Uma das grandes atrações na Libertadores de 2020 será Emmanuel Adebayor. O centroavante chegou com pompas ao Olimpia e, ao lado de Roque Santa Cruz, servirá de referência aos franjeados em busca de uma boa campanha continental. O Rey de Copas conquistou as quatro últimas edições do Campeonato Paraguaio e tenta reafirmar sua importância além das fronteiras. Por sua trajetória consolidada no futebol europeu, com direito a 97 gols apenas na Premier League, o togolês aumenta o respeito quanto ao potencial dos olimpistas. Aos 36 anos, tentará fazer o seu faro artilheiro também preponderar nos estádios da América do Sul.

Adebayor, no entanto, está distante de ser o primeiro jogador africano a disputar a Libertadores. Quando entrar em campo pelo Olimpia, o togolês será o 27° atleta nascido no continente ou com alguma nacionalidade local a participar da competição da Conmebol. Uma história que começou há quase quatro décadas, com o ganês John Yawson, e se intensificou principalmente na virada do século, quando diversos clubes passaram a recorrer ao mercado africano. Equipes como Caracas, Bolívar, Cerro Porteño, Sporting Cristal e Nacional-URU adotaram a estratégia de maneira recorrente, até que o trânsito desses futebolistas caísse na década passada.

Entre os africanos que jogaram a Libertadores, há até mesmo alguns nomes históricos de suas seleções nacionais, como Thomas N’Kono e Geremi Njitap. Os camaroneses dominam a lista, com 13 representantes no torneio sul-americano, enquanto foram sete os ganeses no certame. Cabo Verde, Quênia, São Tomé e Príncipe, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa completam a relação de países presentes. Togo engrossará esse número através de Adebayor.

Abaixo, apresentamos todos os 26 jogadores africanos que já disputaram a Libertadores. Foram considerados apenas os atletas que entraram em campo – ficando de fora os que integravam os elencos, mas não chegaram a atuar. Além de um breve resumo sobre a passagem de cada futebolista pela América do Sul, também fizemos um apanhado geral da carreira. As informações escassas sobre alguns jogadores, todavia, não permitiram tanta profundidade em alguns casos. Confira a lista completa:

John Yawson, Gana (Peñarol, 1981)

O primeiro africano a disputar a Copa Libertadores foi o ganês John Yawson. Com passagens por Eleven Wise e Hearts of Oak, o meia tinha uma carreira respeitável em seu continente e conquistou a Copa Africana de 1978 pela seleção, além de ser eleito o melhor jogador do país em 1979. Chegou ao Peñarol em 1981, através do presidente Washington Cataldi, que buscou ainda os sul-africanos Ace Knomo e Shaka Ngcobo na mesma época – além do treinador chileno Mario Tuane, que trabalhou por 30 anos na África do Sul e fazia o papel de tradutor. Porém, dos três, apenas Yawson ganhou uma chance na Libertadores. O ponta veloz disputou cinco partidas na edição de 1981, todas pela primeira fase. Inclusive, chegou a participar de dois clássicos contra o Nacional. O ganês ficaria no elenco até dezembro de 1981, saindo meses antes da conquista da Libertadores em 1982.

Custódio Mendes, Cabo Verde (Estudiantes, 1984; Cerro Porteño, 1988)

Nascido em Cabo Verde quando o arquipélago ainda era uma colônia portuguesa, Custódio Mendes emigrou à Argentina com a família aos 11 anos de idade. Jogou na base do Gimnasia de La Plata, antes de se juntar ao Estudiantes. Sua estreia na equipe principal aconteceu em 1981, aos 20 anos. O meio-campista fez parte do elenco pincharrata que faturou o Campeonato Nacional em 1983, pintando na Libertadores de 1984. Esteve presente em três partidas pelo torneio continental, duas delas contra o futuro campeão Independiente. Passou depois por Temperley e Blooming, antes de jogar sua segunda Libertadores em 1988, com a camisa do Cerro Porteño. Foram quatro partidas pelo Ciclón, então treinado por Valdir Espinosa. O cabo-verdiano ainda rodaria por diversas outras equipes sul-americanas, incluindo passagens por Chile e Venezuela.

