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Fábio teve uma atuação absurda em La Paz, mas ainda assim não evitou a derrota do Flu para o Strongest

Na noite em que se tornou o jogador brasileiro com mais partidas na história da Libertadores, Fábio colecionou defesaças em La Paz

O Fluminense tinha um compromisso duro na quinta-feira de Libertadores e preferiu poupar forças. Fernando Diniz escalou uma equipe reserva para encarar o Strongest, no Estádio Hernando Siles. Deu a lógica: o Tigre mostrou sua capacidade na altitude e conquistou a vitória por 1 a 0. E o resultado até poderia ter sido mais elástico, não fosse a atuação excepcional de Fábio. O goleiro completou seu 91° jogo na história do torneio continental, superando Rogério Ceni como atleta brasileiro que mais vezes disputou a Libertadores. Apesar da derrota, o veterano colecionou defesaças e endossou a grande temporada que faz. O revés, ao menos, não compromete tanto as chances tricolores de classificação.

O Strongest conseguiu abrir o placar logo aos quatro minutos. Foi o único chute que Fábio não pegou, num golaço dos aurinegros. A partir da cobrança de escanteio da direita, Michael Ortega mandou a bola para o meio do pagode e Enrique Triverio pegou de primeira. Foi uma paulada direto no ângulo, sem chances de defesa. O tento dava confiança para os bolivianos, que passaram a arriscar muitos chutes. Fábio começaria a trabalhar aos 14 minutos, numa batida de Ortega. Enquanto isso, o Fluminense tinha dificuldades para acertar seu jogo. A saída de bola curta se via travada e as ligações diretas também não davam tanto resultado. Ao menos houve uma chance de empate aos 18, num bom lance individual de John Kennedy, num chute cruzado que passou perto.

A tendência do jogo, entretanto, era uma pressão do Strongest. Fábio evitava a diferença maior no placar. O goleiro trabalhou de novo aos 20, quando Ortega fez uma jogadaça e deixou Manoel no chão. Só parou na ótima intervenção do veterano. Na sobra, Luciano Ursino desperdiçou inacreditavelmente, com a meta aberta. Até pelos desfalques, o Fluminense passava longe de manter o alto nível visto em outras apresentações nessa Libertadores. Tinha alguma lucidez com Lelê e John Kennedy, mas era pouco. Ficava dependente de Fábio, que venceu mais uma no duelo particular com Ortega aos 35, num tiro de longe. Saúl Torres quase venceu o arqueiro num chute que desviou no meio do caminho. Já nos acréscimos, Ortega buscou o ângulo numa cobrança de falta e Fábio estava lá para o milagre. Foi a defesa mais impressionante da primeira etapa, salvando no limite.

O Fluminense voltou para o segundo tempo com a entrada de Jhon Arias no lugar de Gabriel Pirani. Em teoria, o setor ofensivo ganhava mais recursos. Os tricolores até passaram a controlar mais a posse de bola, mas isso não significava um calor da equipe. O Strongest permanecia superior quando se lançava ao ataque. A chance do segundo era maior, especialmente quando o Tigre conseguia pisar um pouco mais no acelerador. O Flu deu sorte de não tomar outro gol aos 21, quando Gabriel Sotomayor escapou sozinho e carimbou a trave, quando Fábio já não tinha mais o que fazer. Enquanto isso, os cariocas não tinham tanta capacidade na criação, por mais que rondassem um pouco mais.

Aos poucos, o Fluminense ficava sem energia. O time sentia o desgaste causado pela altitude e também a falta de encaixe do time modificado. Não foram as entradas de André e Alan que auxiliaram tanto assim. Quando existia algum lampejo, tantas vezes dependia da iniciativa de John Kennedy. De qualquer maneira, quem continuava chegando com mais contundência era o Strongest. Os aurinegros queriam mais. Fábio chegou a aplicar até um chapéu numa saída de gol, mas ia melhor com suas defesas. Pegou outra bola difícil aos 45, numa cabeçada de Junior Arias. Já nos acréscimos, o recital do veterano teria mais dois milagres. Evitou mais um de Triverio num tiro rente à trave e depois saiu providencialmente nos pés de Jaime Arrascaita no apagar das luzes, enquanto ainda deu sorte quando Gonzalo Castillo mandou no travessão direto da pequena área. Uma pena que a atuação de gala de Fábio não tenha rendido ao menos um empate. O arqueiro merecia ao menos um pontinho para coroá-lo na noite.

O Fluminense fica com nove pontos no Grupo D da Libertadores, com mais duas rodadas pela frente. A classificação não está assegurada, mas é uma situação interessante. O Strongest soma seis pontos. River Plate e Sporting Cristal completaram a rodada na noite desta quinta, com o empate por 1 a 1 em Lima. Ambos ficam com quatro pontos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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