Sul-Americana

Torcida de rival do Internacional na Sul-Americana faz mobilização contra o racismo

Antes da estreia do clube na Copa Sul-Americana, contra o Internacional, torcida organizada do Belgrano fez campanha contra o racismo e a xenofobia, ressaltando sua identidade popular

Nos últimos anos, inúmeros casos de racismo e xenofobia marcaram jogos das competições da Conmebol, especialmente em duelos entre argentinos e brasileiros. Enquanto as punições dos órgãos que regem o futebol sul-americano são brandas, surge das próprias torcidas a mobilização para que episódios assim não se repitam.

Antes da estreia na Copa Sul-Americana, nesta terça-feira (2), às 19h, contra o Internacional, no Estádio Mário Alberto Kempes, em Córdoba, Los Piratas de Alberdi, torcida organizada do Belgrano, se manifestou nas redes sociais em prol da causa. Em publicação no Instagram, o discurso é de conscientização contra atitudes preconceituosas para com os adversários.

“Aí vem a Copa Sul-Americana! Vamos receber e visitar equipes e torcidas de outros países e culturas. Nós, Los Piratas Celestes de Alberdi, queremos conscientizar e unir todo povo pirata contra o racismo, a xenofobia e todo tipo de discriminação”, diz a abertura da nota.

Além do Internacional, o Belgrano ainda enfrentará, no Grupo C da Copa Sul-Americana, o Delfín, do Equador, e o Real Tomayapo, da Bolívia. Esse último adversário é especial, porque os “Piratas” são atacados pela torcida rival do Talleres como “clube de bolivianos”. Trata-se de agressão racista e xenófoba habitualmente direcionada a clubes com torcida popular na Argentina.

Los Piratas, inclusive, enfatizam esse seu caráter popular e identitário ao pregar respeito aos clubes e torcidas adversárias na competição que se inicia.

“Porque nosso clube é um sentimento popular. Porque Alberdi são os povos originários, imigrantes, estudantes e trabalhadores. Porque vivemos no primeiro território livre da América Latina. Por identidade, história e vizinhança, Los Piratas Celestes de Alberdi dizemos não ao racismo, à xenofobia e a qualquer tipo de discriminação. Demonstremos ao mundo porque somos diferentes e saibam que o carnaval sempre foi nosso”, reiteram.

Torcida do Belgrano fez história na última participação do clube na Copa Sul-Americana

Essa não é a primeira vez que a torcida do Belgrano se destaca positivamente diante de duelos com equipes brasileiras pela Copa Sul-Americana. Em 2016, no primeiro jogo oficial do clube fora da Argentina, quatro mil piratas percorreram dois mil quilômetros para protagonizar linda festa no confronto com o Coritiba, no Couto Pereira, pelas oitavas de final. E foram presenteados com uma vitória por 2 a 1.

— Viemos para ganhar e levar um resultado positivo para definir em Córdoba. Graças a Deus conseguimos e presenteamos o triunfo a toda esta gente, que fez uma viagem quase desumana em dois dias, para que alguns só chegassem em cima da hora e estivessem aqui torcendo por nós. É um marco espetacular. A verdade é que eu não sei quantos clubes levam, a dois mil quilômetros, a quantidade de gente que esteve aqui hoje. Podem contar como quiserem, mas não sei quantos clubes conseguem. E nós só estamos felizes por termos dado o triunfo — se rendeu, à época, o goleiro Juan Carlos Olave, ídolo do clube.

Entretanto, no jogo de volta, em Córdoba, o Belgrano acabou sendo derrotado por 2 a 1 no tempo normal e por 4 a 3 nos pênaltis e deu adeus à Copa Sul-Americana. Oito anos depois, o Pirata volta a disputar a competição, e tem novamente diante de si um clube do sul do Brasil.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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