Libertadores

Fernando Diniz tem dúvida no Fluminense para a semifinal da Libertadores

Fernando Diniz vive dilema entre ousadia e equilíbrio para tentar fazer Fluminense voltar à final da Libertadores

Com todos os seus jogadores à disposição, Fernando Diniz ousou mais uma vez e levou a campo uma formação ofensiva no Fluminense para a semifinal da Libertadores. A escalação que ficou no empate por 2 a 2 com o Internacional fez bom jogo quando o Tricolor ainda estava com 11 homens em campo, mas abriu algumas questões.

O próprio treinador admitiu em sua coletiva que ainda não tem uma resposta sobre a estratégia a ser utilizada no jogo da próxima quarta (4), no Beira-Rio — assim como também disse Eduardo Coudet.

— Eu não sei estrategicamente como pode ser o jogo lá. O Inter poderia ter pressionado mais, poderia ter marcado em um bloco médio como fez. Poderia ter marcado mais atrás como em determinados momentos ficou mais atrás. Não dá para antever e antecipar muito o que vai acontecer. Temos que estar preparados com tudo aquilo que o Inter pode promover no jogo — afirmou Diniz.

O time que empatou com o Inter nunca havia atuado junto. Quando teve quatro atacantes na Libertadores, contra o Olimpia, Marcelo não estava em campo, e no Brasileirão, quando o lateral-esquerdo já havia retornado, Ganso esteve fora.

Marcelo lamenta um dos gols sofridos pelo Fluminense contra o Internacional na Libertadores - Foto: Icon sport
Marcelo lamenta um dos gols sofridos pelo Fluminense contra o Internacional na Libertadores – Foto: Icon sport

Diniz tentou aproveitar a qualidade técnica dos camisas 10 e 12, juntos, mas a equipe cedeu mais espaços e finalizações do que o normal ainda na primeira etapa. Erros que o treinador considerou normais.

— A escalação foi OK, os erros que acontecem… tem erro individual, não tem ligação com a escalação. Tem erro que é coletivo que pode ser por conta de um desarranjo. Aí, se você acha que foi por conta da escalação, eu discordo de você. Foi erro de falta de encaixe, falta de pressão, às vezes, qualidade do adversário — destacou o treinador.

Depois das substituições, com a defesa recomposta e Alexsander pelo meio, mesmo com um a menos em campo, o Flu foi mais organizado. Sem Samuel Xavier, suspenso, Guga será titular na lateral-direita, mas do meio para a frente, o time pode ter mudanças.

A dúvida de Fernando Diniz é se mantém a escalação do jogo de ida, retorna com Alexsander ao meio-campo e quem tirar do time: John Kennedy ou Ganso. Mesmo com a assistência para Cano no primeiro gol, o camisa 9 pode ser sacrificado como acabou sendo no intervalo.

Marcelo chega a ir para o meio, mas abre espaço na lateral

Em alguns momentos do jogo, o Fluminense tentou utilizar Marcelo por dentro. Mesmo quando está pela lateral-esquerda, o camisa 12, pela leitura de jogo e capacidade técnica, sempre faz jogadas pelo meio-campo, como um construtor. A característica está ali, mas na noite de quarta (27), o que se viu foi algo diferente.

Enner Valencia foi o jogador mais perigoso do Internacional contra o Fluminense na Libertadores - Foto: Icon sport
Enner Valencia foi o jogador mais perigoso do Internacional contra o Fluminense na Libertadores – Foto: Icon sport

Seja entre os zagueiros na saída de bola ou mesmo trocando sua posição para infiltrar pela meia-direita, Marcelo repetiu algumas das movimentações que fez na vitória sobre o Cruzeiro. Sem Alexsander e Martinelli, como neste jogo, entretanto, o time acabou por abrir mais espaços por ali.

Quem aproveitou foi Enner Valencia, que móvel, se posicionava no setor. Felipe Melo, adiantado, e Ganso, cobrindo o setor, não ofereceram a velocidade necessária para conter algumas das infiltrações. Nada que tenha prejudicado o Fluminense, mas a ideia pareceu precisar de mais alguns ajustes, mesmo que se decida manter as peças.

— A indicação é que a gente fizesse pressão. Nós muitas vezes precisávamos subir a linha e precisamos arriscar um pouquinho. É tudo muito trabalhado. Não saímos com o resultado, mas faz parte — disse Felipe Melo após o jogo.

Alexsander pode ser ponto de equilíbrio do Fluminense

Titular incontestável a partir do fim de 2022, o volante Alexsander entrou bem e mostrou que pode ser o ponto de equilíbrio do ofensivo Fluminense. O jovem mantém ótimos números pela equipe e oferece capacidade maior de cobertura de espaços ao lado de André, principalmente em transições defensivas.

Alexsander entrou bem no empate do Fluminense contra o Internacional pelas semifinais da Libertadores - Foto: Icon sport
Alexsander entrou bem no empate do Fluminense contra o Internacional pelas semifinais da Libertadores – Foto: Icon sport

Arias e Keno, além, claro, de Cano e John Kennedy, se doaram muito na marcação e não deixaram o Flu exposto. Ainda assim, diante de um grande adversário como o Inter e dada a importância da partida, o ousado e agressivo Fernando Diniz pode dar um passo atrás em busca de mais equilíbrio para voltar à final da Libertadores após 15 anos.

Fluminense na Libertadores 2023

  • Classificado às oitavas de final no 1º lugar do grupo D com 10 pontos;
  • 55% de aproveitamento na fase de grupos;
  • Eliminou o Argentinos Juniors nas oitavas de final — placar agregado 3 x 1;
  • Eliminou o Olimpia (PAR) nas quartas de final — placar agregado 5 x 1;
  • Enfrenta o Internacional nas semifinais — 2 x 2 no Maracanã e volta no Beira-Rio (4/10).
Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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