Libertadores

Atlético-MG precisa exorcizar drama para se classificar na Libertadores em Rosario

Atlético viveu um dos maiores dramas de sua história em Rosario, e vai precisar passar por cima disso para avançar na Libertadores nesta terça

Embalado e invicto sob o comando de Gabriel Milito, o Atlético-MG volta a campo nesta terça-feira (7) para encarar o Rosario Central, pela Libertadores, às 19h (horário de Brasília). O duelo acontece na Argentina, no Gigante de Arroyito, estádio onde o Galo viveu um dos maiores dramas de sua história, perdendo um título de forma inacreditável. Agora, o Alvinegro entra em campo buscando garantir vaga nas oitavas da Libertadores, e para isso terá que passar por cima do desastre vivido.

O Atlético está 100% na Libertadores e pode garantir sua vaga para as oitavas de final já nesta terça. Para isso, basta empatar ou vencer o Rosario Central. Em Belo Horizonte, o Galo venceu os argentinos por 2 a 1. Com uma nova vitória, o Galo pode, inclusive, garantir até a primeira colocação do Grupo G, desde que o Peñarol não vença o Caracas.

Enquanto o Atlético está invicto a 11 jogos sob o comando de Gabriel Milito, o Rosario Central não vive bom momento. O time argentino não passou da primeira fase da Copa da Liga Argentina, torneio que venceu em 2023, e amarga quatro jogos sem vitórias, um deles, para o próprio Galo. A última vitória foi na estreia da Libertadores, contra o Peñarol.

Para superar o Rosario e se classificar, o Atlético precisa exorcizar um fantasma que assombra o clube desde 1995, quando visitou os argentinos pela primeira vez.

O maior drama da história do Atlético?

Superar o Rosario Central no Gigante de Arroyito é um importante marco para a história do Atlético, que viveu um dos maiores dramas de sua trajetória contra os Canallas, na Argentina. Em 1995, o Galo encarou o Rosario na final da Copa Conmebol, que o clube já havia vencido em 1992.

Na ida, o Atlético teve grande atuação no Mineirão e bateu o Rosario por 4 a 0, encaminhando assim mais um título da Conmebol. Para o jogo da volta, os atleticanos se reuniram por toda BH já com faixas de campeão e apenas esperando o apito final para soltar o grito do título, já que era inimaginável que o Galo perderia a taça depois do que fez em casa.

Mas a história não foi nada parecida com o que os atleticanos esperavam. Empurrado pela sua torcida, que fez uma enorme festa mesmo com a goleada sofrida no primeiro jogo, o Rosario foi para cima do Atlético e marcou o primeiro gol aos 23 minutos do primeiro tempo. No fim da etapa inicial, o Galo sofreu o golpe que o abalou de fato. Primeiro, Taffarel falhou e o Rosario ampliou e, um minuto depois, os argentinos já fizeram o terceiro.

A etapa final foi de pressão, mas não do Rosario, já que o Atlético conseguiu controlar o jogo depois do intervalo. Os maiores obstáculos eram o mental e a força das arquibancadas. Fazer 4 a 0 na ida e levar 3 a 0 no primeiro tempo da volta é complicado, mexe muito com o time. Os times já estavam cada um com um a menos, quando Lussenhoff e Paulo Roberto Prestes foram expulsos após confusão ainda na etapa inicial. Já no meio do segundo tempo, mais um expulso para cada lado, com os times jogando a reta final com nove cada.

O Atlético se segurava da forma que dava, mas o Rosario, empurrado por sua torcida, foi para cima nos minutos finais. Aos 43, em cobrança rápida de escanteio, um levantamento para a área encontrou Carbonari livre para marcar o quarto e levar a disputa para os pênaltis. Na decisão, já abalado pelo que acontecera, o Galo desperdiçou duas penalidades e viu o Rosario fazer a festa ao lado de sua torcida, que acreditou como poucos na chance do título.

‘A torcida falava que, se a gente ganhasse, não ia sair vivo do estádio’

Um dos grandes nomes do Atlético na década de 90, o atacante Renaldo estava em campo nos dois jogos das finais de 1995. No primeiro, ele, assim como todo o time, foi muito bem e contribuiu para a goleada. No segundo, assim também como todos os atleticanos em campo, foi mal e acabou substituído no intervalo.

Em entrevista à Trivela, Renaldo tentou explicar o que aconteceu para o Atlético deixar escapar uma vantagem tão grande. Segundo ele, não houve “oba-oba” após a vitória no Mineirão, mas muitos fatores levaram o time a perder aquele título.

Não teve oba-oba. Eles soltaram fogos no hotel e a gente não conseguiu dormir. Foi um jogo complicado e hostil, dos torcedores com a gente. Foi uma pressão muito grande e a gente não esperava isso tudo. A gente levou o gol cedo e não conseguimos reverter. Foi difícil e complicado para vários jogadores, que não conseguiram render pela pressão. No final, eles ainda queriam agredir a gente. A torcida falava que, se a gente ganhasse, não ia sair vivo do estádio — Renaldo.

— A gente não fez uma grande partida, além de algumas coisas que influenciaram muito no jogo. Eles foram melhores, mas teve o clima, a falta de respeito no hotel, a pressão da torcida, e aí a gente não rendeu como tinha que render e eles nos superaram — afirmou o ex-artilheiro atleticano.

A pressão que Renaldo e seus companheiros de time sentiram no Gigante de Arroyito não poderá ser feita pelos torcedores do Rosario nesta terça, já que o jogo acontecerá com portões fechados por conta de um incidente na estreia dos Canallas na Libertadores. Enquanto o técnico Milito e o atacante Hulk não quiseram falar em vantagem por conta disso, Renaldo, que viveu o “inferno” criado pelos argentinos, afirmou que é sim um benefício ao Galo.

— Sem a torcida, eles perdem 50% da força. A torcida deles empurra e motiva, é bastante forte e ajuda. Sem a torcida, o Galo tem vantagem para o jogo — destacou o ex-atacante.

Renaldo tem uma história forte e muito ligada ao Atlético, tanto que virou torcedor do time e faz das suas redes sociais um local para demonstrar a paixão pelo Galo. Ao todo, ele atuou em 183 jogos com a camisa atleticana e marcou 79 gols. Em 1996, ele viveu um ano iluminado, sendo o artilheiro do Campeonato Brasileiro e convocado para a Seleção Brasileira.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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