Libertadores

O Galo ficou devendo e, sem passar de um empate contra o Deportivo La Guaira, ainda viu Everson evitar o pior

O Atlético Mineiro atravessa um momento de críticas. O trabalho de Cuca, mesmo no início, é bastante questionado. O Galo não consegue convencer, mesmo com um elenco recheadíssimo, e não apresenta consistência em campo. Por enquanto, as queixas pareciam exageradas para o Campeonato Mineiro. Mas, logo na estreia da Libertadores, os atleticanos ficaram devendo diante do Deportivo La Guaira. Os campeões venezuelanos possuem uma qualidade limitada, mas apresentaram mais organização e criaram boas chances. Enquanto os mineiros tinham mais volume e o domínio, careciam em repertório para ameaçar mais. No fim, o Galo buscou o empate por 1 a 1, mas tiveram que agradecer pelas defesas de Everson no fim do segundo tempo.

O Atlético Mineiro entrava com Savarino como titular, ambientado na Venezuela e conhecido do treinador adversário, o que deixava Hulk no banco. A equipe vinha com Keno na outra ponta e Eduardo Vargas mais à frente, além de Allan, Tchê Tchê e Nacho Fernández dando sustentação no meio. Cuca, suspenso, era representado à beira do campo pelo irmão Cuquinha. Os recursos para buscar a vitória eram evidentes, mas o Galo não conseguiria demonstrar essa superioridade técnica com tanta tranquilidade em campo.

O Deportivo La Guaira se mostrava mais à vontade durante os primeiros minutos. Que o Atlético Mineiro tivesse a bola, errava as construções e não apresentava muito para romper a marcação adversária. E os venezuelanos logo passaram a confiar que seria possível uma surpresa. Everson precisaria fazer a primeira defesa aos 20, numa bomba de Yohan Cumana. Já no minuto seguinte, veio o gol. O zagueiro Adrián Martínez carregou pelo meio e a defesa do Galo assistiu. Houve uma complacência imensa, sobretudo de Guga, até que o beque batesse no canto e tirasse do alcance de Everson.

O gol evidenciava a incapacidade defensiva do Atlético. Já o restante do primeiro tempo sublinharia também as dificuldades dos mineiros na criação. Mesmo com Nacho ditando o ritmo, o Galo era um latifúndio de ideias na hora de criar. A equipe abusava dos cruzamentos e a defesa do Deportivo La Guaira se defendia de maneira relativamente tranquila, com sua marcação disciplinada. Levou um tempo para que o goleiro Carlos Olses fosse realmente testado.

O Atlético cresceu um pouco nos dez minutos finais do primeiro tempo, quando passou a arriscar mais chutes de fora da área. Olses espalmaria uma batida de Tchê Tchê, antes de Réver mandar uma acrobacia para fora, depois da cobrança de escanteio. Eduardo Vargas também mandaria um chute perigoso, que pegou no pé da trave. Já nos acréscimos, Nacho desperdiçou de frente para o gol. Que os atleticanos arriscassem mais, estava claro como as alternativas eram limitadas, o que exigia mudanças para a segunda etapa.

O Atlético voltou do intervalo com Hulk no lugar de Savarino e Zaracho na vaga de Allan, ganhando mais ofensividade. Mas não que o time apresentasse mais inventividade. Enquanto Hulk disparava seus chutes sem direção, Zaracho faria mais diferença e quase empatou numa cabeçada aos sete, após escanteio. Seria um prenúncio do gol. Os atleticanos permaneceram martelando, até que a igualdade viesse aos 20. Arana bateu, o goleiro Olses espalmou e Zaracho mandou para dentro. Pouco antes, Marrony e Eduardo Sasha tinham entrado.

Se até aquele momento o Deportivo La Guaira só se defendia, os venezuelanos voltaram a se soltar. Darwin González exigiria outra boa defesa de Everson. Os Laranjas por vezes nem pareciam tão seguros atrás, mas conseguiam neutralizar o ataque do Atlético e protegiam a meta do goleiro Olses. À medida que o jogo foi chegando ao fim, faltava mais contundência do Galo. Enquanto isso, Everson evitou a derrota. Parou um contra-ataque presenteado por Hulk, defendendo a tentativa de González, e depois faria duas ótimas defesas em sequência após errar uma reposição. Nesta altura, o empate parecia um bom negócio aos atleticanos, que sofriam com a lentidão de sua zaga. Nacho até mandaria um tiro venenoso para fora, mas Everson voltaria a salvar aos 45, parando outra vez González.

O empate na Venezuela indica muitos dos pontos que o Atlético Mineiro precisa melhorar. Por enquanto, a versão 2021 do Galo possui um grande elenco, mas não um time. E o tropeço pode criar pressão num grupo no qual América de Cali e Cerro Porteño têm capacidade para incomodar, mesmo que o Deportivo La Guaira tenha feito uma estreia acima das expectativas. A cobrança aumenta diante daquilo que não se encaixa entre os atleticanos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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