Sul-Americana

Coudet se irrita com pergunta sobre suposta bagunça tática do Internacional

Após empate em 0 a 0 com o Real Tomayapo, Coudet reconheceu a queda de desempenho nos últimos jogos

O Internacional não foi capaz de balançar as redes do Real Tomayapo, da Bolívia, na noite de quarta-feira (10), no Beira-Rio, e chegou ao quarto empate consecutivo, o segundo na Copa Sul-Americana. Apesar do jogo sofrível apresentado pela sua equipe, principalmente no primeiro tempo, o técnico Eduardo Coudet disse que sua equipe merecia vencer, e que o que faltou, realmente, foi o gol.

Ainda assim, Coudet reconheceu a queda de desempenho nos últimos jogos, e que o Inter teve dificuldades principalmente no primeiro tempo contra o Real Tomayapo. O treinador as atribuiu às trocas que realizou na equipe. O Colorado iniciou com time bastante modificado, sem jogadores importantes como Enner Valencia e Aránguiz, e com nomes como Bustos, Vitão, Renê, Fernando, Maurício e Wanderson no banco de reservas.

— Sinto que não estamos entregando o mesmo. Mas hoje, se você olha para os jogos que gostou, certamente tem seis, sete trocas. Depois, com as trocas, melhorou o time. Mas em algum momento, são jogadores que tem que jogar. Quando tomo essa decisão de dar minutagem para alguns. Temos que voltar a rescer individualmente, essa é a base de qualquer time. É difícil no calendário brasileiro, em que temos quase 80 jogos, o time não ter oscilações. Mas sei que podemos e vamos jogar muito melhor. Merecíamos ganhar, acho que está claro. Hoje não quis entrar. Às vezes falamos de números, batemos 30 vezes. Mas a realidade é que temos que ganhar. Mas sigo convencido de que temos que ter uma forma, e precisamos retomar. Também gosto de ver o time jogando bem. Jogando bem é muito mais fácil ganhar — avaliou.

Coudet diz estar acostumado com a pressão que passa a receber

Diante de muitas vaias durante o jogo, e protesto pacífico da torcida após a partida, a pressão aumenta sobre o técnico Eduardo Coudet. Mas ele garante estar acostumado com isso, pela realidade do futebol brasileiro.

— Conheço muito o futebol brasileiro, a pressão sempre está, sobretudo no treinador. Ano passado ganhei o estadual com o Atlético-MG, e não havia menos pressão depois. A questão é trabalhar, acreditar no trabalho. […] É minha vida conviver com a pressão. Brasil é assim. A média dos treinadores no Brasil é de quatro meses, cinco meses. Na Argentina também é uma montanha-russa de emoções. Há dois, três jogos éramos o melhor do Brasil, estavam falando. Não somos tão ruins. Sabemos que temos que melhorar. Cada vez que liga a televisão, sai um treinador, ou está para sair. É assim — disse.

A entrevista coletiva transcorria dentro do habitual, com Coudet repetitivo em suas respostas. Dessa vez, batia constantemente na tecla de que no primeiro tempo a equipe sentiu as mudanças de peças, que na opinião do treinador precisavam ser feitas para dar minutos para alguns jogadores, e de que no segundo tempo faltou apenas o gol. No final da entrevista, no entanto, o treinador se irritou com um questionamento.

Coudet nega descontrole no vestiário após o empate

O repórter Jairo Winck, do Canal do Baldasso, alegou que o Inter foi bagunçado taticamente na segunda etapa. E disse ter a informação de que Coudet entrou no vestiário descontrolado depois da partida, que teve que ser acalmado e que queria embora. O treinador negou veementemente.

— Às vezes quando falo para o torcedor não consumir… [E porque é difícil. Sabem que não tenho redes sociais. Me contam às vezes. No outro dia falaram que Maurício pediu para sair. Não pediu. Entendo que a informação chega de algum lado, e está bem, vocês transmite. Mas também tenho a possibilidade dizer não, isso não aconteceu. O grupo está bem, não temos problema. Trabalhamos todos os dias, com exigência, e o grupo responde — garantiu Coudet.

Irritado, Coudet alega que só o questionam sobre tática nos insucessos

O treinador subiu o tom de voz para rebater a suposta bagunça tática de seu time. O que incomoda Coudet é que os aspectos táticos são abordados em suas entrevistas apenas quando o Inter perde, e nunca quando ganha.

— Não concordo com uma bagunça tática. Como entrar? Falemos de tática então. Às vezes vejo a televisão. Quando ganhamos jogamos bem, falam muitas vezes que ‘ganhou de maneira natural’. O que é de maneira natural? Porque tudo tem um conceito. Taticamente, quando ganhamos, é de maneira natural. Quando não dá, taticamente é uma cagada, sistema… Como uma bagunça tática? Como vamos entrar? Pelo meio não podíamos entrar. ‘Ah, cruzaram muito’. E como entramos? Como entrar com cinco atrás? Finalizamos o tempo todo, finalizamos de frente ao gol, finalizamos com cruzamento aéreo, com cruzamento por baixo. Tivemos 12 escanteios. Onde está a bagunça tática? — perguntou Coudet.

Em meio à longa resposta, o treinador colorado ainda rebateu uma crítica que recebe com frequência por não abrir mão de seu modelo de jogo e ser pouco flexível e versátil taticamente.

— Aqui o sistema são os jogadores que impõem. Eu me adapto ao que tenho. Normalmente jogava com três internos. Quando estão Wesley ou Wanderson, eles vêm mais por dentro ou mais por fora? As características deles são mais por fora. Nos adaptamos taticamente para aproveitar o que o jogador tem de melhor. Vemos como podemos liberar Alan Patrick. Ou seja, há um trabalho tático — argumentou Coudet.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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