Ásia/Oceania

A nova geração de técnicos australianos chegou à seleção

Vários nomes foram especulados para o lugar de Holger Osieck. O alemão classificou a seleção australiana para a Copa do Mundo, mas goleadas sofridas para Brasil e França arranharam a confiança da federação. O experiente ex-treinador do Fenerbahçe e do Canadá também falhou na missão de renovar o envelhecido elenco. Em vez de apostar mais uma vez em um estrangeiro – o retorno de Guus Hiddink chegou a ser mencionado -, a escolha foi por dar uma chance ao local Ange Postcoglou. Sintoma da inversão de uma tendência no futebol australiano.

Desde 2005/06, primeira temporada da A League, os técnicos estrangeiros dominaram os títulos e a seleção australiana, que teve o holandês Hiddink e Pim Verbeek no comando, antes de Osieck. Das quatro primeiras temporadas da liga, o australiano Gary van Egmond foi o único local a ter uma taça, pelo Newcastle Jets, clube no qual está até hoje.

Em 2013/14, somente três estrangeiros trabalham na primeira divisão, dentre eles o escocês Ernie Merrick, bicampeão com o Melbourne Victory. A partir de 2010/11, os nativos passaram a dominar os troféus, prova de que estão cumprindo bem com as responsabilidades.

Ernie Merrick, que trabalha no país desde 1979 – com breve pausa para treinar Hong Kong (2011/12) –, pôde observar de perto a evolução dos técnicos australianos. “Aqui há uma grande infraestrutura em prol do desenvolvimento de treinadores. Quando comecei, havia muitos profissionais com contratos de meio-período, mas agora os vínculos são em tempo integral e muitos ex-atletas querem continuar no futebol, como treinadores”, disse em entrevista ao site da Fifa.

A média de idade dos profissionais australianos é de 43 anos, com alguns destaques. John Aloisi, que defendeu Coventry City, Osasuna e Alavés, aos 37 anos, está à frente do Melbourne Heart. Outro que merece menção é Frank Farina, 49 anos, hoje no Sydney de Alessandro Del Piero, mas que acumula 17 anos como treinador. Comandou as seleções da Austrália e da Papua Nova Guiné. Tony Popovic era atleta dos Socceroos no Mundial de 2006 e é o atual vice-campeão nacional, pelo Western Sydney. Graham Arnold só não está na A League porque aceitou contrato no Vegalta Sendai, do Japão.

Postecoglou, porém, ganhou a disputa contra Popovic e Arnold e tem a missão de ir bem na Copa do Mundo de 2014 e na Copa da Ásia do ano seguinte, em casa. Ange é natural de Atenas, na Grécia, mas se mudou para a Austrália aos cinco anos, fazendo sua carreira futebolística no país. Ex-zagueiro do South Melbourne e dos Socceroos (quatro jogos), o profissional de 48 anos acumula trabalhos por três times do país da Oceania, além das seleções sub-17 e sub-20, durante sete anos (2000/07).

Ele tem dois títulos da A League, ambos pelo Brisbane Roar (2010/11 e 2011/12), e mais duas taças da antiga liga nacional, pelo South Melbourne, com o qual também levou o Campeonato de Clubes da Oceania 1999.

A chegada de Ange Postecoglou não significa que a seleção da Austrália terá sucesso nos seus objetivos. O treinador tem que lidar com muitos problemas. O veterano Mark Schwarzer aposentou-se da seleção e a camisa 1 está vaga. O elenco é envelhecido. Jogadores como Brett Emerton, 34, do Sydney, Archie Thompson, 35, do Melbourne Victory, e Mark Bresciano, 33, do Al Gharafa, parecem não ter tantas condições de jogar o Mundial. Lucas Neill, 35, que vem recebendo fortes críticas da imprensa, já avisou que não vai aposentar da seleção, pois “tenho valor neste time”. Os Socceroos têm pouco tempo para se acertarem até a Copa do Mundo.

A League

– A temporada 2013/14 tem a liderança do Brisbane Roar, com 15 pontos, seguido pelo Western Sydney, com 14. O Sydney é quarto, com 12. O atacante australiano Adam Taggart, 20, do Newcastle Jets, é o artilheiro, com seis gols. Henrique, do Brisbane, é o melhor brasileiro no quesito, com três, ao lado de Del Piero.

Prêmios

– A confederação asiática distribuiu as condecorações de 2013. O chinês Zheng Zhi levou o prêmio de melhor jogador e o iraquiano Ali Adnan, de melhor jovem. Choi Yong-Soo, do Seoul, da Coreia do Sul, foi eleito o melhor treinador. Pelo título da Liga dos Campeões da Asia, o Guangzhou Evergrande foi homenageado como o melhor clube. E a seleção iraquiana sub-20, quarta colocada no mundial da categoria, ficou com a honra de ser a melhor seleção. Entre as federações, o prêmio de grande futuro ficou com a paquistanesa e o de melhor desenvolvimento com a jordaniana. A melhor foi a chinesa.

Liga dos Campeões 2014

– A entidade também definiu as vagas de cada país na competição. Arábia Saudita, Irã, Japão e Coreia do Sul terão quatro times no torneio. Emirados Árabes (3 diretas e 1 playoff), Catar (2d e 2p), Uzbequistão (1d e 2p), China (3d e 1p), Austrália (2d e 1p) e Tailândia (1d e 2p) completam a lista. Com uma vaga só nos playoffs estão Índia, Jordânia, Omã, Bahrein, Iraque, Kuwait, Cingapura, Hong Kong e Vietnã.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo