América do Sul

Altitude de Quito ajuda, LDU marca no apagar das luzes e vence o Fluminense em jogo de ida da Recopa

O Fluminense bem que tentou, mas sucumbiu à altitude e viu a LDU marcar nos acréscimos após arbitragem ignorar pênalti no primeiro tempo

O Fluminense tentou, mas sofreu com a altitude e viu a LDU vencer por 1 a 0 o jogo de ida da Recopa Sul-Americana, em Quito, no Equador. O gol de Arce nos acréscimos deu a vitória aos equatorianos após o árbitro Andrés Rojas ignorar pênalti em Germán Cano na primeira etapa.

Para ser campeão da Recopa, o Tricolor precisa vencer por dois ou mais gols de diferença na próxima quinta (29), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. Uma vitória simples leva a decisão para os pênaltis, e a LDU fica com a taça caso vença novamente ou segure o empate no Rio de Janeiro.

Fluminense começa mal, e Fábio dá susto

Jogar futebol a 2850 metros exige um esforço hercúleo, e talvez o Fluminense seja o clube que mais compreenda isso. Ainda assim, não há antídoto: cilindros de oxigênio afora, é preciso se arriscar. E o Tricolor tentou ao seu modo.

O início, como sempre na altitude, foi difícil. O Flu mantinha a posse e trocava passes, mas apenas no campo defensivo. Thiago Santos, descuidado, recuou a bola várias vezes até Fábio na direção do gol tricolor. Em uma delas, logo aos três, o goleiro hesitou ao receber passe e precisou se esticar todo para evitar um gol contra. Seria o primeiro susto do Fluminense no jogo.

VAR chama por pênalti para o Fluminense, mas árbitro ignora

Quando conseguiu respirar, o Fluminense contou com a genialidade de Marcelo para ter sua melhor chance. O lateral-esquerdo descolou um lançamento perfeito para Cano, e o Tricolor deveria ter tido oportunidade de abrir o placar.

O Rei da América matou a bola e invadiu a área, mas não finalizou e caiu no gramado. O jogo parou e o VAR recomendou que o árbitro colombiano Andrés Rojas fosse ao monitor conferir pênalti.

Na transmissão exclusiva da ESPN, o narrador Paulo Andrade e os comentaristas Eugênio Leal e Carlos Eugênio Simon focaram num empurrão, mas o contato foi no pé esquerdo do argentino. O ex-árbitro brasileiro voltaria atrás ao rever o replay, e afirmou que a penalidade era clara.

Um pisão que lhe fez escorregar o pé de apoio e perder a chance de chutar. Pênalti claro… ignorado pelo árbitro. Parecia filme repetido — e era mesmo. O Flu só chegaria de novo aos 30, em toque de Arias que o goleiro Domínguez defendeu.

Marcelo sofre entrada dura e sai de campo lesionado

Não havia em campo um jogador mais acostumado com Recopas, Supercopas e decisões do que Marcelo. Multicampeão por Real Madrid e Fluminense, o lateral-esquerdo participava pouco do início do jogo, até que achou o bolão para o pênalti não marcado em Cano.

Logo aos 12 minutos, seu número mágico, o lateral-esquerdo sentou no campo e pediu substituição. Uma forte pancada lhe deixou com fortes dores, e o jogador de 35 anos pediu substituição. Entrou Diogo Barbosa.

Estádio sofre apagão duas vezes na Recopa

O Fluminense teria mais uma chance de ataque ao sair do sufoco aos 23 minutos, mas não havia luz — e não estamos falando de fim do túnel. O estádio Rodrigo Delgado Paz apagou parcialmente.

A paralisação durou apenas um minuto. O suficiente para dar um susto e impedir um ataque, mas também para os tricolores respirarem.

As luzes se apagaria novamente aos 40, quando Piovi tentou um chute de fora da área. Fábio defendeu sem sustos, e o jogo parou mais uma vez.

LDU tenta chutes de fora da área e faz blitz no fim

Outra característica clássica dos jogos na altitude, para além do ar rarefeito e da dificuldade de respiração, é a mudança na velocidade da bola. Por pegar um pouco menos de resistência do ar, a redonda fica mais leve, os chutes mais perigosos e com variações.

A LDU sempre usou e abusou disso. Com bons chutadores, claro, o time equatoriano fez das suas. Foram seis tentativas na primeira etapa, e era assim que os donos da casa levavam mais perigo. Até os 37, quando Fábio bateu roupa na pequena área e contou com a sorte, vendo Gonzalez perder chance sozinho.

No fim do primeiro tempo, enquanto o Fluminense já sentia muito os efeitos da altitude, a LDU fez uma blitz. Foram quatro tentativas em escanteio. Guga salvou a melhor chance equatoriana aos 48, tirando de cabeça em cima da linha o que seria um gol olímpico de Piovi.

Jogadores do Fluminense sentem efeitos da altitude

A cada tentativa do Fluminense de acelerar o jogo, o craque da LDU entrava em campo: a altitude. Os 2850 metros acima do nível do mar tiravam o fôlego dos tricolores e impediam a construção de jogadas.

Os jogadores do Flu sentiram muito os efeitos da altitude. Keno, aos 40 do primeiro tempo, foi flagrado pela câmera da ESPN afirmando: “Estou tonto”.

Não demorou muito para que os tricolores precisassem de mais do que cilindros de oxigênio. Aos 10 minutos da segunda etapa, foi o próprio atacante a vítima dos problemas físicos causados por atuar acima do nível do mar. Keno cortou cruzamento de cabeça e caiu duro no gramado. Ele precisou da ajuda dos paramédicos para deixar o campo de maca.

Fluminense sofre, LDU pressiona e marca nos acréscimos

Já com as cinco substituições feitas, o Fluminense mudou um pouco seu estilo de jogo para tentar suportar a altitude. A zaga já tinha Marlon, que na vaga de Felipe Melo, também ajudou a levar tranquilidade para a saída de bola da equipe. Para melhorar a construção, Diniz baixou André e Martinelli por dentro para abrir espaço para os laterais Guga e Diogo Barbosa, que foram bem.

O Tricolor fazia o que podia, mas os 2850 metros cobravam a conta. Melhor fisicamente, a LDU pressionou na reta final e cansou de colocar bolas na área.

Em um desses cruzamentos, aos 48 minutos do segundo tempo, Piovi bateu falta e Arce, adiantado, desviou para o gol já sob reclamação de Fábio. Assinalado em campo, o impedimento foi anulado pelo VAR, que mostrou que, por centímetros, o pé de Marlon dava condição ao atacante. O gol premiou os equatorianos, que foram melhores no jogo. Mas contaram com a ajuda da geografia e do apito mais uma vez.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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