América do Sul

O Fluminense vê seu último fantasma bater à porta, e terá a Recopa para exorcizá-lo

Fluminense faz primeiro jogo da Recopa Sul-Americana contra a LDU, em Quito, para exorcizar seu último fantasma e conquistar taça inédita

Quando subir ao gramado do Estádio Rodrigo Paz Delgado em Quito, às 21h30 (de Brasília), para enfrentar a LDU na Recopa Sul-Americana, o Fluminense não terá boas lembranças do passado — mas poderá modificar as futuras. Na altitude da capital do Equador, o Tricolor se reencontra com seu maior algoz e pode exorcizar o último dos fantasmas que lhe falta depois de um 2023 de fim às obsessões e assombrações.

O Casablanca talvez seja o palco mais funesto para o Flu em toda a sua história.

LDU Quito
22/02/24 - 21:30

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Fluminense

LDU Quito - Fluminense

Recopa Sudamericana - Estadio Rodrigo Paz Delgado

1° Turno

Foi nos 2850 metros acima do nível do mar que o Tricolor viveu duas de suas maiores frustrações: as goleadas sofridas nas decisões da Libertadores de 2008 e da Copa Sul-Americana de 2009. O clube bateu duas vezes na trave pelo seu primeiro título sul-americano, e nas duas sucumbindo à altitude.

Passados 15 anos dos seus pesadelos e com um sonho realizado ainda bem vivo na memória, o Fluminense de Fernando Diniz quer enterrar seus demônios, dar fim à escrita e levar uma nova e inédita taça para as Laranjeiras, onde um espaço especial a espera em seu novo museu.

Para isso, precisará resistir à “criminosa” altitude, como chama seu treinador. Desde terça na capital Quito, o Flu joga uma decisão de 180 minutos onde a primeira metade lhe desafia psicológica e fisicamente como poucas vezes.

Fluminense ignora histórico por conquista inédita da Recopa

O desejo pela Recopa Sul-Americana nem se compara à obsessão que o Fluminense tinha pela Libertadores. Nem precisa. O Tricolor ignora o histórico como fez em 2023, sem sentir o peso do que passou.

Fluminense foi campeão da Libertadores em 2023 e disputa a Recopa Sul-Americana em 2024 (Foto: Icon sport)
Fluminense foi campeão da Libertadores em 2023 e disputa a Recopa Sul-Americana em 2024 (Foto: Icon sport)

Assim como despachou Argentinos Juniors, Olimpia, Internacional e Boca Juniors para conquistar a Libertadores em 2023, deixando um a um seus algozes pelo mata-mata, o Flu vai com a mesma gana para bater a LDU. E sem medo do que passou.

— Para a torcida do Fluminense, obviamente foi muito sofrido. Eu não estava, mas sei da história. Sei o que representava poder ganhar a Libertadores e a Sul-Americana. O que aconteceu ficou no passado, é pensar no presente e na final que temos pela frente. São estatísticas que ficaram marcadas, mas agora é um outro jogo, outro time, outro treinador. Estamos juntos quase há um ano meio, mesmos jogadores, será um jogo importante por tudo que representa. No campo, são 11 contra 11. Sempre falo que dentro do campo as estatísticas ficam fora. Seria lindo, por tudo que representa. Enfrentar de novo a LDU e poder conquistar um título seria muito especial — declarou Germán Cano à ESPN, no Equador.

Mas tudo isso sem pensar em revanche. O Fluminense quer a Recopa Sul-Americana pelo ineditismo do título, a taça, a premiação e pelo objetivo principal deste início de 2024. De quebra, o clube ainda pode se tornar o maior campeão continental do Maracanã.

— Não posso dizer que é uma revanche, mas estamos preparado e muito focado para a cena — afirmou Paulo Henrique Ganso.

O campeão da Recopa receberá 1,8 milhão de dólares (R$ 8,95 milhões na cotação atual) e o vice-campeão receberá 900 mil dólares (R$ 4,48 milhões).

LDU tem problemas antes do jogo de ida da Recopa

Para 2024, o Flu tem mais time e opções para conquistar a Recopa contra uma LDU com problemas econômicos. O clube equatoriano sofreu um “transfer ban” da Fifa, ou seja, está impedida de inscrever jogadores.

Um dos principais jogadores da equipe, Facundo Rodríguez está fora da Recopa, por exemplo. Isso porque o zagueiro, que passou 2023 emprestado pelo Godoy Cruz, foi comprado, mas atrasos na documentação impediram sua inscrição.

Para piorar, a LDU contratou o espanhol Josep Alcácer, que não reúne condições para comandar a equipe em jogos da Conmebol. Seu auxiliar Miguel Ángel Sierra tampouco. A equipe será comandada por Adrián Gabbarini, ex-goleiro do clube que faz parte da comissão técnica. A equipe ainda perdeu o centroavante Paolo Guerrero.

Fluminense ajusta ponteiros e deve ter titulares de 2023 na Recopa

O Fluminense, por outro lado, também tem um desfalque importante para o jogo de ida: o atacante John Kennedy, herói do título da Libertadores. O jogador de 21 anos foi expulso na final e cumpre a suspensão na primeira partida da Recopa. Além dele, outros dois titulares do time campeão de 2023 estão fora.

Nino, negociado com o Zenit, e Samuel Xavier, ainda sem ritmo de jogo, não jogam. Na zaga, entra Thiago Santos, e na lateral-direita, Guga. De resto, a equipe terá a escalação da espinha dorsal campeã da Libertadores.

Recuperado, Keno treinou com bola e vai para o jogo em Quito. Ele deve voltar ao time titular na vaga de Renato Augusto, que será opção no banco de reservas. O Fluminense deve ir a campo com Fábio, Guga, Thiago Santos, Felipe Melo e Marcelo; André, Martinelli e Ganso; Keno, Arias e Cano.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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