Libertadores

Gallardo: “Não nos vitimizamos, mas sim assumimos a responsabilidade e acreditamos na vitória”

Após a épica vitória sobre o Santa Fe, Marcelo Gallardo elogiou a postura de seus jogadores e falou sobre o tamanho do feito

Ao apito final, Marcelo Gallardo entrou em campo exultante. O treinador abraçava e cumprimentava seus atletas, efusivo, depois de uma vitória para a memória da Copa Libertadores. O triunfo por 2 a 1 sobre o Independiente Santa Fe sequer valeu a classificação antecipada. Todavia, sublinhou o caráter de uma equipe forjada no mais alto nível competitivo. Representou o espírito de luta de um clube multicampeão nos últimos anos, que não entregou os pontos com todos os problemas. Reforçou o brio de um elenco que, numa competição que segue em frente a qualquer custo, superou limitações físicas e mentais para sair vencedor de campo no Monumental de Núñez. Um River Plate heroico. Um River Plate histórico, cujo elenco tinha 21 desfalques, com só 11 jogadores à disposição, incluindo dois estreantes e um goleiro improvisado que, na verdade, era um volante lesionado. Um River Plate, acima de tudo, vencedor.

Antes que o jogo começasse, Gallardo afirmou como acreditava no resultado. Queria que seus jogadores saíssem para o ataque, mesmo que a situação sugerisse o contrário, e atuassem com inteligência. Foi o que aconteceu. O River Plate sufocou o Santa Fe logo de cara para anotar dois gols em seis minutos. Poderia até ter conseguido mais, num primeiro tempo superior. Já na etapa final, quando os colombianos foram para o abafa e descontaram, os argentinos deram seu máximo. Jogaram com o coração para travar cada bola, mas também com o cérebro para poupar energias e administrar o tempo. Enzo Pérez, goleiro no sacrifício, não fez nenhuma defesa realmente difícil. No fim, o triunfo por 2 a 1 ganhou ares épicos e rendeu uma satisfeita entrevista do técnico.

“Os rapazes se saíram muito bem, estou feliz por eles. Era tudo atípico, com dois garotos estreando, Enzo no gol e o esforço no clássico dias atrás. Era uma situação adversa muito difícil. Nunca foi intenção nos fazermos de vítimas, mas sim assumirmos a responsabilidade da melhor maneira possível e acreditar que poderíamos ganhar se fizéssemos esforço para defender nosso goleiro. Tínhamos que impedir os chutes, isolá-los para que não tivessem ação. E isso aconteceu”, comentou Gallardo, na saída de campo. “Tínhamos pleno convencimento de que íamos ter a chance de atacar. Nunca quisemos nos refugiar nem fazer uma partida mesquinha. Saímos para jogar com a ideia de fazer o que sabemos. Atacamos na hora certa e defendemos com nobreza”.

“Nunca se viveu uma situação parecida com a de hoje. Por isso, ficará marcada a ferro e fogo na história do nosso clube. Não é normal jogar nessas condições. Resta destacar o coração dos jogadores que estiveram em campo. Como atuaram e como se ajudaram. Como jogaram por eles e por um montão de gente que acreditava numa possibilidade que era distante. Terminaram convencendo que um grupo de jogadores e uma grande equipe podem alcançar algo que parecia muito adverso”, complementou.

Gallardo não se esqueceu dos 20 jogadores afastados do elenco que, neste momento, se recuperam da COVID-19 e precisaram apenas torcer pelos companheiros: “Isso também é para os rapazes que estão atravessando um momento difícil, estou certo que eles ficarão felizes e emocionados. E também uma alegria para as pessoas em um momento muito difícil. Pudemos tirar um sorriso nesta noite mágica de Copa”.

Além do mais, Gallardo também comentou a decisão de botar Enzo Pérez no gol, apesar da distensão na coxa, e como transmitiu segurança ao volante improvisado como arqueiro: “Éramos 11 para completar o time e um deles estava lesionado. Embora não fosse grave, ia impedi-lo de jogar normalmente. A melhor opção que tínhamos dos jogadores de campo era ele. Enzo assumiu com muita valentia, não é fácil ficar numa posição que você não conhece. Foi uma decisão em conjunto. Eu necessitava que ele sentisse essa confiança para assumir a posição, além da responsabilidade que era minha. Não tínhamos um plano B. Sempre foi a primeira opção. Íamos precisar dos jogadores com pernas no resto da partida e ele era o único que não conseguiria”.

Gallardo tem uma trajetória inigualável no River Plate. Conquistou duas Libertadores, transformou a história continental do clube, bateu o maior rival numa decisão do torneio. Porém, a vitória desta quarta-feira diz ainda mais sobre o treinador. Diz sobre ímpeto e ousadia, que não se perdem nem na situação mais dramática. Diz sobre uma crença inabalável na vitória, que se transmite e contagia. Diz sobre querer competir e se provar, mesmo quando tudo ao redor conspira contra. A vitória inesquecível no Monumental teve grandes personagens. Gallardo talvez seja o maior, por fazer seus 11 heróis saberem o que realmente queriam e conduzi-los a negar o que parecia impossível.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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