Ásia/Oceania

A reconquista dos artilheiros brasileiros no Japão

Desde a profissionalização do futebol japonês, em 1992, os jogadores brasileiros tiveram participação ativa no quesito bola na rede. Atletas de renome no cenário nacional ou mesmo desconhecidos do grande público fizeram sucesso na terra do sol nascente, faturando a artilharia da competição.

O pioneiro foi o ex-atacante Will, cria do Atlético Paranaense, que passou cinco anos no país. Com a camisa do Consadole Sapporo, vindo da segunda divisão, o atleta de 39 anos, hoje aposentado, marcou 24 gols, contribuindo para a boa campanha de sua equipe, o 11º lugar, com 34 pontos, sete acima da zona de rebaixamento.

Dois anos depois, os brasileiros dominaram a edição 2003 da J League. Ueslei, revelado pelo Bahia, foi dono de 22 gols defendendo as cores do Nagoya Grampus Eight, com Rodrigo Gral logo atrás, com um a menos – Emerson Sheik fez 18 gols, confirmando a terceira posição geral. O hoje jogador do Corinthians ainda comemorou o topo da artilharia na temporada 2004, em que sete brasileiros estiveram entre os dez melhores marcadores.

Em 2007, a primeira divisão japonesa constatou novamente o amplo domínio tupiniquim: dos 11 artilheiros principais, sete eram brasileiros, sendo que todos estiveram nas primeiras posições. No total, o Brasil forneceu goleadores para o Japão durante seis anos consecutivos (2003-08), mas apenas três puderam comemorar também o troféu nacional.

O primeiro a conseguir a dobradinha título/artilharia foi Araújo, pelo Gamba Osaka, autor de 33 gols na temporada 2005, maior marca de um brasileiro na história do campeonato – no histórico, ele perde para o japonês Masashi Nakayama, que balançou as redes adversárias em 36 oportunidades, em 1998. Washington, o Coração Valente, também deixou sua marca com a camisa do campeão Urawa Red Diamonds, quando anotou 26 gols em 2006, dividindo a artilharia com outro conhecido atacante, Magno Alves.

Por fim, Marquinhos, revelado no futebol parananense e que esteve no Atlético Mineiro em 2011 (apagado, marcou apenas um gol em cinco jogos), é outro que foi artilheiro e campeão nacional na mesma temporada, quando defendia o Kashima Antlers, em 2008 – ele tem outros quatro troféus da J League, em 12 anos de futebol japonês.

Retomada

A partir de 2009, os estrangeiros retomaram o bastão perdido em 2002, e ainda prevalecem como os principais artilheiros. O japonês Ryoichi Maeda, de 31 anos e da seleção principal, ficou no topo da tabela em duas oportunidades (2009 e 2010), sendo que na última dividiu o troféu de artilheiro da temporada com o australiano Joshua Kennedy.

Kennedy, desde 2009 no Nagoya Grampus Eight, também ficou no topo outra vez, em 2011, enquanto o japonês Hisato Sato completa a lista, com 22 gols pelo Sanfreece Hiroshima em 2012, o melhor desempenho desde 2007. Além de perderem o status de artilheiros, os brasileiros foram minguando entre os principais goleadores. Em 2009, Juninho (ex-Bahia) e Edmilson (ex-Palmeiras) estiveram três gols atrás de Maeda, dono de 20. No ano seguinte, Edmilson balançou as redes em 16 oportunidades, uma a menos que os premiados.

Nos dois últimos campeonatos, os japoneses dominaram a tabela de homens-gol, com apenas dois atletas brasileiros num grupo de 11 jogadores. Resta saber se os atacantes tupiniquins terão condições de retomar a hegemonia no quesito bola na rede em 2013. Candidatos não faltam…

As esperanças

Marquinhos (36 anos) e Juninho (35) continuam em seus clubes, os únicos que têm a possibilidade de levar a chuteira de ouro pela segunda vez. Porém, outros brasileiros aparecem com mais possibilidades de balançar as redes adversárias e superar Ryoichi Maeda e Joshua Kennedy. O favorito é Cléverson Gabriel Córdova, o Cléo, naturalizado croata (impedido de jogar na seleção pelas regras da FIFA) e contratado por empréstimo pelo Kashiwa Reysol, junto ao Guangzhou Evergrande (China).

O atleta já marcou dois gols na rodada inaugural do Campeonato Japonês, dividindo a artilharia com outros dois brasileiros, Marquinhos e Quirino, cria do Atlético Mineiro, que defende o Consadole Sapporo. Será que o jejum de quatro temporadas sem artilheiros do Brasil vai acabar?

Curtas

– Após uma rodada, os brasileiros fizeram oito dos 27 gols. Além dos três supracitados, Hugo, revelado pelo Botafogo e ex-Paraná, e Renatinho, cria do Coritiba, anotaram um gol, cada.

– Entre os times que já foram campeões nacionais, o Cerezo Osaka é o que está há mais tempo sem levantar o troféu: 33 anos, desde 1980. O Nagoya Grampus Eight frequenta a elite japonesa por mais tempo de forma consecutiva (desde 1990-91), tendo conquistado apenas um título (2010).

– O único africano a ser atilheiro no Japão atende pelo nome de Patrick M’boma, que defendeu a seleção de Camarões entre 1995-04. Jogador do PSG e de outros clubes, M’boma participou das Copas do Mundo de 1998 e 2002, encerrando a carreira em 2005, no Vissel Kobe (Japão).

– Os brasileiros também se fazem presentes na segunda divisão do Japão. Dos 22 times participantes, apenas sete não contam com a ginga tupiniquim. O destaque vai para o atacante das trancinhas, Kempes, ex-Portuguesa.

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