América do Sul

O Equador ficou por um triz, mas tem uma dupla para incomodar nas Eliminatórias

A vitória não adiantou muito ao Equador. O triunfo por 2 a 1 sobre o México deixa La Tri em uma situação delicada na Copa América, dependendo de uma combinação de resultados para conseguir avançar como um dos melhores terceiros colocados. Ainda assim, finalmente os equatorianos puderam demonstrar o seu potencial na competição. E, especialmente, fazer funcionar de maneira plena a dupla que promete manter a seleção no páreo por uma vaga na Copa do Mundo de 2018: Enner Valencia e Miller Bolaños. Em duas combinações dos homens de frente é que o Equador anotou os seus dois gols em Rancagua. A esperança da equipe nacional pelos próximos anos.

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O Equador tinha um plano de jogo muito bem definido na Copa América: se defender bem e tentar agredir nos contra-ataques. Quase deu certo contra o Chile, apesar dos gols sofridos no segundo tempo. E a defesa estragou completamente a estratégia diante da Bolívia, com os três gols sofridos na primeira etapa – por mais que o goleiro Quiñónez tenha evitado o empate na etapa complementar. Contra o México, enfim, a vitória que os equatorianos tanto almejavam. Mas que, pelos tropeços anteriores, tende a ser inútil.

Todos os cinco gols do Equador na primeira fase da Copa América nasceram de Enner Valencia e Bolaños. Os dois principais talentos do quarteto ofensivo que não funcionou totalmente, com Jefferson Montero aquém de seu potencial na ponta esquerda e Fidel Martínez decepcionando na direita – a ponto de perder a posição para Ibarra nesta sexta. Para uma equipe que vive sua reconstrução sob o comando do técnico Gustavo Quinteros, La Tri nem prometia tanto nesta Copa América. Os dois homens na frente, de qualquer forma, demonstraram o quanto a confiança pode ser depositada neles.

Enner Valencia possui um faro de gols impressionante. O senso de posicionamento do atacante do West Ham já tinha ficado bastante em evidência na Copa do Mundo. Vale demais para uma equipe que depende de chances esporádicas. Da mesma forma como Miller Bolaños, um dos destaques da Libertadores de 2015 pelo Emelec, possui grande capacidade nas jogadas individuais, especialmente puxando os contra-ataques. Além de sua boa qualidade técnica, evidente no golaço que anotou na derrota para a Bolívia. Enquanto Bolaños tem quatro gols em sete jogos pela seleção, Valencia soma 14 em 22 partidas. Ótimas médias.

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Nesta sexta, as combinações da dupla foram suficientes ao Equador. Forçando o erro do México, participaram dos dois gols. Aos 26 do primeiro tempo, um chute cruzado de Valencia acabou completado por Bolaños. Que retribuiu o presente no início da segunda etapa, com um bom passe para o artilheiro fuzilar. Os mexicanos até cresceram no jogo depois disso e diminuíram a diferença em um pênalti cobrado por Raúl Jiménez. Nada que evitasse a sua eliminação, dando sobrevida aos equatorianos.

O Equador fecha a fase de grupos com três pontos e dois gols negativos de saldo. Precisa torcer para duas vitórias por pelo menos dois gols de diferença no Grupo C para sobreviver. De qualquer forma, valeu o teste para o objetivo maior que vem aí: as Eliminatórias da Copa. A defesa equatoriana se mostrou bem menos sólida que prometia, e depende de mais trabalho. Mas pelo menos os talentos individuais fazem crer que La Tri consegue ser mais do que a altitude, com potencial para roubar pontos longe da altitude de Quito.

Na campanha rumo à Copa de 2014, o Equador conquistou 22 de seus 25 pontos dentro de casa. Dependeu demais da pressão que o time exerce no Estádio Olímpico Atahualpa. Para 2018, entretanto, o número de vagas para o continente diminui, com o retorno do Brasil à disputa. Será preciso mais. E o ótimo entendimento entre Valencia e Bolaños indica um início, ainda que Gustavo Quintero tenha muito trabalho pela frente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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