

– Para o lugar de Srecko Katanec, o nome preferido dos dirigentes dos Emirados Árabes ainda é o de Abel Braga – em que pese o treinador do Fluminense ter recusado oficialmente o convite.
Curiosamente, o último confronto entre Emirados Árabes e Líbano aconteceu em julho, com goleada para os Emirados: 7 a 2. O jogo foi marcado pelo inusitado pênalti cobrado por Theyab Awana, que bateu a penalidade de calcanhar, depois de um giro no momento da cobrança.

– A Indonésia pode não ter muita tradição no futebol internacional, nem fazer boa campanha nas Eliminatórias, mas a torcida não está nem aí. O jogo contra o Bahrein, na terça-feira, levou 85 mil torcedores ao Gelora Bung Karno Stadium, em Jacarta, maior público das eliminatórias até o momento.

– Aliás, os jogadores da seleção da Indonésia podem reclamar de tudo nestas eliminatórias até agora, menos de falta de público em seus jogos. Na estreia, diante do Irã, no estádio Azadi em Teerã, nada menos que 75.800 torcedores viram a vitória dos donos da casa por 3 a 0.

– Diretor do Al-Hilal, da Arábia Saudita, e um dos maiores ídolos do futebol do país em todos os tempos, Sami Al Jaber disse que os jogadores de seu país e de países vizinhos como Kuwait, Emirados Árabes e Catar devem atuar na Europa para se aprimorarem e assim, trazerem benefícios às seleções destes países.

– Para Al Jaber, grande parte do sucesso recente que Coreia do Sul e Japão vêm conseguindo no futebol internacional se deve ao fato de muitos jogadores terem conquistado espaço em várias ligas europeias. “Por aqui, no Golfo Pérsico, estamos olhando somente para nossos pés, não estamos olhando em frente. Temos que nos inspirar no exemplo de sucesso dos países do Extremo Oriente”, afirmou o dirigente, que como jogador, participou de quatro Copas e atuou uma temporada na Inglaterra, defendendo o Wolverhampton.

– Um dos destaques do Seongnam Ilhwa Chunma no Mundial de Clubes da Fifa no ano passado, o zagueiro australiano Sasa Ognenovski está muito próximo de se transferir para o Al-Wahda, dos Emirados Árabes. Sem chances de classificação para os playoffs da K-League, o Seongnam já aceitou liberar o zagueiro de 32 anos.

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Equipe Trivela

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