Libertadores

Espetáculo! Concepción 5×4 Sporting Cristal foi um dos jogos mais insanos que a Libertadores já viu

Em uma quarta-feira recheada de jogos pela Copa Libertadores, alguns acabam ficando de lado na preferência dos espectadores. Quatro brasileiros entraram em campo, o River Plate estreou e até mesmo o Nacional de Montevidéu merecia sua atenção. Desta maneira, o patinho feio da noite era o duelo entre Universidad de Concepción e Sporting Cristal, dois times sem tanto apelo, justamente na chave sem qualquer representante do Brasileirão. Pois justamente o duelo com mínimo potencial no Estádio Ester Roa terminou com uma das melhores partidas do torneio continental nos últimos anos. O segundo tempo, em especial, pegou fogo. E por mais que os peruanos tenham reagido duas vezes, pesou o instinto matador de Patricio Rubio, que balançou as redes em quatro gols, para a vitória dos chilenos por 5 a 4. A estocada fatal veio aos 48 do segundo tempo.

O primeiro tempo até fez parecer um jogo qualquer em Concepción, diante das arquibancadas esvaziadas do Ester Roa. Melhor no duelo, a UdeC abriu o placar nos acréscimos, em um tiro cruzado de Rubio que não deu chances ao goleiro Patricio Álvarez. No entanto, o duelo se incendiou de vez na etapa complementar. Aos seis minutos, Rubio apareceu de novo, para anotar o gol mais bonito da partida. Pegou na veia, em um tirambaço de primeira no alto do gol. E o que começava a soar como possível goleada logo foi freado pelo Sporting Cristal. Antes dos 15 minutos, os celestes já arrancavam o empate, com gols de Christopher Gonzáles e Cristian Palacios, aproveitando-se do espaço dado pela zaga.

A Universidad de Concepción reagiu. Outra vez, martelou dois gols contra a meta peruana. Retomou a vantagem aos 27, com Nicolás Orellana aproveitando o rebote do goleiro. Já aos 36, mais um golaço de Rubio. O filme do segundo tento até parecia se repetir, em cruzamento de Orellana da esquerda para que o artilheiro acertasse uma sapatada de primeira, sem chances de defesa. Vitória garantida? Não ainda, quando a fragilidade defensiva da UdeC no jogo aéreo possibilitou o novo empate dos celestes. Artilheiro do último Campeonato Peruano, estabelecendo o recorde de gols da competição, Emanuel Herrera aproveitou a sobra do escanteio para emendar o tiro cruzado aos 40. E dois minutos depois Palacios já empatava outra vez, punindo com uma cabeçada certeira.

Contudo, por aquilo que vinha jogando, a Universidad de Concepción não merecia a derrota. Pato Rubio não merecia a derrota. E foi ele mesmo o responsável pelo desfecho no épico, com o seu último gol. O relógio já marcava 48 quando o matador reapareceu. Mostrou, olha só, como também sabe fazer gol feio. Depois do cruzamento da esquerda, Francisco Portillo desviou no meio do caminho e a bola subiu muito. Caiu justamente nos pés do camisa 8, fuzilando na pequena área. Noite mágica ao jogador de 29 anos, que foi um dos artilheiros do último Campeonato Chileno com a camisa do Everton e possui marcas respeitáveis pelos clubes de seu país, especialmente com a Universidad de Chile. Ainda assim, nada comparado ao que ocorreu nesta quarta, em seus primeiros tentos desde a transferência à UdeC. É a primeira vez na história da Libertadores que um jogador nascido no Chile marca quatro gols no mesmo jogo.

Em ascensão, a Universidad de Concepción comprova que está no páreo pelas vagas no Grupo C da Libertadores. Assume a liderança da chave que também possui Olimpia e Godoy Cruz. Certamente será uma das chaves mais abertas da competição continental, sobretudo porque o Sporting Cristal também possui as suas credenciais. Apesar dos espaços excessivos a Rubio, ganhou o Campeonato Peruano com sobras no último ano e é uma esperança de colocar seu país nos mata-matas pela primeira vez desde 2013. O confronto eletrizante no Chile mostra que nenhum embate deste grupo deve ser menosprezado.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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