Libertadores

Palmeiras ia transformando um jogo fácil em decepção imensa, mas, no fim, saiu mesmo com a vitória heroica

Atual campeão da Libertadores, o Palmeiras iniciou sua nova caminhada no torneio com vitória. Porém, o triunfo sobre o Universitario no Estádio Monumental não seria dos mais simples – e muito por culpa dos próprios alviverdes. A partida estava nas mãos dos palmeirenses, com amplo domínio no primeiro tempo e uma vantagem de dois gols obtida logo na volta do intervalo. O problema é que poucos minutos bastaram para que os palestrinos desabassem, com uma expulsão questionável, mas também com o empate dos peruanos em lances de desatenção. O time de Abel Ferreira sentia o baque e as alterações não surtiam efeito. Até que, no último lance, veio a euforia agônica pelo gol que definiu o placar de 3 a 2 aos brasileiros. Um resultado que, apesar da montanha-russa de emoções, vale bastante numa chave que promete desafios duros nas próximas rodadas.

O Palmeiras apostou mais uma vez na formação com três zagueiros, permitindo que Gustavo Gómez se soltasse um pouco mais. O meio trazia Danilo, Patrick de Paula e Raphael Veiga. Já na frente, Rony e Luiz Adriano. Apesar da adaptação ao novo sistema, não parecia equipe para sofrer problemas em Lima. E o jogo no primeiro tempo se manteria sob controle dos alviverdes. O time teve o domínio da partida no campo de ataque, sem precisar de muito esforço para abrir o placar. Patrick de Paula já tinha levado perigo num chute cruzado. Já aos 20, a partir de um escanteio, Empereur desviou e Danilo apareceu na pequena área para escorar.

A vantagem não alterou os rumos da partida. Luan parou no goleiro José Carvallo e Rony também ameaçaria pouco depois. O Universitario fazia uma partida bastante limitada, sem oferecer muito no ataque, se concentrando no trabalho defensivo. Acabava acuado pelos palmeirenses, com amplo domínio e chances condizentes à sua superioridade. Danilo quase marcou mais um em chute de longe. E, em meio à insistência, o mais próximo de ampliar antes do intervalo foi novamente Luan, que carimbou o travessão nos acréscimos.

O segundo tempo parecia se abrir ainda mais ao Palmeiras. Afinal, o segundo gol saiu naturalmente aos sete minutos. Luan iniciou a jogada com uma magistral inversão para Rony. O atacante esperou na linha de fundo e rolou, para Raphael Veiga encher o pé de primeira, mesmo pressionado. A partida estava nas mãos dos palmeirenses, que acabaram se retraindo um pouco, com o Universitario saindo ao ataque e buscando as bolas paradas. Então, o jogo se transformaria aos 19, quando Empereur recebeu o segundo amarelo, em decisão questionável da arbitragem sobretudo no primeiro cartão. Como se não bastasse, a partir da falta gerada, os cremas descontaram. Hernán Novick cruzou e Enzo Gutiérrez concluiu de cabeça.

A partir disso, o Palmeiras se perdeu. A sequência tenebrosa da equipe teve um pênalti de Danilo, por toque no braço dentro da área. Enzo Gutiérrez cobrou e decretou o empate. E a virada só não veio por um golpe de sorte, numa saída errada de Weverton, que perdeu o tempo da bola e quase permitiu o terceiro. Além de tomar pressão, a equipe de Abel Ferreira não se encontrou com as mudanças. O técnico botou Renan e Danilo Barbosa no time, tirando Luiz Adriano e Raphael Veiga, antes de mandar a campo também Esteves na sequência. Preferiu manter o sistema defensivo e perdeu capacidade na frente. Só depois vieram Wesley e Gustavo Scarpa, mas os palestrinos demoraram a entrar em sintonia e o jogo permanecia travado.

A reta final do jogo indicava um tom de melancolia ao Palmeiras. Os alviverdes não ofereciam muito na criação, mesmo que as limitações do Universitario fossem evidentes. O tempo se arrastava entre muitas faltas e cartões. Um fio de esperança surgiu nos últimos segundos, quando Luan cruzou e Federico Alonso quase fez besteira, ao cabecear contra o próprio patrimônio e carimbar o travessão. Cedeu um escanteio que, no último suspiro, permitiu a vitória agonizante dos alviverdes. Scarpa cruzou e Renan se antecipou para mandar uma cabeçada firme às redes.

O Palmeiras não sai de Lima satisfeito com a atuação, mas sim com a vitória. Considerando os adversários do grupo, este era um jogo no qual a vitória seria importante, ante dos confrontos diretos contra Defensa y Justicia e Independiente del Valle. Ficam os questionamentos às escolhas de Abel Ferreira e à forma como a equipe desmoronou no segundo tempo. Todavia, fica também a emoção de uma vitória arrancada na unha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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