Libertadores

Pelo Rio Grande, onde estiver, Grêmio corre, goleia e abraça

Após um mês sem entrar em campo, Grêmio goleia The Strongest para seguir vivo na Libertadores

Não que precisasse nos provar nada, pelo contrário, a atenção e o cuidado dos clubes gaúchos em relação ao momento de calamidade que passa o estado, cheio d’água e caótico, é o bastante. Mas mesmo depois de um mês sem jogar, vários dias sem treinar e tanto trabalho local na mobilização de recursos e no resgate de pessoas por Porto Alegre, o time do Grêmio correu bem, competiu muito, e atropelou o Strongest em Curitiba como o Imortal que se mobiliza nas grandes noites de Copa.

Kanemann, como de costume nesses jogos de Libertadores, firmou posição diante do isolado Triverio, e a dupla do meio, Pepê e Dodi, se multiplicava para não dar espaço em qualquer pequeno duelo. Os pontas se mexeram bem, com a esperteza que se espera de Soteldo de um lado, Galdino de outro. Diego Costa fez um primeiro tempo de hierarquia.

Solto e confiante no time de Renato, um técnico que não poupa o apoio a quem sobra em talento — Suárez que o diga —, Diego viu o time procurá-lo, e atendeu. O sergipano naturalizado espanhol arredondou cada lance, variou entre a calma e o escape, e achou o tapa certo para Soteldo abrir o placar. O Couto Pereira tricolor respirou no ritmo de seu atacante-armador.

O time boliviano veio para jogar. Já classificado, tentou ficar com a bola, sair construindo, mas não mostrou tanta qualidade nem inspiração para tal, além de pegar um Grêmio extremamente concentrado. E se o cenário já era favorável para os gaúchos, João Pedro comeu para dentro e fez justiça no placar. Se um estava pouco, dois já ficava de ótimo tamanho.

Galdino, agora mais aberto no lado esquerdo, aproveitou o ímpeto do jogo rápido e direto da equipe, soltou o pé depois de nova recuperação de bola no meio do segundo tempo, e então o terceiro gol fez ainda mais sentido. Gustavo Nunes, na individual, fez o quarto para ser mais fiel ao ritmo do jogo. No fim, correndo, vivíssimo, querendo mais. 4 a 0, mas que atuação, e que vontade.

A tendência era o ritmo cair, tal qual os vizinhos do Internacional na véspera, em Barueri, mas o interesse em ampliar e a condição do adversário no grupo deram conta de um jogo sem sustos. A maratona será mais puxada que de costume, e a folha de junho do calendário do Grêmio já tem jogos marcados para os dias 1, 4, 8, 13, 16, 19… Tudo isso sem casa, sem ritmo e precisando de resultado para avançar. Em termos de elenco, boa notícia também a volta de Carballo, recuperado de lesão e peça que pode ser importante na sequência. Quase fez um golaço.

As partidas adiadas dão uma tabela curiosa ao Grêmio. Tem dois jogos a fazer para fechar a chave, e pode até ser primeiro do grupo, superando o líder Strongest, como acabar eliminado na próxima partida, em caso de derrota para o Huachipato, que tem dois pontos a mais. Mas a primeira missão era soltar as pernas, de preferência ganhando, saudando seu povo e ganhando confiança para o mês insano que começa no final de semana. Feito.

O futebol brasileiro já tem seis times nas oitavas de final da Copa Libertadores, e é simbólico, embora não obrigatório diante das circunstâncias, ter o Grêmio entre eles. Se o esporte pode ser um pouco de alívio e de alegria em semanas tão difíceis, que o Rio Grande, a Porto Alegre que já ergueu a Copa seja no Olímpico, seja no Beira-Rio, também possa chegar junto nessa festa. Ainda meio de longe, com outras prioridades, é fato, mas abraçados em Copa. Renato erguendo a bandeira gaúcha ao fim do jogo arrepia e já fica para a história.

Foto de Paulo Junior

Paulo Junior

Paulo Junior é jornalista e documentarista, nascido em São Bernardo do Campo (SP) em 1988. Tem trabalhos publicados em diversas redações brasileiras – ESPN, BBC, Central3, CNN, Goal, UOL –, e colabora com a Trivela, em texto ou no podcast, desde 2015. Nas redes sociais: @paulo__junior__.
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