Ibrahim Salisu, Gana (Caracas, 1993-98)

Nenhum outro jogador africano disputou mais edições da Libertadores do que Ibrahim Salisu, um dos símbolos do Caracas na década de 1990. O ganês atuava no Fortuna Düsseldorf, quando recebeu uma proposta para jogar na Venezuela. Desembarcou nos Rojos em 1991, na época bastante aberto a atletas estrangeiros. Em nove anos de clube, anotou 42 gols em 144 partidas, tornando-se o sétimo maior artilheiro da história da agremiação. A estreia do meia na Libertadores aconteceu em 1993. Já a melhor campanha de Salisu se deu em 1995, quando fez seis gols em oito partidas, ajudando o Caracas a alcançar as oitavas de final. Também anotaria mais dois tentos em 1996, inclusive contra o futuro campeão River Plate, antes de disputar mais um jogo em 1998. Em quatro edições do torneio continental, contabilizou 17 partidas e oito gols. Saiu do Caracas em 2000, aos 35 anos, após conquistar quatro títulos nacionais.

Thomas N’Kono, Camarões (Bolívar, 1995-97)

Adebayor chegou ao Olimpia, mas o jogador africano mais importante a atuar na América do Sul ainda será Thomas N’Kono. O goleiro é uma das maiores figuras da história da seleção camaronesa. Ídolo do Canon Yaoundé, com o qual faturou duas vezes a Champions Africana, ganhou projeção internacional na Copa do Mundo de 1982. Brilhou com os Leões Indomáveis no Mundial da Espanha e, ao final daquele ano, seria eleito pela segunda vez na carreira o melhor futebolista em atividade na África. Transferiu-se ao Espanyol, no qual foi titular por oito temporadas e chegou a uma final de Copa da Uefa. Outro grande momento aconteceu em 1990, novamente essencial ao sucesso de Camarões na Copa do Mundo. Nesta época, virou inspiração a um jovem Gianluigi Buffon, que se encantou com as atuações do goleiro no torneio. N’Kono sairia do Espanyol naquele ano, passando por Sabadell e Hospitalet.

Já em 1995, após ser reserva em sua terceira Copa, N’Kono acabaria contratado pelo Bolívar aos 38 anos. Permaneceu por três temporadas com os celestes, titular na Libertadores em 1995 e 1997. Foram oito partidas na primeira edição, quando os bolivianos terminaram eliminados pelo fortíssimo Palmeiras nas oitavas de final. Em 1997, esteve em campo mais dez vezes, com a queda para o Sporting Cristal nas quartas de final. Duas vezes campeão nacional com o Bolívar, disputou 92 partidas pelo clube e quebrou o recorde de minutos sem sofrer gols pelo Campeonato Boliviano. Após aposentar-se dos gramados, seguiu trabalhando no futebol, como treinador de goleiros da seleção camaronesa e do Espanyol.

Festus Agu, Nigéria (Bolívar, 1995)

Diferentemente de N’Kono, Festus Agu não tinha muito cartaz quando foi contratado pelo Bolívar, aos 19 anos. O atacante nigeriano surgira no Enugu Rangers, de seu país, e até havia tentado se transferir ao Independiente Medellín antes disso. Mal jogou com os celestes, mas pôde figurar em duas partidas pela Libertadores de 1995, saindo do banco em ambos os encontros com o Palmeiras pelas oitavas de final. Depois disso, não vingaria no Compostela, da Espanha. Também defendeu o Ourense, antes de rodar pelas divisões de acesso do Campeonato Alemão, incluindo Fortuna Köln e St. Pauli em seu currículo. De volta à Nigéria, encerrou a carreira no próprio Enugu Rangers.

