Libertadores

Dudu se agigantou e conduziu um Palmeiras que soube ser imponente para eliminar o São Paulo

Dudu foi o grande nome do jogo pelo Palmeiras, que venceu com autoridade, acabou com o tabu e vai à semifinal da Libertadores

Em um confronto grande de Libertadores, como em um clássico, há os jogadores que aparecem mais. Dudu, desde o primeiro jogo, foi quem mais apareceu pelo Palmeiras. Na volta, na casa alviverde, foi novamente Dudu o destaque de um time que foi melhor que o São Paulo o tempo todo. Diante de um rival que não conseguiu ser constante, o Palmeiras se impôs, venceu por 3 a 0 e se classificou com autoridade e vai à semifinal mais uma vez.

O campeão da Libertadores não deu qualquer chance para o rival, que nunca esteve perto de conseguir um resultado que o classificasse. Nem sequer teve momentos no jogo que esteve melhor. O técnico Abel Ferreira armou muito bem o time, que esteve à altura da exigência do português. Dudu, comandante do time, atuou pelo meio, causando muitos problemas à boa defesa do São Paulo.

As opções de Abel Ferreira acabaram rendendo. Zé Rafael teve boa atuação, assim como Raphael Veiga. O time foi seguro e Dudu comandou um time que deixou claro: vai em busca do terceiro título da América.

A história ficou para trás

Antes dos duelos das quartas de final desta edição da Libertadores, Palmeiras e São Paulo tinham se enfrentado oito vezes pelo principal torneio continental. O tricolor paulista sempre levou vantagem, especialmente nos duelos eliminatórios. Nas oitavas de final de 1994, 2005 e 2006, o São Paulo eliminou o Palmeiras. Antes, em 1974, venceu os dois jogos na fase de grupos, o que ajudou a eliminar o time alviverde ainda na primeira fase.

A história foi diferente em 2021. Depois de um primeiro jogo bastante equilibrado entre os dois times, o segundo jogo foi do Palmeiras, que se classificou com a autoridade de campeão. Acaba com a escrita de nunca ter eliminado o rival pela competição.

LEIA MAIS: O grande duelo entre o São Paulo de Telê e o Palmeiras de Luxemburgo nas oitavas da Libertadores de 1994

Os times

Os dois técnicos mantiveram escalações bastante seguras defensivamente. O Palmeiras de Abel Ferreira teve Renan como lateral esquerdo, com Marcos Rocha avançando mais e Wesley fazendo o lado esquerdo ofensivo na ponta. No meio, Danilo teve Zé Rafael ao lado. Dudu e Raphael Veiga encostavam em Rony, o atacante centralizado do time.

No São Paulo, Léo foi mais uma vez lateral esquerdo, mais defensivo, com Daniel Alves, pela direita, mais ofensivo. Nesse sentido, os dois times estavam espelhados. Luan e Liziero formavam o meio, completados por Gabriel Sara, mais pela esquerda, e Rodrigo Nestor, completando os dois volantes e chegando um pouco mais ao ataque. Emiliano Rigoni e Pablo formaram o ataque.

Na prática, os dois times eram híbridos para jogar com três zagueiros quando necessário. No Palmeiras, Wesley se transformava em ala pela esquerda, recuando bastante para retornar até o fim, quase como defensor. Do outro lado, Gabriel Sara por vezes abriu pela esquerda para ser ala, com Léo mantendo o posicionamento como zagueiro pela esquerda.

Palmeiras abre o placar – e poderia ter feito mais

O Palmeiras conseguiu abrir o placar aos 10 minutos. Arboleda se atrapalhou, perdeu a bola no meio-campo, Zé Rafael conduziu a bola pela esquerda, deu um chega para lá, sem falta, em Daniel Alves e rolou para Raphael Veiga. O meia chutou firme e marcou: 1 a 0.

Logo depois, aos 13 minutos, o São Paulo chegou trocando passes, Pablo ajeitou dentro da área para rodrigo Nestor, que bateu colocado e mandou fora, por cima. O chute levou perigo. Nos minutos que se seguiram ao gol do Palmeiras, o São Paulo tentou agir rápido para pressionar, mas logo o alviverde começou a equilibrar novamente. Foram poucos minutos com os são-paulinos mais no ataque.

No final do primeiro tempo, aos 39 minutos, o Palmeiras ficou muito perto de aumentar o placar. Veiga cruzou da esquerda e achou Rony livre na área, mas ele precisou se esticar para tocar na bola. O goleiro Tiago Volpi conseguiu fazer a defesa.

Os minutos finais da primeira etapa tiveram Dudu aparecendo para o jogo na diagonal, entre Luan e Arboleda. Por duas vezes, o zagueiro precisou sair para o combate. Na primeira, fez a falta, e apesar dos pedidos de cartão, o árbitro Wilmar Roldán não deu. No lance seguinte, Arboleda pegou Dudu de novo. Aí não teve jeito: tomou o amarelo.

Houve tempo para mais uma chance do Palmeiras. Miranda perdeu a bola na defesa, Dudu recebeu a bola, tentou a jogada e na dividida a bola sobrou para Raphael Veiga, que chutou bem de fora da área. A bola levou perigo, mas houve um desvio e gerou um escanteio.

São Paulo volta com mudanças

Hernán Crespo mudou o time do São Paulo para o segundo tempo. Sacou o volante Luan e colocou em campo o atacante Joao Rojas. Com isso, fez Liziero e Rodrigo Nestor se transformaram em volantes mais recuados. No ataque, o São Paulo passou a ter Rojas aberto na direita, Rigoni na esquerda, com Pablo centralizado. Leo virou lateral, efetivamente, no lado esquerdo.

