Libertadores

‘Não somos invencíveis’: Milito preparou Atlético-MG para derrota causar menos impacto

Atlético sofreu a primeira derrota com Gabriel Milito, mas ela não deve afetar o clima, pois ele preparou todos para isso

A invencibilidade de Gabriel Milito no comando do Atlético-MG acabou. Depois de 12 jogos sem perder sob o comando do argentino, o Galo foi derrotado pelo Peñarol por 2 a 0 nesta terça-feira (14), pela Libertadores. Mas Milito já sabia que não era invencível, e preparou o terreno muito bem para esse primeiro revés não causar tanto impacto como poderia, seja no vestiário ou nas arquibancadas.

O início espetacular de Gabriel Milito empolgou a todos no Atlético, que se iludiram de todas as formas. Mas o treinador nunca deixou essa euforia pela invencibilidade e o futebol bonito praticado subir a cabeça. Pelo contrário, sempre manteve os pés no chão, fazendo questão de colocar todos os seus jogadores com o mesmo pensamento e ainda externar isso aos torcedores, preparando todos para quando a derrota viesse. A final, Milito sabia que uma hora ia perder.

Desde que chegou, Milito sempre deixou claro que fará de tudo para o Galo vencer. Mas, o argentino também sempre alertou que o futebol é cíclico, ou seja, se em uma semana você está no topo, na semana seguinte você pode estar no lugar mais baixo possível. Após perder para o Peñarol, o pensamento não foi diferente.

Queremos conviver muito mais com vitórias do que derrota, mas derrota é normal, não somos invencíveis. Temos muitas coisas boas e outras que temos que melhorar. Os rivais o mesmo. Invencível, nunca imaginamos ser, e hoje pudemos ver — Gabriel Milito.

Milito reforçou o pensamento de querer vencer sempre, todos os jogos. E isso não fica só no discurso. Mesmo fora de casa, ele fez alterações audaciosas, colocando um atacante na vaga de um volante e depois um ponta na de um zagueiro. E o jogo ainda estava 0 a 0 quando ele fez isso. A derrota veio mesmo assim — e não por conta dessas mexidas dele — pois assim é o futebol.

— Queremos ganhar todos os jogos, mas sabemos que isso é impossível. Tentaremos ganhar o máximo possível, mas também perderemos. Trabalhamos para perder o mínimo possível. Creio que temos jogadores com mentalidade para isso — disse o treinador.

Jogadores parecem preparados para superar a derrota

Uma derrota depois de um início tão espetacular com um novo treinador pode desestabilizar tudo, mas não parece que vai acontecer no Atlético. Isso porque, como citado, Milito preparou seus jogadores para esse momento, sabendo que ele chegaria uma hora ou outra.

— Não é para se desesperar porque perdemos hoje. Que sirva de aprendizado. Vai afunilando e vão estudando a gente. Temos que trabalhar e ser mais maduros quando o jogo não tiver favorável. Não é para se desesperar, e sim ter atenção — disse Guilherme Arana na zona mista após o jogo.

Outro líder do elenco atleticano que parecia preparado para a derrota era Hulk, capitão do time, que na saída de campo afirmou à ESPN: “No futebol, você não vai ganhar sempre, uma hora você vai perder”. Otávio e Everson, dois outros pilares do time, falaram sobre “perder quando podia”, já que o Galo já está classificado para a próxima fase da Libertadores e não necessitava da vitória — apesar de desejá-la muito.

Mas algo que todos (sem exceção) disseram, inclusive o técnico Gabriel Milito, foi sobre aprender com a derrota e evoluir. De diferentes maneiras, o pensamento de usar a derrota para evoluir saiu das bocas do treinador argentino e de Paulinho, Hulk, Arana, Otávio e Everson. Um claro sinal de que eles estão alinhados com as ideias do comandante argentino.

Se a derrota desta terça vai afetar o Atlético de forma positiva ou negativo, só será possível saber no próximo jogo. Mas, o que é perceptível, é que o discurso indica que não, e, desde que Milito chegou, o que é dito tem sido colocado em prática no campo.

Derrota também com menos impacto na torcida

Se uma derrota depois de uma sequência boa pode fazer o time desandar, ela tem esse poder maior ainda quando se trata da torcida. Basta um tropeço para muitos torcedores procurarem e citarem todos os erros. Tudo que era uma maravilha agora já não presta mais. Mas, assim como fez com os jogadores, Milito também fez o torcedor sentir menos o impacto dessa derrota.

Nas redes sociais, a derrota causou mais uma reflexão na torcida do Atlético do que uma diferença de relação com o time ou com Milito. Foi mais comum ver torcedor tentando entender a derrota e não “entrando em pânico” com ela do que alguém desconfiado e criticando tudo e todos.

Esse efeito que Milito conseguiu causar, de deixar o torcedor tranquilo mesmo após uma derrota, é de suma importância para o trabalho dele, pois a maioria entende que foi um tropeço que acontece e não uma situação que escancarou algo de ruim do time. Dessa forma, no próximo jogo, o torcedor estará apoiando do mesmo jeito e não desconfiado do time por conta de um resultado.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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