Abel foge de clichês, exalta Veiga e conta como Palmeiras superou má fase
Com vitória no Mineirão, time saiu na frente do Atlético-MG na briga pela vaga nas quartas de final
O Palmeiras saiu na frente do Atlético-MG na briga pela vaga nas quartas de final da Copa Libertadores da América. O alviverde bateu o Galo, na noite dessa quarta-feira (2), no Mineirão, por 1 a 0. O gol da partida foi marcado pelo meia Raphael Veiga, ainda na primeira etapa.
A vitória é importantíssima para o Palmeiras que consegue levar uma grande vantagem para casa, onde é muito forte. O jogo de volta acontece na próxima quarta (9), às 21h30, no Allianz Parque. O desempenho também agradou. Jogando no Mineirão, o alviverde sofreu pouco e apresentou um desempenho sólido.
Em sua coletiva, Abel saiu do óbvio e, mesmo vencendo, criticou o resultadismo do futebol brasileiro. Além disso, contou o que resultou na má fase palmeirense, além de exaltar o “completo” Raphael Veiga e explicar o que prejudicou o desempenho do meia após seu retorno da Seleção Brasileira.
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O que Abel Ferreira falou na coletiva do Palmeiras?
- Ressaltou a melhora do gramado do Mineirão
- Elogiou seus jogadores
- Criticou as cobranças constantes por vitórias
- Afirmou que a má fase do Palmeiras aconteceu por problemas físicos dos jogadores
- Elogiou Raphael Veiga e explicou queda de rendimento do jogador
- Destacou que seu trabalho vai além de ganhar títulos
- Falou sobre a cultura resultadista dos dirigentes brasileiros
- Elogiou o ambiente dos estádios brasileiros
- Posicionamento de Dudu
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Desempenho positivo e recuperação na temporada
Abel Ferreira destacou o bom desempenho de sua equipe, em especial no primeiro tempo de jogo. Segundo ele, o Atlético-MG ter “empurrado” o Palmeiras para trás no segundo tempo foi uma condição normal de jogo.
— Tivemos calma, tivemos tranquilidade, fomos competitivos. A primeira parte muito bem jogada, com as dinâmicas muito bem feitas, na casa de um adversário superpoderoso. Estamos no meio, ainda, de uma eliminatória. Na segunda parte nosso adversário empurrou-nos um “cadinho” para trás, é normal, tinham que reagir, tinham que ir atrás do resultado. Acho, sinceramente, que nesta primeira fase o resultado acaba por ser justo — analisou o português.
Perguntado sobre a recuperação do Palmeiras, que passou por momentos difíceis há algumas semanas, mas reencontrou o caminho das vitórias e boas partidas, Abel criticou o que ele acredita ser uma cultura de ter que ganhar sempre no futebol brasileiro.
— Estou sempre a falar do mesmo e vocês não entendem o que eu digo. Eu não conheço nenhuma equipe que só ganhe. Vejam o Liverpool. Estou sempre a falar, vocês acham que uma equipe tem que ganhar sempre. Eu fico muito triste quando, ainda ontem eu estava a ver um jogo e invés de realçar o valor dos adversários que se organizam, cada vez mais investem, não, optam por xingar as pessoas que gostamos. Eu não consigo entender essa cultura. Temos que olhar primeiro pra dentro, perceber, organizar-nos, sermos melhores profissionais, mais competentes e é isso que nós fazemos aqui — desabafou Abel.

O treinador português continuou, afirmando que a fase ruim aconteceu por uma queda física em seus jogadores, motivada pelo calendário intenso do futebol brasileiro.
— Eu já disse várias vezes e vou voltar a repetir. Nós não vamos ganhar sempre. Nós vamos lutar para ganhar. E sobre a má fase, eu expliquei muito bem. Eu disse que nós, infelizmente, em função da loucura que é a intensidade dos jogos no Brasil, nós tivemos vários jogadores, que vocês não souberam, e nem tem que saber, tem que saber o que nós queremos passar, não aquilo que vocês querem, tivemos vários jogadores em baixa forma (condições físicas ruins) e mais que isso, lesionados, desde o nosso goleiro ao nosso centroavante. Isso sim foi a grande influência do nosso baixo rendimento. Mas eu prefiro ter um elenco curto e enxuto e arriscar, do que ter um elenco de 30 jogadores, como cheguei, e ter metade dos jogadores de fora, chateados porque não jogam — falou Abel Ferreira.
