Libertadores

Eliminação precoce é final apropriado para pior campanha do Flamengo em Libertadores desde 2019

O Flamengo teve performance apática na primeira fase, em segundo do Grupo A, achou que venceria o Olimpia com facilidade e foi castigado

Assim como na Copa do Brasil, o Flamengo chegou como atual campeão e favorito à Libertadores. Apesar do poderio financeiro muito superior às outras equipes, o Rubro-Negro acabou fazendo campanha ruim na primeira fase e, com o segundo lugar do Grupo A, decidiu fora nas oitavas de final e o custo foi alto. A eliminação precoce acabou sendo um mau presságio para o que o 2023 do clube ainda poderia se tornar, e a Trivela te ajuda a relembrar.

Estreia dá o tom de campanha apática na primeira fase

Posicionado em grupo formado com a presença de Racing, da Argentina, Aucas, do Equador, e Ñublense, do Chile, o Flamengo era franco favorito à liderança, mas começou a campanha muito mal. Seria uma tônica do Rubro-Negro fora de casa nessa fase de grupos, algo que ainda será falado nessa retrospectiva. É possível afirmar que a estreia foi um verdadeiro desastre.

Ainda com Vítor Pereira no comando e logo depois de ter vencido o primeiro jogo da final do Carioca, o Flamengo viajou ao Equador para enfrentar o Aucas e teve uma das suas piores atuações no ano. O português se preocupou com a decisão e poupou na zaga, fazendo com que Pablo e Rodrigo Caio fossem presas fáceis para o ataque equatoriano. O pior é que o Rubro-Negro ainda saiu na frente, com Matheus França, de biquinho, mas não segurou a pressão.

Castillo empatou em linda jogada e, depois, o grandalhão Ordóñez fez a festa da torcida do Aucas. A derrota na estreia dificultaria o andamento da liderança, mas a classificação nunca foi um susto, muito mais pelo baixo nível dos equatorianos, e da Ñublense, do que por mérito do Flamengo. Talvez a facilidade do grupo tenha sido o grande problema para um Rubro-Negro hierárquico, por mais incrível que pareça.

Flamengo não vence nenhum jogo fora de casa

O restante da primeira fase do Flamengo não foi marcado por grandes emoções, muito pela apatia apresentada fora de casa. O Rubro-Negro até conseguiu se recuperar e vencer a Ñublense no Maracanã, já com Sampaoli no comando, para computar seus primeiros três pontos, mas com a possibilidade de garantir a classificação fora de casa, não foi bem. Empatou com o Racing na Argentina, um resultado que não foi de todo ruim, e também com os chilenos, esse, sim, péssimo para os planos.

Como era cabeça de chave, o Flamengo disputou os dois últimos jogos fora de casa e não decepcionou: duas vitórias diante de argentinos e equatorianos do grupo. O problema foi que, mesmo levando vantagem no confronto direto com o Racing, La Academia foi mais contundente com Ñublense e Aucas, e ficou com a liderança. Sem vencer nenhum duelo longe de seus domínios, o Rubro-Negro foi ao sorteio como segundo colocado, algo que não acontecia desde 2018.

Bruno Henrique marcou um dos gols que sacramentou a classificação do Flamengo às oitavas da Libertadores (Foto: Icon sport)

Naufrágio histórico do Flamengo em Assunção

Quando o sorteio colocou o Flamengo frente a frente com o Olimpia, do Paraguai, muitos acharam que a equipe de Jorge Sampaoli teria vida fácil. Afinal, o Rubro-Negro poderia ter enfrentado outros adversários mais cascudos, como Boca Juniors e Palmeiras, além do arquirrival Fluminense. O problema é que ninguém avisou isso aos paraguaios, que souberam se defender bem no Maracanã e contaram com o apoio da sua torcida para conseguir a classificação.

Bem que o Flamengo martelou, buscou o gol de maneira incessante contra o Olimpia na ida. Teve bola na trave, chute perigosíssimo de Arrascaeta, muitas defesas de González e marcação dos paraguaios em geral. A vitória fez bem ao Rubro-Negro, e a Bruno Henrique, que voltou a decidir, mas a margem mínima parecia ser pouco. Mesmo assim, o clima era de confiança.

Gabigol e Bruno Henrique celebram o gol e a vantagem do Flamengo sobre o Olimpia (Divulgação/Conmebol Libertadores)

Quem assistiu ao jogo no Defensores Del Chaco sabe o tamanho da festa da torcida do Olimpia. Apesar disso, o mosaico, fogos e cantoria dos decanos presente se silenciaram com novo gol de Bruno Henrique, antes dos dez minutos. Tudo parecia correr bem, até que veio o apagão da defesa rubro-negra, e os paraguaios souberam aproveitar. Placar igual com quatro minutos de diferença entre os gols.

O Rubro-Negro até soube segurar o resultado, mas sucumbiu a novos gols de cabeça, com um vilão: Matheus Cunha. Ainda que a defesa do Flamengo estivesse exposta, o segundo gol, marcado pelo capitão Richard Ortiz, contou com pulo atrasado do goleiro. O terceiro estava na cara, mas a eliminação precoce decepcionou muito a torcida. Um ano depois do tri, o clube tinha seu pior resultado na Libertadores desde 2020. 

Ortiz celebra seu gol contra o Flamengo (Foto: Divulgação/Olimpia)

A Libertadores do Flamengo em números

  • 8 jogos
  • 4 vitórias
  • 2 empates
  • 2 derrotas
  • 13 gols marcados
  • 8 gols sofridos

Como o Flamengo chega para a Libertadores de 2024?

O Flamengo será favorito de praticamente todas as competições que disputará em 2024, muito pelo seu poderio financeiro, mas a Libertadores é a que o Rubro-Negro tem menos protagonismo. São muitos times interessantes pela frente, além de uma fase mata-mata que costuma ser traiçoeira. O elenco deve ser melhor que o de 2023, e o técnico também, por isso as expectativas são altas. O clube precisa se provar depois de um fracasso retumbante, que mexeu com as estruturas da equipe no restante do ano.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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