Libertadores

Como bar de vascaíno virou principal reduto colorado no Rio e ganhou até filme

Bar Copinha, em Copacabana, é ponto de encontro dos diversos torcedores do Internacional que moram no Rio de Janeiro

Mesmo que o mandante seja o Fluminense, o Internacional passará longe de estar desassistido para o jogo de ida da semifinal da Libertadores, no Rio de Janeiro. A capital fluminense é lar de muitos gaúchos e, por consequência, de colorados. E é em Copacabana, na esquina das ruas Bolívar e Leopoldo Miguez, que se localiza o principal reduto do clube na Cidade Maravilhosa.

Desde 2008, o Bar Copinha recebe torcedores colorados para acompanhar os jogos do Inter. Com poucas mesas e cadeiras, o que obriga as pessoas a ficarem em pé, o intuito é reproduzir o clima do Beira-Rio, mesmo a mais de 1.500km de distância.

Bar se localiza na esquina das ruas Bolívar e Leopoldo Miguez, em Copacabana. Foto: Nícolas Wagner

Colorados se “apropriaram” do bar

O curioso é que o bar antecede a identificação com o Inter, que surgiu a partir da necessidade vista por um grupo de amigos colorados.

— A gente via jogos em outros lugares, ia de bar em bar, mas acabava sendo expulso, porque a gente gritava. Tinha muita confusão — recorda Pedro Garcia, de 34 anos, à Trivela.

Mais conhecido como Ney Franco, pela similaridade com o treinador de futebol, Pedro foi um dos primeiros entusiastas do Copinha versão colorada. E o engraçado é que, além de ser carioca, ele não tem relação direta com o Rio Grande do Sul. Como são muitas das paixões, a dele pelo Inter não possui motivo aparente.

Amigo de Ney, Marcelo Peralta adquiriu banca próximo ao Copinha. Quando outro parceiro deles, Juliano ‘Gordo’, passava muito tempo o incomodando, ele recomendava uma ida ao bar vizinho. Um diálogo com o gerente em uma delas deu início ao novo Copinha.

— Tu passaria jogo do Inter para a gente? A gente paga pay-per-view, e tu passa jogo do Inter. Mas assim: pode ter final de Mundial Interclubes, entre Flamengo e Real Madrid, e Inter e Novo Hamburgo ao mesmo tempo. Tu vai passar Inter e Novo Hamburgo — propôs ‘Gordo’.

— Beleza, paga pay-per-view que eu passo — aceitou o proprietário, que era vascaíno.

Rapidamente, o bar cresceu. Meia dúzia virou uma dúzia. Dezenas se tornaram centenas. Ney destaca que o ótimo momento vivido pelo Inter no final da década de 2000 colaborou. Em 2008, conquistou a Copa Sul-Americana. Em 2010, a Libertadores. Em 2011, a Recopa Sul-Americana. Isso sem contar Campeonatos Gaúchos e clássicos Gre-Nal.

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Trapos, alcunhas e filme

Com o tempo surgiram trapos e alcunhas, como “Lóques do Copinha”. Também existem diversas referências a 23:53 — horário exato em que o Inter se sagrou campeão de sua primeira Libertadores, em 2006, contra o São Paulo. O bar também virou filme. Em 2015, foi lançado o documentário “Copinha, um sentimento”, com produção de Fábio Erdos, Carlos Guilherme Vogel e Marcelo Engster.

Mesmo com tanto sucesso, eventuais problemas acontecem.

— Teve algumas crises lá, com gerentes que passaram por lá. Vizinhos que diziam que iriam processar, que iriam fechar o bar. Porque tem jogo que vai 200 pessoas. Mas no final dá tudo certo. É um bar que é a casa dos colorados no Rio. Quando tem jogo aqui, a concentração é lá — conta Ney.

Será assim nesta quarta-feira, antes do Inter encarar o Fluminense. Outro ponto de encontro será a Barraca dos Colorados, em frente ao Hotel Hilton, onde a delegação ficará hospedada em Copacabana. Quatro mil colorados estarão presentes no Maracanã. E outros tantos espalhados Rio de Janeiro e mundo afora.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.

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