O Equador vive noite histórica no Monumental e impõe um vexame custoso à Argentina
A história sempre tem mais de uma versão. A maioria do Monumental de Núñez, por exemplo, viu o vexame nesta quinta-feira. A pressão inútil da Argentina, que resultou logo em um tropeço em casa na estreia das Eliminatórias. O time que teve a bola, mas não soube o que fazer com ela. Que perdeu para um adversário bem mais direto, mesmo não sendo tão letal ao longo dos 90 minutos. Já a minoria deixa Buenos Aires com o peito estufado. O Equador foi capaz de um feito histórico contra a Albiceleste. Eram 40 jogos e mais de 22 anos de invencibilidade dos argentinos no Monumental pelas Eliminatórias. Perderam outra vez para uma surpreendente seleção de amarelo. La Tri não teve um 5 a 0 tão acachapante ou tão vistoso quanto o da Colômbia em 1993, mas celebra também uma das maiores vitórias de sua história.
Assim como o Brasil, a Argentina começou mal nas Eliminatórias, mas em um jogo no qual tinha obrigação de vencer. E, ao contrário do que aconteceu em Santiago, buscou o ataque desde o primeiro minuto. Não dá para dizer que Messi fez falta, no sentido de pressionar os equatorianos. Com Agüero, Di María e Ángel Correa formando a linha de frente, além de Pastore fazendo a ligação, a Albiceleste se portava de maneira ofensiva. Dominava a posse de bola e tentava encontrar espaços na defesa adversária. O que não era tão simples, diante da postura fechada do Equador. A melhor oportunidade do primeiro tempo veio aos 16 minutos, com Domínguez realizando duas grandes defesas e a bola atravessando a pequena área.
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Em compensação, o Equador também dava os seus sustos. A Argentina se punha no campo de ataque, mas permitia muitas brechas às costas de sua zaga. E os contra-ataques gelavam a torcida no Monumental, com Romero precisando sair do gol para salvar. Pior ficou para os anfitriões quando Agüero se lesionou, dando lugar a Tevez. O final da primeira etapa contou com superioridade dos equatorianos. Mesmo com menos posse de bola, o time era mais direto, explorando especialmente as pontas com Antonio Valencia e Miller Bolaños. Faltava caprichar nas finalizações.
Já a volta para o segundo tempo seguiu agônica para a Argentina. O time não conseguia criar espaços, mesmo trocando muitos passes. Mascherano era um dos poucos que aparecia bem, dominando a cabeça de área e ajudando o setor ofensivo. Contudo, o jogo era cômodo para o Equador. Ariscando de longe e buscando as bolas paradas, La Tri aguardava o seu momento. E ele veio a partir de um escanteio, aos 35 minutos. Após desvio no primeiro pau, Erazo completou de peixinho para as redes. Tinha mais. Com a Albiceleste partindo para o desespero, os equatorianos tiveram espaço para matar o jogo no minuto seguinte. Em contra-ataque puxado por Valencia, Caicedo marcou o segundo gol. A história estava feita.
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O Equador nunca tinha havia vencido os argentinos fora de casa, com míseros dois gols marcados. Reverteu o passado da maneira mais emblemática possível. Se nas Eliminatórias da Copa de 2014 os equatorianos não venceram um jogo sequer longe de Quito, com três empates e cinco derrotas, os três pontos em Núñez valem muito para a conta mirando a Rússia. Afinal, por mais que a América do Sul conte com outras seleções mais badaladas, La Tri permanece com um bom time. Tem peças encaixadas, com muita disciplina tática. E alguns nomes para desequilibrar no ataque. Isso porque Enner Valencia, talvez o mais talentoso deles, está lesionado e nem jogou.
A Argentina de Tata Martino, por outro lado, volta a ser questionada. O time tem oscilado grandes atuações com partidas nulas. E, nesta quinta, aconteceu o segundo caso. Messi é um diferencial, é claro, mas seria muito simplista atribuir a derrota à ausência do camisa 10. Afinal, com as alternativas que têm no ataque, os argentinos poderiam ter levado muito mais perigo ao Equador. Pagam os erros com três pontos. E já seguem para uma sequência delicada, visitando Paraguai, Colômbia e Chile, além de pegarem o Brasil na terceira rodada. Esta derrota para os equatorianos pode custar ainda mais nos próximos meses.