— Nós não mudamos nada, nossa forma de trabalho é a mesma. Vamos ganhar e vamos perder. É assim que acontece no futebol — completou.
Tem estrela, tem futebol e tem muito mérito! Que gol importante pra colocar o #MaiorCampeãoDoBrasil em vantagem nas oitavas da @LibertadoresBR, Veiga! ✨#AvantiPalestra #CAMxPAL#AlmaECoração pic.twitter.com/GssAdUimWF
— SE Palmeiras (@Palmeiras) August 3, 2023
É impossível ganhar sempre
Abel ressaltou ainda que o Palmeiras não vai ganhar sempre e que seu trabalho vai além dos títulos, apesar de que a maioria das pessoas espere somente as conquistas. De acordo com o treinador, seu papel também é valorizar a equipe, revelar jogadores. Ele afirmou, ainda, que não era um treinador de conquistas antes de chegar ao alviverde, mas que ainda segue fazendo seu trabalho que vai além de levantar troféus.
O treinador voltou a citar o Liverpool como exemplo, destacando que mesmo com um grande treinador, o alemão Jürgen Klopp, e ótimos jogadores, o clube inglês não conseguiu se classificar para a Champions League de 2023/24.
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Abel elogia Raphael Veiga e cita problema nas seleções
Abel Ferreira comentou, ainda, sobre Raphael Veiga, decisivo no confronto contra o Atlético-MG. Segundo o português, o jogador é de extrema importância e a queda de rendimento apresentada em alguns jogos se deu por questões físicas e pelo período do atleta na Seleção Brasileira.
— O Veiga é um jogador completo. É um dos jogadores que também passou por problemas. As pessoas dizem “foi depois da chegada da Seleção”. Não, o problema não foi na Seleção. O problema é que nas seleções não se treina ou se treina pouco. Quem joga é mais fácil manter o ritmo de quem joga, mas é assim com todas as seleções, não é só com a Seleção Brasileira. Os jogadores que vão pra Seleção e jogam têm ritmo e os que não jogam infelizmente não. O próprio método de trabalho é outro. O problema com o Veiga foi o mesmo com o Rony, o mesmo com o Dudu, com o Murilo, o Zé Rafael — explicou o treinador português.
Pra ver e rever porque foi uma pintura! ?️
??????? ?????????? ?????, senhoras e senhores! ☄️#AvantiPalestra #CAMxPAL#AlmaECoraçãopic.twitter.com/KcdCuuSFQm
— SE Palmeiras (@Palmeiras) August 3, 2023
Abel critica a cultura resultadista dos dirigentes brasileiros
Abel Ferreira falou ainda sobre as vantagens que tem sobre outros treinadores pela longevidade de seu trabalho. Para ele, isso é um reflexo da cultura dos dirigentes do futebol brasileiro, que focam muito nos resultados.
— Isso é algo muito profundo e tem muito a ver com a cultura do Brasil e dos dirigentes brasileiros. Se todas as equipes do Brasil fossem treinadas por mim, se eu me multiplicasse, um iria ser campeão e outro igual a mim iria descer. As pessoas daqui não entendem que não podem ganhar todos. Eu dei sorte de chegar e ganhar logo no primeiro ano, porque se não ganhasse iria acontecer a mim o que acontece com todos os outros. Felizmente tive antes um grande presidente, agora tenho uma grande presidente, porque com outros treinadores bastava perder dois, três jogos, para meterem logo tudo em causa — falou Abel.
— Mas eu não posso mentir, como falo aos meus jogadores. O nosso processo é bem feito, mas é o resultado que nos avalia, gostem ou não. “Ah, mas eu jogo bem”. É como as empresas funcionam. Querem resultados. É assim que funciona, resultados. Pagam para eu apresentar resultados — continuou o treinador português.
Gramado “mais ou menos”
O Mineirão tem sido alvo de constantes críticas pelo estado do gramado, em decorrência da grande quantidade de eventos não-esportivos realizados no principal palco do futebol mineiro. Na partida entre Atlético-MG e Palmeiras, as condições da grama estavam melhores que em outras ocasiões, mas ainda assim várias falhas eram notáveis. Abel comentou sobre.
— Foi a primeira vez desde que estou aqui no Brasil que este gramado estava mais ou menos. É uma coisa que dão pouca importância mas faz toda a diferença para que o espetáculo possa ser melhor — avaliou Abel.
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