Mike Osei, Gana (Caracas, 1996)

Depois de Ibrahim Salisu, o Caracas aumentou a presença de jogadores ganeses na Libertadores de 1996. Mike Osei foi quem chegou com maior tarimba. Revelado pelo Asante Kotoko, o meio-campista de 24 anos já tinha atuado no Campeonato Austríaco e também passou brevemente pelo Eintracht Frankfurt. Ficou apenas um ano na Venezuela, mas pôde entrar em campo quatro vezes pela Libertadores, enfrentando inclusive River Plate e San Lorenzo. Voltaria ao futebol alemão depois disso, tornando-se companheiro de Jürgen Klopp no Mainz 05. Também passou pelo Campeonato Turco.

Safiyanu Musah, Gana (Caracas, 1996)

Outro africano no elenco do Caracas em 1996 era o ganês Safiyanu Musah, levado junto com Mike Osei à Venezuela. As informações sobre a carreira do meio-campista são escassas, embora tenha participado de uma partida naquela Libertadores. Saindo do banco, jogou durante 11 minutos na goleada do River Plate por 4 a 1, em noite na qual seus dois compatriotas foram titulares. Deixaria o clube logo depois.

Tobie Mimboé, Camarões (Cerro Porteño, 1996)

Durante a segunda metade dos anos 1990, o Cerro Porteño descobriu a África. Através de empresários, vários jogadores do continente chegaram ao Ciclón. Tobie Mimboé foi uma das primeiras apostas. O defensor de 22 anos (sob acusações de adulteração de idade) já tinha atuado por outros clubes paraguaios menores nas temporadas anteriores, incluindo 12 de Octubre, Atlético Colegiales e Deportivo Recoleta. Ficou alguns meses no Cerro Porteño, o suficiente para disputar a Copa Africana de 1996 e acumular cinco jogos na Libertadores daquele ano, quando os azulgranas caíram nas oitavas de final. Jogaria depois pelo San Lorenzo, antes de passar por Turquia e China. Ainda voltaria à América do Sul, vestindo as cores de Strongest e Sportivo Luqueño.

William Inganga, Quênia (Cerro Porteño, 1996)

O queniano William Inganga foi mais uma aposta africana do Cerro Porteño. Com uma carreira um pouco mais rodada que Mimboé, havia defendido diferentes clubes de seu país, antes de se transferir ao Zamalek. Do Egito, mudou-se ao Paraguai aos 27 anos, para defender o Ciclón. Participou de três partidas na Libertadores de 1996, sempre saindo do banco, e não marcou gols. O atacante ainda teria uma estadia no futebol peruano, vestindo a camisa do Atlético Torino. Também atuou na China e na Índia, antes de se aposentar.

Cyrille Makanaky, Camarões (Barcelona, 1996)

Makanaky é outro jogador famoso na seleção camaronesa que chegou à Libertadores. A maior parte da carreira do meia foi vivida na França. Defendeu Gazélec Ajaccio, Toulon e Lens. Nesta época, começou a ganhar projeção com os Leões Indomáveis. Marcou o gol que classificou o país à final da Copa Africana de 1988 e também foi um dos destaques na caminhada até as quartas de final da Copa do Mundo de 1990. Jogaria depois por Málaga e Villarreal, antes de passar pelo Maccabi Tel Aviv. Tornou-se aposta do Barcelona de Guayaquil em 1994, depois de se ausentar no Mundial daquele ano. Foi campeão equatoriano em 1995, voltou ao Gazélec Ajaccio e ainda teria uma segunda passagem pelo Barcelona. Somou dez partidas pela Libertadores em 1996, quando os Toreros caíram nas quartas de final, e faturou mais um título nacional em 1997. Uma lenda bastante contada no Equador diz que, por uma dívida que a diretoria se recusou a pagar, Makanaky contratou um bruxo para jogar uma maldição sobre o Barcelona. O clube passou 15 anos em jejum no Equatoriano, até a reconquista da liga em 2012.

