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O golaço de Thiago Maia foi o tempero em uma estreia agridoce ao Santos

Uma noite feita de antíteses. Um turbilhão de sensações. É difícil manter as opiniões em apenas uma direção após a estreia do Santos na Copa Libertadores. Existem duas faces na moeda. A de um time que apresentou fragilidades, que fez pouco no primeiro tempo, que viu seu goleiro se agigantar nos minutos finais. Por este lado, o empate por 1 a 1 com o Sporting Cristal no Estádio Nacional de Lima acabou de bom tamanho. No entanto, também ficou aquele gosto de que poderia ter sido melhor. De que dava para ter feito mais. Quando o Peixe colocou a cabeça no lugar, durante o segundo tempo, buscou a igualdade e quase a virada. Mas não pode reclamar totalmente da sorte. Dentro de seu paradoxo, o empate fora de casa não é ruim, por mais que seja ruim desperdiçar pontos em um grupo que se promete tão parelho.

O jogo em Lima começou aberto. Um faroeste em que faltavam tiros, mas sobrava vontade de buscar o ataque, diante de defesas desprotegidas. E o velho pistoleiro fez a diferença no saloon logo de cara. É sabido que uma das principais armas do Sporting Cristal são as bolas paradas, que partem dos pés do veteraníssimo Carlos Lobatón. Dito e feito: aos 13, Jorge Cazulo abriu o placar. O zagueiro estava impedido, é verdade, mas em lance difícil de ser notado. E não exime o erro de marcação da defesa alvinegra.

O gol mexeu com o Santos. O Sporting Cristal começou a se postar mais no ataque, enquanto o Peixe tinha dificuldades para construir seus lances ofensivos. Havia problemas na saída de bola, com os pontas pouco funcionando. Já na área dos paulistas, cada bola alçada pelos Cerveceros era uma preocupação. Cléber e David Braz estiveram distantes de transmitir segurança. Demorou para que os santistas respondessem com contundência, só voltando a arriscar pouco antes do intervalo, parando no goleiro Mauricio Viana.

O Santos cresceu no início do segundo tempo. O meio de campo passou a acertar mais as jogadas, com Lucas Lima chamando a responsabilidade. Ricardo Oliveira teve uma brecha para o empate logo nos primeiros minutos, mas não passou por Viana. Além disso, a entrada do estreante Hernández também ajudou o Peixe. Até que o empate saísse aos 21, de maneira magistral. Lucas Lima deu um excelente passe para Thiago Maia, que se projetou ao ataque. O domínio do volante também foi ótimo, antes de emendar para as redes.

Com o tento, o Santos passou a acreditar mais em si. Bruno Henrique entrou em campo, na vaga do apagado Copete. E o faroeste se instaurou de vez. Os santistas eram intensos e iam explorando a velocidade, diante de um adversário cansado. Todavia, o Sporting Cristal também dava os seus avisos. Cléber salvou uma bola em cima da linha, em pane geral. E o goleiro Vladimir seria forçado a fazer dois milagres, em dois arremates de Ortiz. Não que os paulistas tenham se sentido no lucro. Pelo contrário, aos 44, até balançaram as redes. Só que o árbitro marcou falta bem discutível em Viana – embora também existisse impedimento no lance. Por fim, a loucura dos minutos derradeiros não alterou o placar.

Não é a primeira vez que o Santos apresenta dificuldades neste ano. Há deficiências claras a se acertar. Mas o jogo desta quinta também trouxe boas perspectivas. Lucas Lima jogou muito no segundo tempo, Thiago Maia foi um competente auxiliar, Hernández e Bruno Henrique saíram bem do banco. Há uma restruturação em processo. Assim, o empate não soa ruim, ainda que diminua a margem de erro, em um grupo no qual as dificuldades prometem aumentar, com The Strongest e Independiente Santa Fe.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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