América do Sul

Arbitragem na Recopa revolta Fluminense, que vê filme repetido com a LDU

Assim como na Libertadores de 2008 e na Copa Sul-Americana de 2009, Fluminense é prejudicado por erros de arbitragem, e até presidente Mário Bittencourt faz críticas

O Fluminense foi derrotado pela LDU por 1 a 0 no jogo de ida da Recopa Sul-Americana, em Quito, e ficou na bronca com a arbitragem. Os erros do árbitro Andrés Rojas revoltaram jogadores, o técnico Fernando Diniz e até o presidente Mário Bittencourt.

Para piorar, em se tratando do adversário que bateu o Tricolor na Libertadores de 2008 e na Copa Sul-Americana em 2009, ambas com polêmicas de arbitragem, a sensação é de filme repetido para o clube e seus torcedores.

— O Fluminense, hoje foi roubado, isso foi nítido. O jogo jogado foi equilibrado, mas a arbitragem um desastre. Infelizmente, com a arbitragem desse jeito, é complicado — disse Marlon, na zona mista.

Desta vez, no Casablanca, a arbitragem ignorou pênalti claro de Quiñóñez em Germán Cano aos sete minutos de jogo. De acordo com o ex-árbitro e comentarista Carlos Eugênio Simon, na transmissão exclusiva da ESPN, a penalidade deveria ter sido assinalada e o defensor poderia ser expulso.

— Infelizmente o jogo foi manchado por um erro nocivo da arbitragem. Medidas precisam ser tomadas porque não pode ficar assim. O lance do pênalti não tem interpretação. Conseguiu achar uma falta (no lance do gol da LDU) que ninguém tinha reclamado. E o impedimento depende muito. Mas até aí tudo bem, é interpretação. O pênalti não tem interpretação. Vai aqui o nosso repúdio. Temos muitas famílias envolvidas. No futebol, o melhor tem que vencer sem influência da arbitragem e hoje houve clara influência da arbitragem — opinou Fernando Diniz na coletiva após o jogo.

Jogadores veem favorecimento à LDU e inflamam vestiário

Na coletiva, Felipe Melo desabafou. Para o capitão do Fluminense, não existiu um erro, mas um favorecimento proposital à LDU em Quito. O jogador fez coro à Fernando Diniz e Arias, que também haviam criticado a arbitragem, e reclamou da falta de perguntas de jornalistas sobre o tema na coletiva de imprensa.

— Eu falo muito pouco dos árbitros porque errar é humano. Eu erro sempre. Mas hoje não foi erro, aí cabe a interpretação de cada um de vocês. Não foi erro. A gente sai com uma sensação amarga, mas entendendo que já temos que trabalhar porque temos o jogo da volta no Maracanã e não temos dúvidas de que nossa torcida vai fazer aquilo que fez ano passado lotando o Maracanã. E, no Maracanã, nós somos ainda mais fortes.

 

No vestiário, após a derrota, os jogadores estavam revoltados com as decisões do árbitro Andrés Rojas. Alguns mais exaltados, outros menos, mas todos frustrados com o jogo em Quito. Dirigentes presentes ao encontro com os atletas, além do técnico Fernando Diniz, buscaram usar a raiva e frustração como motivação.

Um jogador pediu a palavra e afirmou que o Fluminense, na quinta, precisa buscar o resultado e a taça, além de tudo, pela honra e esforço de todos na altitude.

Altitude faz a diferença para a LDU mais uma vez

Com a decisão de não marcação de pênalti, o Flu tentou, mas sucumbiu à altitude de 2.850 metros de Quito. Sentindo fisicamente a diferença do ar rarefeito, a equipe perdeu Keno, Cano e Ganso, exaustos pelo esforço físico.

Nas outras finais em que enfrentou a LDU, o Fluminense teve pela frente um grande time além da questão geográfica. Desta vez, entretanto, o Tricolor não teve o mesmo desafio esportivo. E aí, ao que parece, a diferença da altitude ficou ainda mais clara.

Se não há relação direta entre os efeitos da altitude e a idade de seus jogadores, o Flu sentiu também sua própria lentidão na construção de jogadas e progressão ao ataque.

— Os jogadores sentem muito (a altitude), mas conseguimos jogar com inteligente. Enfrentamos uma equipe tradicional, que foi campeã da Sul-Americana — disse Fernando Diniz.

Para Fernando Diniz, arbitragem manchou jogo de ida da Recopa e prejudicou o Fluminense - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Para Fernando Diniz, arbitragem manchou jogo de ida da Recopa e prejudicou o Fluminense – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

Com pouca força e fôlego em função da altitude, o Fluminense mal incomodou o gol de Domínguez. A melhor chance veio com Lima, que parou no travessão aos 27 do segundo tempo. Pouco para o campeão da América, mas era difícil pedir mais do que sobreviver aos efeitos de jogar futebol acima do nível do mar.

Fluminense volta com desvantagem menor que em outros confrontos

Se o empate parcial até os 48 minutos do segundo tempo daria vantagem ao Fluminense para decidir a Recopa em casa, a derrota simples, ao menos, não descarta as chances de título da equipe. Em 2008 e 2009, o Tricolor precisava reverter placares bem maiores (4 a 2 pela Libertadores e 5 a 1 pela Copa Sul-Americana).

— Na próxima quinta-feira, diante de nossa enorme torcida, vamos buscar o resultado e mais esse título para nosso clube, com a mesma humildade de sempre — afirmou o presidente Mário Bittencourt em sua conta oficial no Twitter.

Como não há mais peso no gol marcado fora de casa, o Fluminense precisa vencer por dois ou mai gols de diferença para conquistar a Recopa Sul-Americana. Se vencer por um gol de diferença a partida irá para a prorrogação. Qualquer outro resultado dá o título para a LDU.

A decisão será na próxima quinta-feira, dia 29 de fevereiro, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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