Libertadores

Abel defende escolhas na eliminação do Palmeiras: ‘Durmo na cama que eu faço’

Durante coletiva, Abel não aceita indagações sobre as escolhas na partida que eliminou o Palmeiras da Libertadores

Parece paradoxal, mas o fato é que quando o Palmeiras perde ou é eliminado de algum torneio, Abel Ferreira costuma estar mais calmo do que quando o time ganha. Dessa vez, ele quase quebrou a escrita e perdeu a calma. Mas soube se segurar.

Assim como era fácil de imaginar, Abel começou a entrevista tendo de responder sobre porque iniciou o jogo que eliminou o Palmeiras da Libertadores com a mesma equipe da partida de La Bombonera.

— Quem é o técnico desse time? Quem é que treina e convive com a equipe todo dia? Então, isso é tudo que eu vou dizer — disse.

Toda resposta de Abel a questionamentos sobre a escalação seguiram a mesma linha de raciocínio.

— Vamos dar sempre a volta na questão: ‘Por que não teve o Endrick na esquerda, por que não teve não sei quem na direita?’. Vamos falar de fatos, da quantidade de chances que nós tivemos. A forma como sofremos o primeiro gol, num ressalto. O jogo tem essa velocidade — afirmou.

— Vamos falar da quantidade de arremates que fizemos na segunda parte e dar mérito ao jogador (Romero). Não vou estar aqui ‘ah, mas se o Endrick tivesse jogado, se o Kevin jogasse na direita… Quero dar parabéns ao Boca e ao Romero. Esse, sim, foi o jogador que fez a diferença para o Palmeiras não estar na final de mais uma Libertadores. Isso são fatos. Todo o resto é “e se, e se, e se” — disse o técnico.

— Não é assim que funciona o meu futebol, da maneira que eu vejo. E eu quero dizer outra coisa: eu durmo na cama que eu faço, não que fazem para mim. Não sei se vocês têm essa expressão aqui. Eu perco e ganho com as minhas ideias, e não com as ideias dos outros — disse.

Mas mesmo quando a pergunta não tinha Endrick como cerne, o próprio Abel voltava a falar do centroavante.

— O Endrick jogou contra o Grêmio, jogou contra o Bragantino, estava preparado hoje para jogar e entrar. Mas nós seguimos o plano. E, desta vez, o nosso plano parou no goleiro do adversário, que, infelizmente, não deixou o plano seguir seu caminho certo e fez a diferença dentro do campo — disse.

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Escalação das Crias da Academia

— Há muita meritocracia desde que cheguei. O Luis (Guilherme) chegou no meio do ano e já está conosco. Kevin chegou no meio do ano e aproveitou a lesão do Dudu para se impor. Tudo que eu faço dentro do clube, tudo, é o melhor com os recursos que eu tenho. Vocês querem, eu entendo, porque devia ter jogado o Endrick, o Luis Guilherme, o Rocha não devia ter jogado, não é assim que funciona.

— Às vezes, eu tento lembrar para vocês. Sabe quem foi o treinador que subiu esses jogadores todos? Sabem quem foi? Fui eu, é isso que eu quero que vocês lembrem. Fui eu que dei a oportunidade para todos esses jogadores, para o Fabinho, para o Jhon John, para o Endrick, Vanderlan, Naves. Deixamos o Kuscevic ir embora para apostar nele. Assumimos os riscos, tudo o que eu faço é em prol do grupo. Tivemos a infelicidade de um jogador como o Dudu, que é diferenciado, se machucar, são circunstâncias do futebol, temos que aceitar, seguir em frente.

Justiça

— Vocês viram ontem, uma equipe (Internacional) teve três oportunidades, é assim que funciona. O futebol é cruel… O futebol às vezes é cruel para nós, às vezes é maravilhoso, como foi ganhar a primeira e a segunda Libertadores.

Orgulho e objetivos

— Tenho um orgulho muito grande de ser treinador dessa equipe, muito grande. E eu entendo que, como hoje não passamos, vamos ser vítimas do nosso sucesso, o sarrafo é desse nível e quando não consegues entregar o que já entregaste. E dizer que nunca se esqueçam da quantidade de jogadores que já valorizamos e todos os títulos que já ganhamos, os objetivos financeiros que já cumprimos esse ano através dos resultados esportivos.

Título Brasileiro

— Não vou alterar aquilo que disse (Botafogo campeão). Conhecendo o futebol brasileiro como eu conheço, conhecendo o futebol sul-americano como eu conheço, nesses três anos, não altero uma vírgula do que eu disse. Tem tudo para ser campeão.

Balanço do ano

— Boa pergunta para fazer no final do ano, quando eu faço minha reflexão pessoal, meu balanço da temporada.  Ainda é cedo para fazer esse balanço que é pessoal, individual ou coletivo. Entramos muito fortes no ano, tivemos alguns contratempos, mas esses contratempos deram oportunidade de estrear, por exemplo, o Kevin, o Luis Guilherme.

— No final do ano, farei meu balanço individual, farei o balanço coletivo, e farei o que eu faço todo fim de ano por onde eu passei e entregar o relatório do que foi o ano, os títulos ganhos e os títulos perdidos. Hoje, saímos de uma competição que queríamos muito, infelizmente estamos fora, dar os parabéns ao Boca. Ganhamos dois títulos, neste ano dificilmente vamos conseguir fazer o que fizemos no ano passado, quando ganhamos três títulos. Mas temos que continuar, esse símbolo (do Palmeiras) nos obriga. E dar os parabéns para a nossa torcida, que nos ajudou, esteve conosco o tempo todo, mas infelizmente não foi possível retribuir o apoio. Hoje não deu para nós.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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