Prince Amoako, Gana (Sporting Cristal, 1997)

O meia começou no Dawu Youngstars e despontou no Asante Kotoko, um dos principais clubes de Gana, que o levou aos Jogos Olímpicos de 1996. Chegou ao Sporting Cristal em 1997 e tornou-se o primeiro (ainda hoje, o único) jogador africano a disputar uma final de Libertadores. Foram sete aparições durante o torneio continental, todas elas durante os mata-matas, com direito a um gol contra o Bolívar nas quartas de final. Suspenso no primeiro jogo da decisão contra o Cruzeiro, Amoako esteve presente na segunda partida, que consagrou os celestes no Mineirão. Defendeu Deportivo Municipal e Talleres, antes de tentar a sorte na Europa. Jogou por Granada, Nafpaktiakos Asteras e Saturn. Pela seleção, integrou o elenco na Copa Africana de 2002.

Geremi Njitap, Camarões (Cerro Porteño, 1997)

Em 1996, enquanto procurava talentos no futebol africano, o empresário Pedro Aldave topou com dois jovens promissores em Camarões. Para não se arriscar tanto, preferiu levar apenas o mais velho a testes no Cerro Porteño: era Geremi Njitap, então com 18 anos e bom porte físico. O outro prodígio deixado de lado, com 15 anos, se chamava Samuel Eto’o. Apesar da oportunidade desperdiçada com o atacante, Geremi compensou a aposta de Aldave. O lateral / volante levou alguns meses para emplacar na equipe principal do Ciclón, mas atuou em quatro partidas na Libertadores 1997, três delas como titular. Saiu ao futebol turco pouco depois, até assinar com o Real Madrid em 1999. Também defendeu Chelsea, Middlesbrough e Newcastle. Já pela seleção, disputou duas Copas do Mundo e sete Copas Africanas, com dois títulos no torneio continental e o ouro olímpico em Sydney.

Cyrille Bella, Camarões (Cerro Porteño, 1997)

Mais uma aposta do Cerro Porteño, Bella jogava como atacante no Union Douala, antes de ser levado a Assunção em 1997. O atacante de 21 anos figurou em uma partida pela Libertadores de 1997, contra o Oriente Petrolero. Não duraria tanto tempo no Ciclón e desenvolveu sua carreira nas divisões de acesso do Campeonato Alemão, com as passagens mais expressivas por Paderborn e Rot-Weiss Ahlen. Também disputou cinco jogos pela seleção camaronesa.

Dini Kamara, Gana (Nacional-URU, 1997)

Destaque nas seleções de base de Gana, Dini Kamara construiu uma boa reputação em meados dos anos 1990. O ponta conquistou o Mundial Sub-17 em 1995, em final realizada contra o Brasil, e anotou dois gols na campanha. Já em 1997, compôs o elenco semifinalista do Mundial Sub-20. Nesta época, o adolescente já tentava a sorte no Nacional, mas não teve vida longa em Montevidéu. Sua única aparição na Libertadores de 1997 aconteceu durante as oitavas de final, saindo do banco na derrota para o Colo-Colo. Deixou o Bolso pouco depois e não há registros da sequência de sua carreira.

Oyie Flavié, Camarões (Atlético Bucaramanga, 1998)

O atacante surgiu no Diamant Yaoundé e teve sua maior projeção no Kadji Sport Academy, onde foi capitão do jovem Samuel Eto’o. Convocado à seleção camaronesa em 1996, Flavié passou a tentar a sorte no futebol latino-americano. Testou-se primeiro no México e no Equador, até acertar sua transferência ao Junior de Barranquilla em 1997. O camaronês permaneceu por uma década em atividade no futebol colombiano, jogando a Libertadores em 1998, pelo Atlético Bucaramanga. Foram seis aparições no torneio, sem marcar gols. Também vestiria as camisas de diversos outros clubes cafeteros, incluindo Independiente Santa Fe, Deportes Quindío, Deportivo Pasto, Alianza Petrolera, Patriotas, Centauros Villavicencio e Boyacá Chicó. Com cidadania colombiana, o atacante seguiu vivendo no país após se aposentar.

