América do Sul

A vitória do Peru também foi revanche e volta por cima para Pizarro

Claudio Pizarro pode não ter figurado entre os melhores centroavantes do mundo. Não dá para negar, entretanto, o alto nível da carreira do peruano. O maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga conquistou o respeito no Bayern de Munique e no Werder Bremen. Já em seu país, a idolatria tem motivos. Por mais que a seleção peruana não tenha conquistado grandes feitos no período, já são 16 anos servindo a equipe principal. Para um belo capítulo ser escrito nesta quinta, contra a Venezuela. O que era para ser apenas um jogo da fase de grupos representava bem mais a Pizarro. E anotar o gol da vitória por 1 a 0, pessoalmente, representou uma volta por cima diante do maior drama de sua carreira.

Em 2004, Pizarro era uma das estrelas da seleção peruana que jogava em casa. Logo no segundo jogo, porém, precisou abandonar o torneio. Durante a vitória por 3 a 1 sobre a Venezuela, o centroavante sofreu uma fratura no crânio, após cotovelada desleal de Alejandro Cichero. Precisou passar por uma cirurgia na Alemanha e passou três meses afastado dos gramados. O Peru avançou para as quartas de final, mas perdeu para a Argentina por 1 a 0. A sorte poderia ser diferente se contasse com o goleador, que vivia o melhor momento da carreira, titular do Bayern.

Onze anos depois, Pizarro e o Peru cruzaram com a mesma Venezuela. Não era novidade, diga-se. Os peruanos perderam na visita aos venezuelanos na Copa América de 2007 e, sem o centroavante, deram o troco na decisão do terceiro lugar em 2011. De qualquer forma, o veterano fez questão de ressaltar a importância do reencontro antes de entrar em campo. Um jogo para deixar de uma vez por todas aquela história para trás. De dar a volta por cima e de ter o gosto de revanche.

A mera presença de Pizarro em campo já foi uma novidade. Reserva no time de Ricardo Gareca, o centroavante ganhou uma chance diante da ausência de Jefferson Farfán, com uma crise alérgica. E em uma partida bastante amarrada, fez por merecer sua presença. Em uma bola espirrada dentro da área, chutou forte e garantiu o triunfo no segundo tempo. Mesmo com o irmão de Cichero em campo, Gabriel, preferiu se vingar apenas na bola. O único expulso, aliás, foi um venezuelano: Amorebieta, por um pisão em Guerrero que o árbitro entendeu como intencional.

Aos 36 anos, Pizarro se torna o terceiro jogador mais velho a marcar um gol na história da Copa América, atrás apenas dos lendários Ángel Labruna e Víctor Agustín Ugarte. Sobretudo, mantém vivas as chances do Peru na competição. Com todas as seleções do Grupo C com três pontos, o empate com a Colômbia basta aos peruanos, em caso de vitória de Brasil ou Venezuela no outro jogo. Para que o veterano tenha sobrevida na competição. E possa disputar sua provável última competição oficial pelo país em grande nível.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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