O desenho do jogo era claro: o São Paulo tinha uma posse de bola que era pouco produtiva no ataque, buscando encontrar espaços em meio a uma defesa bem fechada do Palmeiras. O time da casa, por sua vez, estava armado para acelerar o jogo sempre que recuperava a bola. Assim, esperava encontrar a defesa do São Paulo desprotegida.

Pablo perde grande chance

Sem conseguir criar chances nos primeiros minutos, Crespo mandou inverter os pontas. Rigoni foi para a direita, com Rojas vindo para a direita. E logo na primeira jogada de Rigoni por aquele lado, ele puxou para o meio e fez um lindo passe para Pablo, que encheu o pé, mas mandou por cima do gol. Uma chance clara desperdiçada pelo time tricolor.

Crespo decidiu mudar o time pela segunda vez. Sacou Rodrigo Nestor e colocou Igor Gomes, um meia mais ofensivo, que chega mais ao ataque para finalizar. Com isso, só Liziero era volante no meio-campo do time. Ao seu lado ficariam Ganriel Sara e Igor Gomes, dois meias mais ofensivos. Sara, por característica, defendia mais. O São Paulo precisava de ao menos um gol para continuar vivo na disputa, desde que não sofresse mais nenhum.

Palmeiras assusta em cobrança de falta

Em uma bola que Wesley não desistiu e a defesa do São Paulo não conseguiu afastar, o atacante alviverde sofreu uma falta perigosa, dentro da meia lua. Na cobrança, Raphael Veiga chutou forte, o goleiro Volpi chegou a tocar na bola, mas o árbitro não marcou o escanteio. O jogo seguiu.

Golaço do Palmeiras

A chegada do Palmeiras veio com mais perigo pouco depois. Em uma jogada pelo meio, o volante Danilo recebeu dentro da área, marcado por Leo e Miranda, se protegeu e tocou para Dudu. O camisa 43 soltou um chutaço, desta vez indefensável, no alto. A bola tocou no travessão antes de entrar. Um golaço do craque alviverde: 2 a 0.

Logo depois do gol, o técnico Abel Ferreira chamou Patrick de Paula e colocou o camisa 5 no lugar de Zé Rafael. Assim, fechou um pouco mais o meio-campo, mas ainda mantendo grande qualidade no setor.

Palmeiras perde chances em contra-ataques

O São Paulo partiu para um desespero no final. Com isso, deu espaços enormes no meio-campo e na defesa para que o Palmeiras corresse com a bola. Dudu acertou um chute forte no peito de Volpi em um dos contra-ataques, Raphael Veiga perdeu uma chance enorme na cara do goleiro são-paulino ao tentar driblar e perder o domínio da bola, que saiu. Dois lances que poderiam ter aumentado o placar e decidido o jogo, sem mais dúvidas.

À medida que os minutos passavam, porém, ficava claro que o São Paulo não tinha qualquer condição de se reorganizar e realmente ameaçar o dono da casa. Era um mar de espaço para o Palmeiras aproveitar.

Crespo aumentou a aposta ao tirar Pablo e Gabriel Sara para colocar em campo Éder e Vitor Bueno. Cheio de atacantes, com um latifúndio no meio-campo, a aposta era no tudo ou nada. Não deu tudo. O espaço dado era ameaçado constantemente pelo Palmeiras. Parecia que oi jogo parecia perto de ser definido. Eventualmente, foi o que aconteceu.

Patrick de Paula mata o jogo

Muito calmo no jogo, com o domínio do que poderia fazer, o Palmeiras aproveitou os erros do São Paulo. Uma saída de bola errada, com um passe interceptado por Patrick de Paula. O camisa 5 soltou um chute forte, no canto, e venceu mais uma vez o goleiro Tiago Volpi, que nem passou perto de defender: 3 a 0 e partida definida, aos 38 minutos.

Vitor Bueno expulso

Mal tinha entrado em campo, Vitor Bueno acabou expulso. Em uma bola na linha de fundo, em que Gustavo Gómez estava com a bola, Vitor Bueno entrou forte, com a sola e o árbitro Wilmar Roldán mostrou cartão vermelho direto. Com um a menos, não havia qualquer chance de reação.

Para ganhar o bicho

Abel Ferreira aproveitou a confusão para colocar mais três jogadores em campo e gastar mais minutos. Colocou em campo Deyverson no lugar de Rony, Joaquín Piquerez no lugar de Raphael Veiga e Gabriel Menino no lugar de Wesley.

Assista aos gols do jogo

Só resta a Copa do Brasil ao São Paulo

A eliminação pesada diante do Palmeiras deixa uma marca, mas não recai sobre Crespo. As opções do técnico pareceram condizentes com o que o tinha poderia render, mas enfrentou um time que simplesmente foi melhor em basicamente tudo que fez. Nas oportunidades que teve para estar em situação melhor, o São Paulo foi mal e não soube se impor. O Palmeiras soube.

Restará ao time do técnico argentino lutar pela Copa do Brasil, onde segue vivo, nas quartas de final. Precisará lutar no Campeonato Brasileiro, onde está na parte de baixo da tabela, ainda ameaçado pelo rebaixamento.

Em busca do terceiro título

Com o que mostrou, o Palmeiras tentará um segundo título seguido da Libertadores, algo bastante raro. Terá pela frente o vencedor do confronto entre Atlético Mineiro e River Plate. O Galo, líder do Campeonato Brasileiro, tem a vantagem, depois de vencer por 1 a 0 em Buenos Aires. O confronto de volta será nesta quarta-feira (confira na Programação de TV).

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo