O único gol de D’Alessandro contra o Boca Juniors foi uma jogadaça, e que teve assistência de Chacho Coudet
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O encontro entre Internacional e Boca Juniors, nesta quarta-feira de Copa Libertadores, terá um sabor especial para Andrés D’Alessandro. O maestro disputa a competição continental pela última vez defendendo os colorados e inicia sua trajetória nos mata-matas pegando o rival mais íntimo de sua juventude. Afinal, D’Ale cresceu aprendendo a execrar os xeneizes, como uma boa cria da base do River Plate. E seu único gol contra os boquenses seria simbólico, não apenas por ser uma pintura, mas também por ter acontecido com assistência de um tal Eduardo Coudet.
D’Alessandro enfrentou o Boca Juniors seis vezes como profissional pelo River Plate. Sua primeira vez aconteceu em 2001, com um empate por 1 a 1 no Apertura. O sangue quente ferveu a D’Ale, que terminou expulso aos 40 do segundo tempo, ao dar um carrinho por trás em Walter Gaitán. O reencontro pelo Clausura 2002, ao menos, traria lembranças melhores a D’Ale. O River venceu por 3 a 0 dentro da Bombonera, disparando na liderança e terminando com a taça naquele campeonato. Esteban Cambiasso, Eduardo Coudet e Ricardo Rojas anotaram os gols, com Ariel Ortega orquestrando os millonarios. D’Alessandro, mesmo em branco, seria um dos melhores em campo
A primeira derrota de D’Alessandro contra o Boca Juniors aconteceu no Apertura 2002, com Marcelo Delgado anotando dois golaços na vitória xeneize por 2 a 1 no Monumental. A resposta do camisa 10 viria em junho de 2003, no reencontro dentro da Bombonera pelo Clausura. D’Ale era uma das estrelas na equipe de Manuel Pellegrini, que também contava com Chacho Coudet, Fernando Cavenaghi, Martín Demichelis e Lucho González. Já o Boca Juniors tinha a cátedra de Carlos Bianchi à beira do campo. Aquela equipe era estrelada pelo trio de frente formado por Guillermo Barros Schelotto, Marcelo Delgado e Carlos Tevez.
O gol de D’Alessandro aconteceu logo aos 11 minutos, numa envolvente troca de passes na área do Boca Juniors. O River Plate deu vários toques rápidos, até Coudet invadir a área e preparar ao camisa 10 que vinha de trás. D’Ale encheu o pé, em tiro que desviou na marcação de saiu do alcance de Pato Abbondanzieri. Coudet ainda sofreu o pênalti que rendeu o segundo gol, aos 39, convertido por Cavenaghi. O problema é que Demichelis foi expulso pouco antes, tornando bastante difícil a missão do River na Bombonera.
A reação do Boca veio em duas jogadas de Clemente Rodríguez, ambas concluídas por Schelotto às redes. O atacante matou no peito e bateu cruzado para descontar aos 19. Já aos 26, tocou na saída do goleiro Franco Costanzo para empatar. No fim, o River teria mais um expulso, com o vermelho direto a Claudio Husaín. Apesar do 2 a 2 no placar, os millonarios ririam por último. A equipe levaria o título do Clausura 2003, quatro pontos à frente dos rivais, com D’Ale entre as figuras centrais. O camisa 10 deixaria o Monumental pouco depois, vendido ao Wolfsburg.
D’Alessandro esperaria cinco anos para reencontrar o Boca Juniors. Em sua curta passagem pelo San Lorenzo, o maestro saiu do banco na vitória por 1 a 0 sobre os xeneizes no Nuevo Gasómetro, pelo Clausura 2008. Logo depois, o meia assinaria com o Internacional. E viveria a classificação sobre os boquenses nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2008, em campanha que culminaria no título colorado.
O Inter encaminhou a classificação no Beira-Rio, com o triunfo por 2 a 0. Alex foi o nome da noite, anotando dois golaços, mas D’Ale deu o passe ao tiro de fora que abriu o placar. Além disso, o maestro fez questão de infernizar os marcadores com seus dribles e quase balançou as redes no final. Já dentro da Bombonera, os colorados venceram de novo, com o placar de 2 a 1. Magrão abriu a contagem e, depois que Juan Román Riquelme empatou cobrando pênalti, D’Alessandro estaria envolvido no gol decisivo. O camisa 15 não vinha bem, mas deu uma enfiada de bola espetacular por entre a marcação, achando Alex dentro da área. De novo, o camisa 10 guardou. Depois daquele duelo, o Olé chamou D’Ale de ‘O Fantasma de La Bombonera’ em sua capa. Treinado por Tite, o Inter superou Chivas e Estudiantes na sequência, para ficar com a taça.
Aquela seria a única vez, pelo Inter, que D’Alessandro enfrentou o Boca Juniors. Quando retornou ao River Plate em 2016, foram mais dois duelos pelo Campeonato Argentino. A partida na Bombonera terminou com o empate sem gols, enquanto o Boca venceu por 4 a 2 no Monumental. Tevez seria o grande destaque da partida, comandando a virada xeneize com dois gols. D’Ale saiu de campo quando o River ainda vencia por 2 a 1, com direito a uma grande jogada no primeiro tento millonario.
Agora, mais um capítulo se somará a essa história a partir desta quarta. D’Alessandro é coadjuvante no Internacional, que vê o favoritismo pender ao lado do Boca Juniors. Ainda assim, os holofotes estarão sobre quem conhece tão bem os adversários e a própria Libertadores. Certamente o craque tentará fazer valer a oportunidade, se tiver a chance. Antes que a bola rolasse, já provocou dizendo que o River “é muito maior”. E nas quatro linhas, apesar da idade, segue com um poder de criação que merecia um lampejo de seu brilhantismo contra os boquenses.