Joseph Annor Aziz, Gana (Sporting Cristal, 1998)

Aziz ganhou projeção no Hearts of Oak, um dos principais clubes de Gana. Depois disso, se aventurou no futebol polonês e defendeu diferentes equipes, incluindo o Legia Varsóvia. Já em 1997, se juntou ao Sporting Cristal, permanecendo alguns meses com os cerveceros. Foram três partidas do atacante pela Libertadores de 1998. Depois disso, transferiu-se ao futebol alemão e atuou por anos nas divisões de acesso, vestindo a camisa de Stuttgarter Kickers, Augsburg e Eintracht Trier. Figurou em 12 partidas pela seleção ganesa.

Abdul Thompson Conteh, Serra Leoa (Monterrey, 1999)

Thompson emigrou aos Estados Unidos ainda na infância e jogou no futebol universitário, embora mantivesse os laços com Serra Leoa, a ponto de disputar a Copa Africana de 1994. O atacante passou pelo futebol da Guiana e fez sucesso no salvadorenho Atlético Marte. Assim, abriu as portas no futebol mexicano, passando por Atlético Mexiquense e Saltillo, antes de assinar com o Monterrey. Entre as preliminares da Libertadores 1999 e a fase de grupos, o centroavante jogou 12 partidas pela competição e anotou três gols. Atuaria depois em Honduras e Nicarágua, antes de disputar a Major League Soccer. Defendeu San Jose Earthquakes e DC United, ganhando ainda um prêmio por seu trabalho humanitário junto à Cruz Vermelha em Serra Leoa.

Pierre Webó, Camarões (Nacional-URU, 2001)

Uma das apostas mais bem-sucedidas desta lista, Webó tinha 17 anos quando foi levado ao Tacuarembó. O destaque no clube do interior uruguaio abriu as portas no Nacional, que contratou o atacante em 2000. E a aposta não demoraria a se pagar. Fluente em três línguas, Webó não demorou a aprender o espanhol, o que facilitou sua adaptação. Disputou três jogos na Libertadores de 2001. Já o ápice aconteceu em 2002, quando anotou quatro gols em seis aparições pela Copa Sul-Americana e terminou como um dos artilheiros na edição inaugural do torneio. Bicampeão uruguaio, transferiu-se ao Osasuna em 2003. Faria sucesso também por Mallorca, Basaksehir e Fenerbahçe. Jogou as Copas de 2010 e 2014 pela seleção camaronesa. Até retornou ao Bolso em 2018, em rápida passagem antes de se aposentar.

Kenneth Nkweta Nju, Camarões (Cerro Porteño, 2001)

Mais um negócio do Cerro Porteño, Nju chegou ao Paraguai com 21 anos. Em sua segunda temporada com o Ciclón, disputou duas partidas pela Libertadores, ambas como titular. O defensor camaronês não emplacou com os azulgranas, mas ainda rodou por um tempo no futebol paraguaio, defendendo também Libertad, 12 de Octubre, Sportivo Luqueño e Sportivo Trinidense. Fundaria tempos depois uma escolinha de futebol em Assunção.

Joseph Akongo, Camarões (Peñarol, 2002)

Akongo chegou ao Peñarol como uma aposta do presidente José Pedro Damiani. Na época, o camaronês vivia em Metz e seu passado no futebol era um tanto quanto obscuro. O atacante chegou a anotar três gols durante um amistoso na pré-temporada e logo ganhou o carinho da torcida. No ápice da empolgação, Damiani chamou o reforço de “novo Spencer”. No entanto, logo ficou claro que faltava capacidade técnica a Akongo. Disputou 11 jogos pelo Campeonato Uruguaio, além de três pela Libertadores em 2002, sempre saindo do banco – e fez um gol contra o El Nacional. Com o contrato encerrado por antecipação após se recusar a jogar no segundo quadro, ainda passou por China e no Peru.

