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Novo fracasso do Vélez também conta com méritos do Newell’s

Já são quatro participações consecutivas na Libertadores, sempre prometendo uma boa campanha. Expectativas inevitavelmente frustradas. O Vélez Sarsfield conquistou três campeonatos nacionais nos últimos quatro anos, uma assiduidade incomum na Argentina nos últimos tempos. Porém, parece não se cansar de decepcionar sua torcida na competição continental. Com a derrota por 2 a 1 para o Newell’s Old Boys, mais uma vez, o Fortín cai antes do que seu potencial apontava.

A nova eliminação é tão dolorida quanto as anteriores. Em 2010, liderança do grupo e queda nas oitavas para o Chivas Guadalajara. No ano seguinte, a derrota mais vexatória, ao cair em casa nas semifinais, contra o Peñarol. Já na competição passada, o Santos e os pênaltis barraram os portenhos nas quartas de final. Desta vez, o pior foi ter fraquejado em seus domínios, depois de vencer o jogo de ida, pegando o bilhete azul por conta dos gols que os adversários marcaram no José Amalfitani.

Não é o time mais afinado do Vélez no período, mas tinha credenciais para ir mais longe – e apostava nisso, deixando de lado precocemente a campanha no Campeonato Argentino. Sob o comando de Ricardo Gareca, o Fortín conta com uma equipe sólida, especialmente na defesa. Morreu em dois erros em seu próprio campo, que abriram o caminho para que o Newell’s estabelecesse a vantagem. A partir de então, os portenhos demoraram a reagir e não foram capazes de reverter o placar.

Logicamente, o Newell’s teve seus méritos. E muitos. O projeto dos leprosos vem dando resultados desde o ano passado, com o vice-campeonato do Torneio Inicial. Agora, além da classificação para as quartas de final da Libertadores, também vai rendendo a liderança no Torneio Final, restando seis rodadas para o final do torneio.

À frente do clube de Rosário, Gerardo Martino montou uma equipe bastante incisiva. Conta com a experiência de medalhões como Gabriel Heinze e Maxi Rodríguez. Mais importante, com o talento de alguns bons valores repatriados. Victor Figueroa, que estava perdido na Arábia Saudita, deu um passe magistral para o primeiro gol, de Milton Casco. Antes escondido nos Emirados Árabes Unidos, Ignacio Scocco ressurgiu não apenas para anotar o tento da classificação, mas para se firmar como um dos destaques da Libertadores.

O Newell’s mostrou que é uma força argentina na atualidade e pode alimentar as expectativas de chegar às semifinais, mesmo tendo Boca Juniors ou Corinthians pela frente na próxima fase. Ao Vélez, mais uma vez, resta o direito de assistir do próprio sofá a reta final da competição. Como bem disse o companheiro Ricardo Henriques, o Fortín “decepciona tanto em Libertadores, que qualquer dia desses vai conseguir perder o título de 1994”. E é melhor não duvidar desse potencial de fracassos na América.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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