Ásia/Oceania

A promessa está de pé

 Durante boa parte da preparação para a Copa do Mundo, o técnico da seleção do Japão, Takeshi Okada, declarava toda a confiança em sua equipe. Mesmo depois do sorteio que colocou os “Samurais Azuis” no grupo F, ao lado de Holanda, Dinamarca e Camarões, Okada afirmava que respeitava todos os adversários, sem temer nenhum deles, e que o objetivo japonês no Mundial era o de alcançar as semifinais.

A frase do treinador japonês pareceu uma bravata para a maioria das pessoas. Mesmo considerando que Okada está no comando da equipe há quase três anos, o futebol japonês está apenas em sua quarta participação em mundiais e só teve êxito em 2002, quando co-sediou a competição com a Coreia do Sul. Além disso, os resultados deste ano, antes do início da competição na África do Sul foram muito ruins. O time jogou dez vezes e só conseguiu três vitórias, sendo duas nas eliminatórias para a Copa da Ásia, contra Iêmen e Bahrein; e uma contra Hong Kong, no campeonato do Leste Asiático.

Na reta final da preparação para a Copa, foram quatro derrotas em série, contra Sérvia, Coreia do Sul – em casa, quando Okada chegou a pedir demissão do cargo – , Inglaterra e Costa do Marfim.

Porém, como em uma história de um mangá, a seleção japonesa se apresentou de maneira brilhante no Mundial. O time mostrou consistência tática, alternando entre um 4-5-1 e um 4-4-2, quando preciso; uma linha defensiva muito segura, formada por Yuichi Komano, Tulio Tanaka, Yuchi Nakazawa e Yuto Nagatomo; e tendo Keiskuke Honda em grande forma.

Depois de uma ótima vitória contra Camarões e uma derrota para a forte Holanda, o Japão chegou ao jogo contra a Dinamarca com a vantagem do empate. E aí, além de todos os predicados já demonstrados nos jogos anteriores, a equipe de Okada mostrou mais um: a precisão na bola parada, curiosamente, arma que já tinha beneficiado os rivais sul-coreanos neste mundial.

Cobranças perfeitas de falta de Honda e Yasuhito Endo colocaram o Japão em vantagem confortável no primeiro tempo e fizeram jus à excelente atuação da equipe, que controlou o jogo o tempo inteiro. No segundo tempo, a zaga suportou bem a pressão dinamarquesa, e foi a vez de Eiji Kawashima – que falhou no gol contra a Holanda – aparecer também de forma decisiva, com boas defesas.

Nem mesmo o desastrado pênalti cometido por xxx – e defendido por Kawashima, que deu rebote para Jon Dahl Tomasson marcar o gol da Dinamarca – apavorou os japoneses. Pelo contrário. O time soube se aproveitar do desespero dos escandinavos. Um contra-ataque resumiu a participação japonesa neste Mundial até agora: Honda fez excelente jogada individual depois de arrancar para dentro da área adversária, driblou o marcador de forma desconcertante e podia ter batido para o gol. Porém, o jogador do CSKA Moscou viu Shinji Okazaki livre, com o gol aberto, e deu uma assistência de classe para o companheiro marcar o gol que selou a vitória e a classificação.

O treinador Okada ressaltou, na coletiva, a força do jogo coletivo de sua equipe. “A nossa seleção tem uma força que as outras não têm. Somos realmente unidos. Queríamos mostrar que o futebol é um esporte coletivo. Este era o nosso primeiro objetivo (chegar às oitavas de final), então estou aliviado. Os jogadores seguiram em frente até o final sem perderem o foco. Estou orgulhoso de ser o técnico de um grupo tão incrível.”

Já Honda, eleito pelos internautas o craque do jogo, disse que agora, a partida contra o Paraguai é a mais importante. “Estou feliz por termos vencido, mas não estou satisfeito. Quero mostrar aos japoneses que nada é impossível. Antes da partida, o técnico disse que não deveríamos nos concentrar na defesa e sim no ataque. Isso é o que o treinador nos disse para aumentar a nossa motivação. Foi uma estratégia muito eficaz que nos levou a este maravilhoso resultado.”

O que esperar agora?
Com o segundo lugar no grupo F, o Japão pega o Paraguai, que ficou no primeiro posto do surpreendente grupo E. O adversário é um time que joga ofensivamente, mas que, por preguiça ou conveniência, pouco apresentou contra a Nova Zelândia.

Como se costuma dizer no futebol, os estilos de jogo das duas equipes “se encaixam”. Enquanto o Paraguai pode jogar com três atacantes de bom nível caso seja necessário, o Japão se fecha aproximando suas linhas de marcação e saindo rápido para os contra-ataques, principalmente pelo lado direito. Com a posse de bola, os japoneses mostraram que podem produzir um bom jogo como o que foi apresentado diante da Dinamarca. Será um confronto interessante, e que, no caso de um triunfo nipônico, deixaria Takeshi Okada a apenas uma partida de cumprir sua promessa.

Imprensa e torcida celebram classificação
A imprensa japonesa exaltou a classificação dos Samurais Azuis para as oitavas de final da Copa do Mundo. O “Yomiuri Shimbun” ressaltou a colaboração de jogadores japoneses nas cobranças de falta de Honda e Endo, se colocando na barreira adversária para dificultar a ação do goleiro Sorensen – algo corriqueiro para nós, mas que, pelo visto, não é muito comum no futebol japonês.

“O resto do time tornou o trabalho de Honda e Endo bem mais fácil. Quando Honda bateu a falta, Hasebe estava na barreira dinamarquesa. No gol de Endo, foi a vez de Abe e Nakazawa impedirem a visão da bola pelo goleiro”.

Já o “Sport Nippon” publicou, na manhã desta sexta-feira, uma edição especial, com tiragem de 50 mil exemplares, para celebrar o triunfo da equipe, já que o jogo, disputado na madrugada de sexta-feira no Japão, terminou antes do fechamento da edição normal.

Em Tóquio, milhares de torcedores vararam a madrugada acordados em bares e cafés para acompanhar o jogo. Em Saitama, cerca de 5 mil torcedores foram ao estádio local para assistir no telão a partida.

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Equipe Trivela

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