Benoît Angbwa, Camarões (Nacional-URU, 2003-04)

Revelado pelo Montpellier, Angbwa chegou ao Nacional quando tinha 20 anos, em 2002. O lateral direito permaneceu quatro anos no Gran Parque Central, com direito a um empréstimo ao Lille neste intervalo. Pela Libertadores, foram duas edições. Em 2003, chegou a marcar gols contra Racing e Santos. O camaronês fecharia a contagem num maluco 4 a 4 contra o Peixe nas oitavas de final, antes que os santistas avançassem nos pênaltis. Já em 2004, o defensor disputou mais três partidas. Depois que saiu do Uruguai, desenrolou sua carreira na Rússia, com a passagem mais relevante pelo Anzhi.

Alain N’Kong, Camarões (Nacional-URU, 2004)

N’Kong começou no Canon Yaoundé, antes de passar por Portugal e Espanha. Sua primeira experiência no Uruguai aconteceu em 2002, no Villa Española. Já em 2004, retornou ao Paisito para uma curta passagem pelo Nacional. Foram 12 partidas no total com os tricolores, duas delas pela Libertadores, sempre saindo do banco. Depois, seu ápice aconteceu no futebol mexicano, por Atlante e León. Quando jogava no país, garantiu sua convocação à Copa Africana de Nações de 2008 e, com assistência de Eto’o, anotou o gol que levou os Leões Indomáveis à decisão. Aos 40 anos, permanece na ativa na Indonésia.

Jules Ntamak, Camarões (Boyacá Chicó, 2008)

As informações sobre a carreira de Ntamak são escassas. O defensor tinha 27 anos quando disputou a Libertadores pelo Boyacá Chicó. E não que tenha sido das passagens mais relevantes: o camaronês jogou apenas meio tempo do torneio continental em 2008, quando os colombianos foram eliminados nas preliminares pelo Audax Italiano. O atleta deixaria o elenco pouco depois.

Joel, Camarões (Cruzeiro, 2015; Botafogo, 2017)

Joel é o único africano a defender clubes brasileiros na Libertadores. Descoberto por um olheiro em Camarões, o atacante iniciou sua trajetória na base do Iraty, antes de ser levado pelo Londrina. Destacou-se emprestado ao Coritiba em 2014, arranjando um contrato com o Cruzeiro antes da Libertadores de 2015. Disputou cinco jogos pela competição, sempre saindo do banco. Pegou, inclusive, o River Plate nas quartas de final. Emprestado ao Botafogo, também esteve presente em dois jogos dos alvinegros na marcante campanha de 2017. Atualmente o camaronês defende o Marítimo, de Portugal.

Luis Leal, São Tomé e Príncipe (Cerro Porteño, 2016)

Luis Leal nasceu em Portugal e iniciou sua carreira nos clubes locais, mas optou por suas origens em São Tomé e Príncipe para defender a seleção nacional do país africano. Passou por Arábia Saudita, Emirados Árabes, Turquia e Chipre, até ser pinçado pelo Cerro Porteño em 2016, por influência do empresário Pedro Aldave. Foram oito partidas na Libertadores, marcando um gol contra o Cobresal e enfrentando o Corinthians duas vezes – com boas aparições contra os alvinegros. O Ciclón cairia nas oitavas, ante o Boca Juniors. Depois disso, o atacante rumou outra vez à Arábia Saudita, mas voltaria à América do Sul para defender o Newell’s Old Boys. Está em sua terceira temporada com os leprosos.

Hervé Kambou, Costa do Marfim (Zulia, 2017)

Kambou começou na Academia JMG, responsável por revelar diversos destaques da seleção marfinense nos últimos anos. Virou um andarilho da bola ao defender clubes de Tailândia, Bélgica, França e Tunísia, até desembarcar no Peru em 2014. Já a oportunidade na Libertadores aconteceu em 2017, na Venezuela, com a camisa do Zulia. Disputou quatro jogos como titular no torneio, inclusive contra a Chapecoense. De volta ao Peru, fez parte do elenco do Binacional campeão em 2019, antes de se transferir ao Sport Huancayo. Com sua seleção, o defensor participou dos Jogos Olímpicos de 2008.