América do Sul

Suárez: ‘Darwin é um dos melhores 9 do mundo, quero ajudar no que for possível’

Luis Suárez falou sobre a emoção de voltar à seleção uruguaia e admitiu que seu papel é de coadjuvante, ainda mais com a fase de Darwin Núñez

Luis Suárez foi a grande novidade na convocação da seleção do Uruguai para a Data Fifa de novembro. O Pistoleiro não era chamado desde a Copa do Mundo e muitos pensavam que sua história com a Celeste tinha se encerrado no Catar. Marcelo Bielsa preferia seguir o trabalho de renovação, mas se rendeu ao craque. A excelente forma do centroavante no Brasileirão com o Grêmio valeu a oportunidade para que, um ano depois, Suárez reaparecesse em campo pelos charruas. Atuou pouco, mas se emocionou.

Suárez viu do banco a excelente vitória do Uruguai sobre a Argentina na Bombonera, por 2 a 0. Até pela maneira como o clássico se desenhou, demandando um trabalho defensivo maior dos uruguaios na reta final, era natural não colocar o artilheiro em campo. Ele ganhou uma chance apenas nos minutos finais contra a Bolívia, com o triunfo por 3 a 0 da Celeste. Pôde apresentar sua fome de gols e buscou deixar sua marca, mas sem sorte. Recebeu o apoio da torcida e o carinho por sua enorme história com a equipe nacional.

Depois da partida, Luis Suárez deixou claro como a reserva não é problema para ele. O veterano se sente lisonjeado em ter a chance de defender o Uruguai mais uma vez. Fez questão de levantar a bola de Darwin Núñez. O centroavante é um dos melhores jogadores das Eliminatórias até o momento e justificou a titularidade na Data Fifa. Anotou o gol que matou o jogo contra a Argentina e guardou mais dois contra a Bolívia. O jovem tem a chance de aprender um pouco mais com o veterano e conviver com ele nos atos finais. Não à toa, os dois deram um abraço carinhoso quando o Pistoleiro entrou em campo contra os bolivianos.

“Tenho à minha frente um dos melhores camisas 9 do mundo, que é Darwin. Temos que aproveitar, porque ele está num momento espetacular. O grupo precisa dele assim, rendendo. O único que preciso fazer é ajudar no que for possível e aplaudi-lo, por aquilo que faz no clube e na seleção. Ele nos deixará bem representados por muitos anos”, comentou o atacante.

Além do mais, Suárez exaltou Darwin pela maneira como auxilia o time de múltiplas formas: “Não podemos comparar. Darwin está dando seus passos e construindo sua carreira. Tomara que ele possa me superar em muitíssimas coisas. Vamos desfrutar o grande Darwin que estamos vendo. Ele tem coisas de Suárez, de Cavani, de Haaland. É uma mescla de tudo: tem gol, compromisso e sacrifício com a equipe. É preciso valorizar isso”.

A sensação de voltar ao Centenário

Luis Suárez sublinhou a emoção de atuar novamente no Estádio Centenário. O atacante não negou que imaginava talvez nunca mais vestir a camisa celeste no local. Viu a chance oferecida por Marcelo Bielsa como um prêmio ao seu trabalho no Grêmio.

“É uma emoção muito linda voltar a jogar aqui no Centenário. Não imaginava que isso aconteceria de novo, pela forma como se deram as circunstâncias dos últimos meses depois da Copa. Essa oportunidade foi um lindo reconhecimento ao esforço. Creio que ganhei a convocação com mérito, trabalho e fazendo as coisas bem. Tento ajudar no que me cabe num grupo espetacular. Estou tentando desfrutar em todos os momentos. Foi um lindo dia por todo o carinho que as pessoas me deram”, analisou.

Perguntado sobre a sensação de ficar apenas no banco contra a Argentina, o Pistoleiro não polemizou: “Não é duro ver do banco. Sou um privilegiado por estar onde estou: na seleção do meu país, com a qual tenho o orgulho de ser o primeiro jogador uruguaio a disputar cinco Eliminatórias. Não é duro. Se tenho esse papel hoje é pela idade e porque tenho um dos melhores 9 do mundo adiante. Foi um 2023 que não esperava, um lindo ano. Viver isso com a seleção e que meus filhos me vejam jogar… Eu tenho que sentir orgulho”.

Sem previsão de adeus

Por fim, Suárez também falou sobre os seus planos com a seleção do Uruguai. Por enquanto, o centroavante não quer estipular uma data para a aposentadoria da Celeste. Não indicou se o último ato será a Copa América ou se buscará mais uma Copa do Mundo. Quer seguir desfrutando.

“O DNA competitivo que tive em toda a minha carreira sempre foi de querer jogar. Hoje estou num papel que me deixa muito feliz, tentando ajudar no que me toca. Haverá Luis enquanto for possível. Enquanto se sinta capacitado de poder ajudar no que for. Temos um treinador que faz um bom trabalho com essa camada jovem, por isso que digo que é preciso desfrutar esse lindo momento”, arrematou.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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