Libertadores

Frustrado duas vezes pelo VAR, o Furacão não sai do zero contra o Estudiantes e terá que buscar a classificação em La Plata

O Athletico Paranaense teve um pênalti cancelado e um gol anulado, mas também não fez sua melhor apresentação

O Athletico Paranaense precisará de um resultado positivo em La Plata se quiser avançar às semifinais da Copa Libertadores. O Furacão não conseguiu sair do 0 a 0 contra o Estudiantes, dentro da Arena da Baixada. A partida teria dois lances capitais que foram frustrantes aos rubro-negros: um pênalti marcado e depois cancelado pelo VAR no primeiro tempo, enquanto Thiago Heleno viu seu tento anulado pelo VAR no segundo. Mas, apesar desses lances, os athleticanos não fizeram sua melhor partida. Tiveram momentos de superioridade esporádicos e perderam boas chances nas bolas paradas, mas também dependeram de Bento e deram espaços às chegadas dos pincharratas. O Estudiantes cumpriu seu plano.

Felipão escalou o Athletico Paranaense com Pablo na referência e deixou Vítor Roque no banco. A equipe ainda tinha o trio formado por Cuello, David Terans e Agustín Canobbio na ligação, além da dupla de volantes composta por Fernandinho e Hugo Moura. Pelo Estudiantes, alguns jogadores tarimbados foram alinhados por Ricardo Zielinsky – como Mariano Andújar, Luciano Lollo, Emmanuel Más e Pablo Piatti. Mauro Boselli era alternativa no banco.

O Estudiantes se provou como um incômodo visitante durante os primeiros minutos na Arena da Baixada. Os pincharratas conseguiam recuperar bem a bola, com uma marcação dura, e a acelerar no campo de ataque. A partir disso, tiveram as primeiras chances. Manuel Castro garantiu o primeiro aviso, ao avançar pela direita e chutar no lado de fora da rede, aos cinco minutos. O Furacão tinha problemas na construção e não dava continuidade às jogadas. Com isso, os argentinos seguiram melhores em seu plano de jogo e contaram com uma sequência de escanteios. Uma dessas bolas permitiu a cabeçada de Luciano Lollo, salva por um milagre de Bento.

O Athletico só melhorou depois dos 20 minutos, com a importante participação de Fernandinho para ajudar na organização. E um momento decisivo aconteceu aos 25, quando Cuello cabeceou e a bola bateu no braço de Godoy. O árbitro marcou pênalti, mas o VAR mandou revisar e a infração foi anulada. O descontentamento dos rubro-negros, com sua razão, era evidente. O Furacão, ao menos, não se retraiu. Continuou trabalhando a bola e buscando brechas. Elas viriam através de cobranças de falta. Aos 36, Khellven deu trabalho para Mariano Andújar numa batida direta. O goleiro apareceria de novo pouco depois, agora em falta de Cuello.

O Estudiantes voltou para o segundo tempo aceso, por mais que o Athletico tentasse se impor. Como resultado, Bento teve que salvar aos cinco minutos, na sequência de um escanteio. Pegou no canto o chute de Fernando Zuqui – embora o jogo tenha sido paralisado por impedimento. O Furacão insistia, mas não encontrava tantos espaços e nem caprichava. A equipe parecia um pouco afobada na hora de finalizar os seus avanços, com uma série de chegadas sem tanto perigo. O Estudiantes se continha e parecia mais consciente quando dava suas escapadas.

Aos 19, o Athletico ganhou novas opções com as entradas de Vítor Roque e Alex Santana, saindo Pablo e Terans. A equipe se animou, contando pouco depois com as participações de Vitinho e Léo Cittadini. Os rubro-negros insistiam mais e as chances passaram a se suceder. Foram dois ótimos lances perdidos pelo alto. Primeiro, aos 28, Khellven cobrou falta e Fernandinho desviou, para Pedro Henrique entrar sozinho no segundo pau e mandar para fora. Dois minutos depois, veio um lance ainda mais cristalino, em novo levantamento de Khellven que Cittadini mandou para fora. E ainda houve um chute de Fernandinho por cima, muito perto do travessão, após escanteio batido por Cuello.

Um dos trunfos do Athletico neste momento era Vítor Roque, que dava mais mobilidade ao ataque. Depois da sequência de sustos dos rubro-negros, o Estudiantes responderia num chute cruzado de Castro que saiu sem direção. De qualquer maneira, era o Furacão quem tinha pressa pelo resultado. Os escanteios agora eram armas dos paranaenses. E foi assim que um gol foi anulado, aos 37. Na sobra de uma cobrança de escanteio, Khellven cruzou na área e Thiago Heleno cabeceou com perfeição. Contudo, o camisa 13 estava impedido neste rebote.

Apesar da irritação, o Athletico continuou em cima, buscando uma solução para a vitória. Não era tão contundente quanto poderia, até pelas chances desperdiçadas. E o Estudiantes não estava morto, com um cruzamento que fez a torcida paranaense prender a respiração. Nos acréscimos, o ataque do Furacão ganhou a entrada de Rômulo. O melhor lance viria numa falta cobrada por Khellven, que passou perto da trave. Nada suficiente para evitar o tropeço. E daria tempo para mais uma chegada do Estudiantes, com Mateo Pellegrino, em batida ao lado da meta. A torcida athleticana cantava, mas a missão ficava mais difícil.

O Athletico Paranaense ainda tem condições de reverter o resultado em La Plata. É uma equipe madura em mata-matas e possui seus recursos. Fernandinho se prova como uma liderança desde o início, enquanto Vítor Roque pode ganhar mais minutos. O Estudiantes, contudo, não é um adversário qualquer. Os pincharratas já se mostraram bem treinados e fizeram bem seu jogo na Baixada. Terão ainda mais força diante de sua torcida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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