Libertadores

Primeira rodada, primeiro jogo e o primeiro caso de racismo da Libertadores 2024

O caso aconteceu em Flamengo e Millonarios, em Bogotá, quando um torcedor colombiano fez gestos racistas em direção à torcida visitante

O jogo entre Flamengo e Millonarios foi interessante, com reviravoltas e um empate justo no fim, mas, depois do apito final, um episódio triste emergiu. O primeiro caso de racismo na fase de grupos da Libertadores foi registrado quando um torcedor colombiano, vestido com as cores dos donos da casa, imitou um macaco em direção aos rubro-negros.

O primeiro caso de racismo da Libertadores aconteceu na primeira rodada, no primeiro jogo da fase de grupos, justamente quando a entidade prometia tolerância zero. Nenhum dos clubes se manifestou sobre o ocorrido, muito menos a Conmebol.

Como aconteceu?

O Flamengo vencia o jogo por 1 a 0 até os 40 minutos da etapa final, quando o Millonarios empatou com Daniel Ruiz. O gol fez o El Campín, que já balançava desde o primeiro minuto, explodir em festa, mas as celebrações passaram totalmente dos limites com o gestual do torcedor, ainda não identificado. Ele imitou um macaco olhando para a torcida rubro-negra.

O vídeo foi publicado no TikTok e ganhou notoriedade, também, no X (antigo Twitter). Curiosamente, os comentários da publicação apontaram certa conscientização dos torcedores colombianos, que pedem a exclusão do indivíduo do quadro de sócios do Millonarios. Não seria difícil, já que o rosto dele está no vídeo, livre para identificação. Resta saber se vão tomar partido.

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Tolêrancia zero, Domínguez?

Antes do sorteio dos grupos da Copa Libertadores e da sul-americana, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, deu declarações fortes contra o racismo. Segundo o cartola, a entidade máxima da América do Sul defenderá atletas e torcedores.

— Tolerância zero para nós. Essa é uma questão muito importante para nós, que falamos na FIFA, porque não é só os jogadores daqui da América que sofrem com a discriminação. E isso não é só para nós, mas também para jogadores da África, outras partes do continente. A parte daqui é importante. Mas a gente também tem que proteger os nossos jogadores que estão fora do continente — disse.

Casos explodiram desde 2022

A política mais dura da Conmebol, na prática, não tem se sustentado. A multa para casos desde tipo é de 100 mil dólares, para associação ou clube cujo torcedor infringir as regras. Apesar disso, pouquíssimos casos vão realmente a julgamento e recebem as devidas sanções. Os brasileiros, claro, são os mais atingidos.

Um levantamento do “Observatório da Discriminação Racial no Futebol” apontou um aumento exponencial nos casos nos últimos dois anos. Se entre 2014 e 2021 foram 39 registrados, o número foi praticamente igual em 2022 e 2023. Desse total, que fica na casa dos 80, apenas 30 foram julgados e os responsáveis devidamente punidos. Isso só mostra o tamanho do caminho que a Conmebol precisa percorrer.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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